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PADRE MUDA RUA E DEPARTAMENTOS DA PREFEITURA NÃO SE ENTENDEM

Rua Interditada por causa de pedido de padre, segundo moradores. Um dos únicos acessos para ônibus no dia de feira virou mão unica, atrapalhando passageiros, moradores e pacientes de hospital. Gerenciadora de transportes públicos e empresas de ônibus não foram avisadas!

igreja Nossa Senhora do Paraíso. Local não oferece estrutura para estacionamento próprio. Em dias de missas que parecem cultos evangélicos, trânsito complica. Padre quer que rua se transforme em estacionamento 45º. Igreja recebe patrocínio de vendedores de automóveis.

Ônibus na linha B 63. A mais prejudicada aos sábados com a mudança proposta pelo padre. Aos sábados empresa ainda não sabe como vai servir bairros e hospitais


Padre manda mudar via de rua, trânsito obedece e não avisa ônibus
Gerenciadora de transportes da cidade de Santo André foi avisada da mudança pela reportagem, o que mostra falta de unidade na administração andreense

ADAMO BAZANI – CBN

Quando a minoria prevalece sobre o interesse da maioria e quando a coletividade é prejudicada para satisfazer apenas um grupo, uma administração ou uma representação pública deve rever seus conceitos.
Em nome de votos, de grupos políticos e religiosos, que no fundo, representam votos, são comuns obras, ações e mudanças até egoístas que prejudiquem que mais necessita dos serviços essenciais que em tese deveriam ser garantidos pelos empregados públicos, entre eles o prefeito, o gestor de trânsito, transportes, saúde, educação, etc.
Quando uma administração pública não tem unidade e esforços conjuntos entre seus departamentos, a situação piora ainda mais.
E é justamente isso que ocorre na cidade de Santo André, no ABC Paulista, uma das maiores do Estado de São Paulo, uma das mais ricas do País, que têm ações de desenvolvimento, mas que ao mesmo tempo parece aquelas cidadezinhas distantes, mal administradas, cujo padre é quem manda mais que o prefeito.
E foi justamente isso que ocorreu no bairro Paraíso em Santo André, no pujante ABC Paulista.
Segundo moradores do bairro, por ordem do padre Wanderley Ribeiro, da paróquia Nossa Senhora do Paraíso, uma das principais ruas de acesso para o Paraíso, a Rua Macaúba, que era de mão dupla, virou de mão única, impedindo a entrada de carros e ônibus para o local.
A iniciativa seria para acomodar o número de carros estacionados pelos fiéis que freqüentam as missas carismáticas de Wanderley, que se assemelham aos cultos da Igreja Universal do Reino de Deus.
O interessante é que a Rua Macaúba é cortada por pelas Ruas Alenquer, Igarapé e termina na Rua Juazeiro, mas a mão única só foi instalada nesta semana no quarteirão da igreja católica, entre a Rua Ibiapava e a Rua Alenquer, o que indica que a mudança é só para tender aos fiéis.

PREJUÍZO PARA PACIENTES DE HOSPITAL

Aos sábados, as linhas de ônibus da região serão afetadas, assim como os centenas de passageiros que precisam de deslocamento pelo transporte público, principalmente para o Hospital Estadual Mário Covas.
Isso porque, a rua paralela à rua Marcaúba, a Jabaquara, que é o itinerário normal dos ônibus na semana, aos sábados é usada para uma feira livre. Só restaria então paras as linhas B 63 (Jardim Alvorada – Vila Palmares) e T 15 (Estação de Santo André – Hospital Mário Covas – Bairro Paraíso) a Rua Macaúba, para entrarem no bairro Paraíso e irem até o Hospital. As linhas usam o bairro Paraíso para chegarem a outro estabelecimento de saúde, o Hospital Brasil, de rede particular, mas de grande demanda.
Para o T 15, a opção seria descer a Rua Gamboa e parar na parte inferior do Hospital. Ocorre que o bairro Paraíso e o Hospital Estadual Mário Covas fica no alto, uma subida muito grande e difícil de ser percorrida a pé, principalmente para os pacientes do hospital que têm alguma limitação física e de saúde.
Para a linha B 63, a situação é pior ainda. Vinda do Largo Paraíso, ela não pode mais acessar a Rua Gamboa a esquerda, que há muito tempo é contramão. A única entrada disponível no dia da feira seria a Rua Macaúba, que a pedido do padre, o Departamento de Sinalização e Vias proibiu o acesso. Não tem como o B 63 entrar no bairro e acessar o Hospital.
Ele teria de ir direto pela Avenida Pereira Barreto obrigando os passageiros a subir também ruas muito íngremes.

FALTA DE UNIDADE ADMINISTRATIVA:

Se não bastasse o coletivo ter sido prejudicado pelo interesse de um grupo restrito que não é maioria nem no bairro quanto mais nas linhas de ônibus, a falta de unidade na administração pública é outro ponto que chama a atenção.
O padre pediu, o Departamento de Trânsito obedeceu, deixou a rua em mão única e a SATrans – Santo André Transportes, que gerencia as linhas de ônibus não sabia de nada.
A SATrans foi avisada hoje pela manhã pela reportagem quando foi consultada sobre quais seriam as mudanças.
“E não é comum isso. Não é a primeira vez que o ‘trânsito’ muda a rua a pedido de poucos e não avisa a SATrans. Muitas vezes somos pegos de surpresa e é difícil trabalhar assim” – disse um funcionário da SAtrans que para ser preservado, não vamos revelar a identidade.
A Viação Vaz, responsável pela linha B 63, foi procurada pela reportagem.
Nem um dos proprietários da empresa e nem os responsáveis pelo tráfego foram avisados das mudanças, sabendo também pela reportagem.
Na Viação Guaianazes, responsável pela linha T 15, ninguém foi encontrado para comentar.
Uma das alternativas então seria transferir a feira para o quarteirão da igreja. Assim, não prejudicaria os transportes, os pacientes dos hospitais e os moradores do bairro que usam carro.
Ou então, em suas orações, o padre curar todos os pacientes do Hospital.
Adamo Bazani, jornalista em transportes e que precisa de muita oração.

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