Caio Vitória da GATUSA já no sistema conhecido como “Saia e Blusa”. Gatusa vivenciou várias etapas da história dos transportes. Waldemar de Freitas Jr. Matéria: Adamo Bazani
Monobloco Mercedes Benz da Gatusa antes da padronização de pinturas da reorganização dos transportes em 1978. Empresa auxiliou no crescimento da zona Sul de São Paulo. Acervo: William de Queiroz – Matéria: Adamo Bazani
A explosão populacional de um bairro co números de cidade
E uma das empresas de ônibus mais antigas ainda em operação acompanhou e auxiliou neste processo
ADAMO BAZANI – CBN
Pela posição privilegiada entre o Planalto e o Litoral, sendo um dos caminhos rumo ao interior de São Paulo após São Bernardo da Borda do Campo, a região de Santo Amaro demonstraria sua vocação para p desenvolvimento.
Logo nos primeiros anos de colonização, a área já era explorada pelos brancos, alguns que começavam a desfrutar das riquezas e oportunidades naturais oferecidas pelo próprio local e por outros que usavam apenas como passagem, o que não deixava de aumentar as atividades também, principalmente as voltadas para pousadas e atendimentos aos tropeiros.
No passar de cada século, essa área Sul de São Paulo ganhava mais destaque. Santo Amaro se tornava município independente da Capital Paulista entre 1832 e 1935.
A Estrada de Itapecerica que cruzava boa parte da região era margeada por propriedades e núcleos de famílias investidoras no setor imobiliário na época, como Gazzotti e Grasmann. A busca pelos empregos, maiores ganhos e melhores condições de vida que o desenvolvimento econômico, industrial e urbano poderia proporcionar, logo fez da Zona Sul de São Paulo uma das áreas de maior concentração populacional do País.
Santo Amaro, depois Capão Redondo, oficialmente fundado John Like e John Boehm, e a Vila das Belezas, constituída em 1924, não davam conta de tanta gente que procurava morar em São Paulo, mas não tinha dinheiro para os imóveis na região central ou aquelas que, por causa dos custos de moradia do centro, precisavam se deslocar para áreas mais distantes e baratas.
Novos bairros surgiam, entre os quais, Jardim São Luis, Americanópolis, Vila Antonieta, Jardim São João, etc.
A zona Sul de São Paulo já teve uma linha de trem para atender a demanda de pessoas que precisavam se deslocar até o centro da cidade ou entre os bairros da região de Santo Amaro. Essa linha de trem operou de 1886 a 7 de julho de 1913, data que foi substituída por bondes.
Mas a região crescia tanto que as linhas férreas, trem ou boné, não eram suficientes. Não dava tempo de acompanhar este crescimento. Além disso, os custos de implementação de tais linhas e algumas áreas de difícil acesso tornariam impossíveis os serviços férreos.
As empresas de ônibus foram fundamentais para o atenderem o crescimento da região. Uma delas é a GATUSA – Garagem Americanópolis Transportes Urbanos S.A. E o Jardim São Luis, uma das regiões da zona Sul, que o diga. Em 1950, o bairro, contava com 6.758 habitantes, em 1960, esse número era de 18.555, segundo a Prefeitura de São Paulo. Foi nesta época que surgiu a GATUSA. A Junta Comercial de São Paulo aponta a criação da GATUSA como Sociedade Anônima em 30 de dezembro de 1965. Sua primeira sede era na Avenida Conceição número 17. O Objeto da empresa era garagem, estadia, lavagem. Lubrificação, oficina, mecânica, e transpores coletivos urbanos por ônibus.
Na sua constituição como S.A. nesta data eram sócios da GATUSA: Wallace Alves de Siqueira (diretor presidente), Wilde Alves de Siqueira (diretor superintendente), Paulinho Abreu Ferreira (diretor tesoureiro) e Manoel Alves de Siqueira Filho (diretor técnico).
Wallace e Wilde de Siqueira eram investidores no setor de transportes e começaram a vislumbrar outros negócios diante das ofertas que recebiam para a compra da GATUSA de outras pessoas que enxergavam na companhia a oportunidade de atender uma demanda cada vez maior de pessoas.
As linhas da empresa, inicialmente poucas ligações, aumentavam com o tempo e já mesmo no final dos anos de 1960, ela se tornaria uma das viações de maior destaque da cidade de São Paulo.
Em 1966, logo após a constituição da empresa como Sociedade Anônima, a GATUSA teve como sócio-diretores os Komoto, da mesma família que investia em transportes coletivos no ABC Paulista, mas precisamente nas regiões de Ribeirão Pires e Mauá.
