VÍDEO COM GRAVES DENÚNCIAS SOBRE CONSÓRCIO 4 LESTE

Motorista que atrasa, dirige mal e até desrespeita passageiro não pode ser mandado embora de empresa do Consórcio 4 Leste
Além disso, clima de ameaças e de medo ronda garagem da Viação Novo Horizonte
ADAMO BAZANI – CBN

A maior parte dos motoristas que atrasar viagem, cortar itinerário, desrespeitar passageiro ou mesmo praticar direção perigosa não pode ser mandada embora da Viação Novo Horizonte, que presta serviços no Consórcio 4 Leste, considerado um dos piores da Capital Paulista e que é alvo de auditorias da SPTrans e até investigações do Ministério Público Estadual, como os trabalhos do promotor Saad Mazloum.
Isso porque uma norma interna da Viação Novo Horizonte, a maior operadora do Consórcio, impede que os donos dos ônibus que estejam com débitos por conta das operações, demitam os funcionários.
A Novo Horizonte é uma empresa de ônibus que surgiu da Cooperativa de Transportes Nova Aliança, mas que, apesar da designação de empresa, ainda atua como cooperativa.
Cada dono de um ou mais ônibus é responsável pelos seus veículos e empregados, embora estes estejam registrados em nome da pessoa jurídica da Novo Horizonte, daí o fato de ela ter mais de 2 mil funcionários no Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho.
Os débitos, segundo parte dos donos dos ônibus se dá pela diferença de remuneração paga pela SPTrans e o que chega realmente nas mãos deles.
Segundo a denúncia, a São Paulo Transportes paga por passageiro transportado cerca de R$ 2,05, dinheiro que vai para a diretoria da Novo Horizonte. Mas para os donos do ônibus. O que chega por passageiro é R$ 1,58.
“Essa diferença tem prejudicado nossos ganhos, a sustentabilidade dos negócios e a qualidade dos serviços prestados aos passageiros. Isso nos deixa com débitos. Por esta norma interna, não podemos demitir os motoristas que não cumprem horários, que faltam no serviço, deixando ônibus a menos nas linhas, são mal educados com os passageiros, dirigem perigosamente. O motorista pode fazer o que quiser que não é punido e isso é gravíssimo” – disse um dos donos de veículos ouvidos pela reportagem.
A situação é tão crítica que os ônibus com débitos também estão sendo proibidos de abastecerem dentro da garagem e estão colocando diesel nas bombas dos postos de combustíveis convencionais nas ruas.
Pelo menos os veículos de prefixos 44 107, 44 160 e 44 261 foram vistos nesta situação.
“Mesmo assim, não podendo abastecer, pagamos uma taxa de R$ 2.100 para manter a garagem, inclusive a compra de diesel” – afirmou outro denunciante.
AMEAÇAS E ASSEMBLÉIAS CONTURBADAS:
Definitivamente, apesar de ser considerada pela SPTrans uma empresa do sistema regular, a Viação Novo Horizonte não pode ser vista como uma viação comum.
Além de cada motorista e cobrador serem donos de um ou mais ônibus e responderem pelos veículos e funcionários, a administração ainda é de cooperativa.
Documentos de depósitos de encargos operacionais, débitos e balancetes, já exibidos por nossa reportagem, demonstram depósitos que deveriam ser feitos em nome da Viação Novo Horizonte, pois se tratavam de serviços da Viação, diretamente na conta da Cooperativa Nova Aliança.
Além disso, a Happy Play, outra empresa que integra no Consórcio 4 Leste e recebe 357 mil reais de dinheiro público, das catracas, via Viação Novo Horizonte, não possui sequer um ônibus e não presta serviços.
Os donos da Happy Play, diretores da Cooperativa Nova Aliança e da Viação Novo Horizonte são os mesmos.
Nesta quinta-feira, 3 de março, mais uma vez a reportagem tentou novo contato com eles e não conseguiu retorno.
A exemplo de cooperativas são realizadas assembléias com pessoas favoráveis e outras que discordam da diretoria.
Boa parte das assembléias é marcada por discursos inflamados e houve até ameaças e agressões físicas. Os ânimos são bem exaltados nos encontros dentro da Novo Horizonte.
Acompanhe o vídeo-reportagem feito com EXCLUSIVIDADE. A identidade dos denunciantes foi preservada justamente pelo medo em relação a estas ameaças e atos violentos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.