É POSSÍVEL TER AÇÕES JUNTAS E BEM COORDENADAS NOS TRANSPORTES, MESMO COM GRUPOS OPOSTOS

ônibus Mauá

Ônibus em Mauá só conseguiram entrar com a ajuda da Polícia Militar

Ação coordenada entre empresas e polícia evita tumulto em paralisação de motoristas em Mauá
Categoria chegou a paralisar os serviços por cerca de uma hora. Terminal Central foi bloqueado, mas não houve grandes problemas
ADAMO BAZANI – CBN
Quando vários agentes distintos, mesmo que tenham orientações e diretrizes opostas se unem e agem de maneira coordenada, a coletividade que acaba ganhando.
Foi o que ocorreu na tarde desta quarta-feira no município de Mauá, na Grande São Paulo, durante paralisação de motoristas e cobradores de ônibus que protestaram contra o assassinato da cobradora da Viação Cidade de Mauá, Lilian Ramos Vasconcelos, de 28 anos.
Lilian foi morta na noite desta terça-feira, no Jardim Alto da Boa Vista, periferia da cidade.
Quatro homens em um carro fecharam o ônibus em que a cobradora trabalhava. Dois deles invadiram o veículo. Enquanto um rendeu o motorista com uma arma de fogo, o outro atingiu a cobradora com uma arma branca na região do pescoço.
A dupla fugiu em seguida. De início, a polícia trabalhou a possibilidade de tentativa de assalto, mas da maneira que o crime foi cometido, os policiais acreditam que a motivação teria sido vingança de caráter passional.
Lilian estava separada e de acordo com familiares seu ex marido não aceitava a separação. Além disso, de acordo com o pai da vítima, que também era cobrador da Viação Cidade de Mauá e se aposentou, abrindo uma vaga para a filha, ela recebeu ameaças da esposa de um rapaz com que estaria mantendo relações.
A jovem chegou a registrar um boletim de ocorrência por ameaça. A cobradora foi levada para o Hospital Nardini, também em Mauá, mas chegou sem vida ao Pronto Socorro.
Logo depois do crime, os colegas de trabalho de Lilian, revoltados, paralisaram as atividades, o que causou tumulto no Terminal Central da Cidade. Os passageiros não podiam voltar para a casa. A polícia teve de intervir para que ônibus e Terminal não fossem depredados.
Os serviços foram suspensos por volta das dez horas da noite e só foram retomados na madrugada desta quarta-feira.
A reportagem do Blog Ponto de Ônibus acompanhou a movimentação desde as primeiras horas. Pela madrugada, o clima era de tensão. Viaturas de polícia e da guarda civil da cidade tiveram de cercar o Terminal e percorrer pelas principais ruas das linhas.
Pela madrugada e manhã, as operações foram normais apesar da tensão.
O sindicato que representa os rodoviários chegou a afirmar que só faria um ato pedindo mais segurança para os trabalhadores em transportes na cidade, apenas no local do enterro de Lilian, no Cemitério do Jardim Santa Lídia, também em Mauá.
Ao Blog Ponto de Ônibus e a outros órgãos de imprensa, um dos representantes do Sindicato, Edilson Leite de Brito, o Ceará, chegou a garantir que não haveria interdição novamente no Terminal de Mauá.
Para isso, ele contaria com a colaboração das empresas que operam no município, Viação Cidade de Mauá, e Grupo Leblon Transporte de Passageiros Ltda, que cederam cerca de 10 veículos cada uma para levarem familiares, amigos e colegas de Lilian ao enterro e ao ato no Cemitério.
Mas o Terminal acabou sendo fechado.
Os motoristas e cobradores da cidade pararam os serviços em uma hora aproximadamente, a partir das 4 da tarde, hora do enterro da jovem cobradora.
Para evitar um tumulto maior do que ocorreu na noite anterior, até mesmo pela quantidade mais elevada de passageiro, Viação Cidade de Mauá, Grupo Leblon, Polícia Militar e Guarda Civil de Mauá agiram juntas e somaram esforços.
O Terminal foi fechado para entrada de mais passageiros, quando os ônibus já começaram a ser recolhidos.
O objetivo foi não permitir que as pessoas ficassem confinadas no terminal e não tivessem de pagar passagem sem poderem contar com os serviços, uma das causas do tumulto de terça-feira.
Depois, as pessoas que ficaram no Terminal foram atendidas por alguns ônibus que ainda estavam em serviço. Com isso, o local foi esvaziado.
Quando a cerimônia de sepultamento de Lilian estava no final e os primeiros ônibus, na ordem, Leblon e Cidade de Mauá, começaram a entrar, o acesso das pessoas que estavam esperando do lado de fora foi liberado.
Isso possibilitou que o passageiro já entrasse no terminal podendo contar com o ônibus.
A situação foi se normalizando aos poucos, com os ônibus sendo liberados de garagens e do cemitério.
Houve alguns atrasos por conta de ajustes nos horários por conta da paralisação, mas não houve grandes tumultos.
Passageiros obviamente estavam descontes com os atrasos, mas alguns compreenderam a situação. Outros estavam mais exaltados.
Fica o exemplo de que, mesmo com interesses e organizações não tendo o mesmo direcionamento, ações conjuntas podem ser realizadas para o bem coletivo. E ônibus é acima de tudo um serviço coletivo.
Adamo Bazani, jornalista, especializado em transportes.

2 comentários em É POSSÍVEL TER AÇÕES JUNTAS E BEM COORDENADAS NOS TRANSPORTES, MESMO COM GRUPOS OPOSTOS

  1. unidas as empresas somam mais. vc não vê em SP, o PAESE e o aumento das tarifas, são proporcionados, pelos empresários. mas todos nos sabemos, que Cidade de Mauá Deveriam criar uma espécie de conselho onde dividiram problemas e soluções, já que não existe uma MauáTrans, isso seria bom para todos!

  2. Creio que estas ações coordenadas, possam ser o inicio de algo bom que se estenderá pela frente. Creio que estas empresas darão a mão outras vezes, e não só esta.

    parabéns por mais este furo de reportagem.

    Abraços.

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