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COOPERATIVAS NÃO DEVEM GANHAR REAJUSTE A MAIS DA SPTRANS

SPTrans não dará aumento além dos 4,38% às cooperativas
Categoria suspendeu a greve prevista para hoje sob a alegação de que o poder público iria renegociar o valor do reajuste
ADAMO BAZANI – CBN

Cooperativas não devem conseguir da Prefeitura reajuste que reivindicam. Veículos continuam com cartazes de Estado de Greve

A São Paulo Transportes e a Secretaria Municipal dos Transportes negaram que vão negociar outro valor de reajuste ao repasse feito sobre cada passageiro transportado pelas cooperativas de São Paulo.
Em nota à imprensa, a Secretaria afirmou que o reajuste de 4,38% é anual, sempre feito a cada mês de março, e é um índice estabelecido no contrato entre a Prefeitura e as cooperativas na licitação de 2003, na época da gestão de Marta Suplicy ainda.
Os representantes sindicais dos donos de micro-ônibus e ônibus que prestam serviços em 490 linhas e derivações, atendendo a 3,8 milhões de passageiros com cerca de 6 mil veículos, justificaram o recuo da greve, marcada para esta terça-feira pelo fato de terem recebido da Prefeitura a garantia de negociação do índice reivindicado pela categoria.
Os transportadores pedem um reajuste de 12%, alegando perdas nos anos de 2007, 2009, quando alegam que não receberam nenhum aumento sobre os repasses, e incluíam neste valor também o índice correspondente a este ano.
Mas a Secretaria reiterou nesta terça-feira que o repasse pelos passageiros transportados não será acima dos 4,38% já anunciados.
Na noite de ontem, o Sindlotação, o Sindicato que representa os donos de ônibus e micro-ônibus das cooperativas, já tinha dada a greve como certa.
Mas também à noite, a Prefeitura conseguiu uma liminar, decisão provisória, da Justiça que determinava multa de R$ 100 mil por funcionário – veículo que não operasse nesta terça-feira.
Apesar de a categoria ter suspendido a greve por 72 horas, não há nenhuma decisão sobre paralisação, nem depois deste prazo, mesmo a Prefeitura não paresentando nenhuma outra proposta.
Hoje, segundo Senival Pereira de Moura, presidente do Sindlotação, a remuneração média por passageiro transportado por cooperativa é de R$ 1,28. Esse valor Vaira de acordo com a área operada. Senival diz que os custos aumentaram, tanto os básicos como combustíveis e pneus, como os decorrentes do uso de uma frota mais moderna em comparação a 2003, quando foi feita a licitação dos transportes que incluiu as cooperativas no subsistema local. Exemplos são motorização eletrônica, letreiros digitais e dispositivos de segurança, como o anjo da guarda, que impede de o ônibus partir com as portas abertas.
O valor recebido pelas cooperativas é inferior ao recebido pelas empresas de ônibus, de acordo com o representante sindical. Além disso, ele alega que de 2007 para cá, enquanto a população teve de arcar com mais de 30% de aumento nas tarifas, os operadores de cooperativas sofrem defasagens.
Em nota, a Secretaria de Transportes afirmou que o cálculo dos repasses não tem relação obrigatória com o valor das tarifas e que os serviços de empresas e cooperativas são diferentes, daí a remuneração diferente também.
Diz a nota:
“A Secretaria Municipal de Transportes informa ainda que a remuneração aos permissionários não tem relação com a tarifa do sistema de transporte. Os serviços prestados pelos operadores são pagos segundo um modelo específico de remuneração, que considera um valor fixo por passageiro registrado, multiplicado pela quantidade de passageiros transportados pelo operador”
Alguns micro-ônibus continuam circulando com o cartaz escrito Estado de Greve.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

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