A família fez a empresa crescer. Mas depois de algumas dificuldades da família e do atrativo que a GATUSA despertava em outros investidores, no início dos anos de 1970, a entrada de uma nova diretoria seria inevitável.
Foi o que ocorreu em 04 de dezembro de 1973, quando assumia a família Saad. Nesta data, José Saad tornava-se o presidente e Antônio José Saad diretor-superintendente.
A GATUSA é uma das empresas em operação na cidade de São Paulo mais antigas. Tantas surgiram na época dela, aproveitando o crescimento do município, mas depois de não suportarem pressões econômicas, ou vítimas de negociatas e estratégias empresarias, nem sempre dentro dos padrões mais éticos esperados, acabaram desaparecendo.
A GATUSA foi uma das poucas que sobreviveu, apesar de ter suas denominações alteradas com pequenas variações, mas sempre mantendo o nome principal.
O Jardim São Luiz só crescia. Em 1956, já existia uma Sociedade Amigos de Bairro no Local e atas comprovam as reuniões para a construção da capela, entre 1957 e 1961m, da Capela de São Luiz Gonzaga, padroeiro dos jovens.
Pela sua longevidade, a GATUSA pode contar um pouco das várias fases da história da cidade e dos transportes do município.
Nos anos de 1960, quando São Paulo estava cheio de empresas e linhas sobrepostas, seu lote operacional era o 80, número pelo qual começavam os prefixos de seus carros.
Toda esta desorganização, que resultava em disputas da empresas pro uma mesma linha, e excesso de oferta em trajetos mais lucrativos e fáceis de serem percorridos e falta de ônibus em áreas de menor demanda e menos afastadas, exigiu uma intervenção do poder público.
Elaborada desde 1974, a reorganização foi concluída em 1978, com a racionalização de linhas, a padronização de pinturas de acordo com região, o saia e blusa, no qual a saia, parte inferior da carroceria do ônibus, na altura das rodas correspondia à região, e a formação de consórcios.
A GATUSA, de acordo com a Junta Comercial de São Paulo, formaliza o Consórcio com outra grande empresa de ônibus, a Tânia, formando a pessoa jurídica Consórcio Tânia-Gatusa em 27 de outubro de 1977.
Apesar das ações em consórcio e até compartilhamento de serviços, cada empresa era administrada de forma independente. A GATUSA em 16 de fevereiro de 1982 passaria de Sociedade Anônima para Ltda.
Quando Luiíza Erundina foi prefeita em São Paulo pelo PT, entre 1989 e 1992 ela instituiu o sistema “municipalizado”, pelo qual as empresas eram remuneradas pelos serviços prestados e o poder público municipal controlava as tarifas e contratava as empresas. A oferta de veículos aumentou, mas de maneira desequilibrada, o que desonerou os cofres públicos. Seria um dos golpes finais na CMTC, privatizada em 1993 por Paulo Maluf. Na época de Erundina, o lote 32 era operado pela GATUSA.
Só que mais uma vez eram necessárias reorganizações nos transportes. Além disso, os contratos das empresas estavam completando os 10 anos após a assinatura em 1992. Então, entre 2002 e 2003, Marta Suplicy faz uma nova licitação. Consórcios são feitos e varas empresas tradicionais desaparecerem. A GATUSA continua, desta vez integrando o Consórcio 7, no lote 6.
Além de Nádia Dalal Racy Saad, a Livonpride S.A,, empresa uruguaia, com sede em Montevideo, aprece como uma das donas da GATUSA.
A ligação de empresas uruguaias e off shores do país, considerado paraíso fiscal, com grandes empresários, como José Ruas Vaz, causou polêmicas na cidade e foi alvo de investigações.
Quanto a frota, a GATUSA sempre foi considerada até acima da média. Ela testava algumas inovações, como o veículo Híbrido em São Paulo.
Adamo Bazani, jornalista pesquisador da história dos transportes.
FOTO: 1: Monobloco Mercedes Benz da Gatusa antes da padronização de pinturas da reorganização dos transportes em 1978. Empresa auxiliou no crescimento da zona Sul de São Paulo. Acervo: William de Queiroz – Matéria: Adamo Bazani
FOTO 2: Caio Vitória da GATUSA já no sistema conhecido como “Saia e Blusa”. Gatusa vivenciou várias etapas da história dos transportes. Waldemar de Freitas Jr. Matéria: Adamo Bazani