Ônibus de Cooperativa em São Paulo. Entidade diz que transportadores precisam de 12% de reposição. Poder públiuco diz não ser possível o valor. Mais de 3,8 milhões de passageiros devem ser prejudicados. Foto: Adamo Bazani
Cooperativas confirmam greve para esta terça-feira
Em entrevista à reportagem, presidente do Sindlotação, Senival Pereira de Moura, diz que orientação é de movimento pacífico e que respeite o PAESE
ADAMO BAZANI – CBN
O presidente do Sindlotação, Sindicato dos Profissionais e Motoristas Autônomos que Trabalham no Transporte Coletivo de Passageiros do Município de São Paulo, Senival Pereira de Moura, confirmou há pouco para a reportagem que os cerca de 6 mil veículos que prestam serviços nas cooperativas de São Paulo devem parar a partir da zero hora desta terça-feira.
O movimento deve atingir pelo menos 3,8 milhões de pessoas que dependem dos serviços das cooperativas na cidade.
Senival disse que os repasses para os trabalhadores que possuem os ônibus, feitos pelo poder público pela SPTrans – São Paulo Transportes – está defasado, o que tem prejudicado a capacidade de investimento em melhorias no sistema, que reúne 490 linhas.
“Hoje a remuneração média para os donos de micro-ônibus, nos serviços de cooperativas é de R$ 1,28. É necessário um reajuste de 12% para equilibrarmos as finanças e recuperarmos a defasagem. Isso daria uma remuneração média de R$ 1,44 por passageiro” – disse Senival Pereira de Moura.
Ele explicou que as remunerações variam por região, enquanto área com maior repasse recebe R$ 1,58, há outras cujo dono do ônibus recebe entre R$ 1,15 e R$ 1,20 por passageiro transportado.
“Os 12% que reivindicamos têm toda uma lógica. Veja só. Em 2007, não recebemos correção. Em 2008, ela foi de 4,67%. No ano de 2009 também não houve nada. Em 2010, o reajuste da remuneração foi de 5%. Nossa data-base é sempre em março. Esses 12% representam as perdas que tivemos de 2007, 2009 e já o índice que temos direito deste ano, 2011. Enquanto isso, o passageiro pagou bem mais e teve de arcar com reajustes da tarifa. De 2007 para cá foi assim: R$ 2,30 para R$ 2,70, aumento de 17,4%. Depois, agora o último aumento, de R$ 2,70 para R$ 3,00, aumento de 11,11%. Isso dá um reajuste qye o passageiro pagou de 30,43%” – explicou Senival.
Ele também fala que a média de idade dos veículos de Cooperativa está mais baixa. “Entre 5 e 6 anos”
Os veículos mais modernos têm novos equipamentos, como itinerário eletrônico, dispositivos de segurança, motores eletrônicos, cuja manutenção e peças de substituição também são mais caras.
“UM micro ônibus hoje, dependendo da linha e do repasse, não se paga. De combustível são uns R$ 4500 por mês, de manutenção geral, uns R$ 3 mil e de salários de funcionários mais uns R$ 18 mil. Tem carro que não arrecada isso” – declarou.
AÇÃO CIVIL PÚBLICA:
O Estado de Greve dos donos de ônibus de Cooperativas, que agora deve resultar em greve de fato, foi anunciado praticamente no mesmo instante que o Ministério Público de São Paulo entrou com Ação Civil Pública contra o Consórcio Leste 4 por má prestação de serviços, suspeitas de irregularidades, confusão de patrimônios entre a Novo Horizonte, constituída como empresa e a Nova Aliança, uma cooperativa, cujos diretores são pessoas em comum.
Senival, no entanto, diz que a paralisação dos micro-ônibus de cooperativas não tem nenhuma relação com a Ação Civil Pública e não é nenhuma forma de represália a ação do Ministério Público.
“Não há nenhuma ligação, mesmo porque o a Ação do Promotor Saad contra o Consórcio Leste 4 envolve empresas, que não têm ligação com nosso sistema de cooperativa, nossa causa é estritamente em relação a remuneração” – Justificou Senival.
PAESE:
Sevinal disse que antes dos protestos e das manifestações nas garagens, serão feitas reuniões entre as lideranças para que se houver o PAESE – Plano de Apoio Entre Empresas em Situação de Emergência – os cooperados de braços cruzados não façam qualquer tipo de ação violenta contra os ônibus que operarão o Plano.
“Não deve haver represálias e nem tumulto, os movimentos devem ser pacíficos só para representarem a causa da categoria” – completou Senival.
O passageiro que depende dos ônibus de cooperativas, de micro-ônibus, dos sistemas locais, devem se prevenir para esta terça-feira.
Ocorre que alguns bairros só são servidos por elas e para o passageiro chegar até um ônibus comum, que deve estar mais lotado que normalmente, deve caminhas muito.
Adamo Bazani, jornalista, especializado em transportes.