Ônibus da Novo Horizonte. Validador foi arrancado, mesmo o veículo não estando em manutenção e ainda sem ter sido descredenciado. Donos teriam sido expulsos por represálias depois de Ação Civil Pública.
Novo Horizonte retira 10 ônibus da população e veículos não foram repostos
Entre os ônibus estão os especiais para atendimento a deficientes físicos. Donos dos veículos alegam que veículos foram retirados por represália a Ação Civil Pública
ADAMO BAZANI – CBN
Os passageiros que dependem de algumas linhas da Novo Horizonte, que fazem parte do Consórcio Leste 4, que agora é alvo de uma Ação Civil Pública, fruto de mais de dois anos de inquérito sob responsabilidade do promotor Saad Mazloum, por irregularidades e má prestação de serviços, têm sofrido com a falta de pelo menos 10 ônibus em algumas linhas, desde terça-feira, dia 15 de março, segundo denunciam donos de veículos que foram desligados da empresa, que opera em moldes de cooperativa na zona Leste de São Paulo.
De acordo com eles, os veículos foram retirados das linhas e não foram repostos, prejudicando a população, aumentando o intervalo entre os ônibus, em linhas já problemáticas, e a lotação nos ônibus.
Os ônibus são pertencentes a três pessoas, que faziam parte da Novo Horizonte, que foram expulsas, durante Assembléia realizada na última segunda-feira, dia 14 de março de 2011.
Ainda na versão destes donos de ônibus, eles teriam sido retirados da Companhia por causa da Ação Civil Pública, movida pelo Promotor Saad Mazloum, na sexta-feira dia 11 de março de 2011 e das denúncias divulgadas pela reportagem de Adamo Bazani, sobre irregularidades na prestação de serviços aos passageiros e confusão patrimonial, com repasses de recursos dos caixas da Novo Horizonte para a Happy Play, empresa que forma o Consórcio mas não opera nenhum ônibus, e para a Cooperativa Nova Aliança, que deu origem a Empresa Novo Horizonte e é composta pela mesma diretora responsável pela Novo Horizonte.
O Blog Ponto de Ônibus preserva suas fontes, mas pode garantir que entre elas não estão apenas pessoas que atuam no Consórcio Leste 4, mesmo porque, para comprovar a veracidade das informações, foi necessário consultar fontes oficiais e pessoas que não têm nenhum vínculo com Consórcio ou empresa, para levar ao leitor uma informação isente e o Blog não ser usado em uma eventual disputa interna.
Em entrevista ao Blog Ponto de Ônibus, por telefone, o promotor Saad Mazloum, afirmou que sua Ação Civil Pública também é baseada em várias informações e fruto de um trabalho de investigação há mais de dois anos, com diligências, trabalho de inteligência e participação popular.
“O que foi divulgado por sua reportagem é importante. Mas não para o juiz. Têm uma importância jornalística, de noticiar e só isso não pode fazer parte de uma ação, que é um trabalho elaborado” – enfatizou Saad.
FUNCIONÁRIOS DA SPTRANS SABIAM DA RETIRADA DOS ÔNIBUS:
Os dez ônibus dos donos que foram punidos, além de fazerem falta à população, porque até agora não teriam sido repostos, tiveram os validadores arrancados de maneira não regular.
Os validadores, de acordo com técnicos da SPTrans, só podem ser retirados dos ônibus em caso de manutenção ou descredenciamento do sistema.
Não foi o caso de manutenção e não houve tempo de os veículos serem descredenciados.
Sendo assim, os validadores não poderiam ser retirados, mas foram, e com o conhecimento de funcionários da SPTrans, que estavam dentro da garagem, segundo imagens que revelam a presença deles, dentro destes veículos inclusive.
Não bastasse a população ter de encontrar linhas com dez ônibus a menos, esperar mais nos pontos por causa disse e enfrentar veículos mais lotados para darem conta da mesma demanda com menos carros, três destes veículos eram de atendimento para passageiros portadores de necessidades especiais e funcionavam com horários marcados.
A SPTrans não soube informar se houve reposição total dos ônibus, quando haverá e se no lugar nos ônibus para deficientes, chamados tecnicamente de PPD, serão colocados veículos na mesma configuração.
Os donos de ônibus também reclamam do fato de não poderem entrar na garagem e não poderem retirar os ônibus que são deles.
Estes proprietários temem o “canibalismo”, que nos jargões das garagens, significa retiram peças de um ônibus bom para reparar outras danificadas em outros veículos da frota.
CONFIRA A RELAÇÃO DOS ÔNIBUS RETIRRADOS DAS LINHAS E DO TIPO DE SERVIÇO
ÔNIBUS
4 4030 – Comum – Linha 3129 (Manoel Nóbrega / Parque Dom Pedro)
4 4060 – Comum – Linha 3405 (Jardim Soares / Parque Dom Pedro)
4 4089 – PPD (Para Deficientes) – Linha 312 N (Cidade Tiradentes / São Miguel Paulista)
4 4090 – Comum – Linha 312N (Cidade Tiradentes / São Miguel Paulista)
4 4267 – Comum – Linha 3407 (Inácio Monteiro / Parque Dom Pedro)
4 4314 – Comum – Linha 3407 (Inácio Monteiro / Parque Dom Pedro)
4 4374 – Comum – Linha 312 N (Cidade Tiradentes / São Miguel Paulista)
4 4403 – Comum – 309 N – Jardim IV Centenário / Parque Dom Pedro)
4 4416 – Comum – 342 A (José Bonifácio / Penha)
4 4485 – PPD (para Deficientes) – 309 T Cidade Tiradentes / Praça Princesa Isabel
Pessoas ligadas ao Consórcio garantiram que como a Himalaia, apesar de ser uma empresa, funciona nos moldes da cooperativa, cada dono de ônibus tem a quantidade certa de veículos para cumprir suas linhas. Mesmo que houvesse reposição de carros, nestas linhas, provavelmente sairiam veículos de outras.
“È cobrir um santo e descobrir outro” – disse um dos donos de veículos.
Mais uma vez a reportagem tentou localizar a diretoria da Novo Horizonte, mas não conseguiu.
O Blog Ponto de ônibus continua a disposição.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.