Linhas noturnas de ônibus de Santo André têm bom serviços, mas passageiros precisam de mais ônibus e de informações
Linhas Noturnas de Santo André têm bom serviço, mas pouca divulgação
Motoristas são bem preparados, itinerários são bem elaborados e horários condizentes com os dos trens que chegam de São Paulo. Muitos moradores da cidade não saem à noite ou são obrigados a usar carro ou táxi por desconhecerem os serviços
ADAMO BAZANI – CBN
A vida noturna em São Paulo, Região Metropolitana e em demais grandes cidades brasileiras tem sido cada vez mais agitada.
Com o passar do tempo, a população aumentou, novas atividades surgiram, outras se intensificaram, e também as manifestações culturais, relacionamentos, hábitos e costumes também se transformaram.
Profissões estritamente da noite, serviços de assistência 24 horas e uma vida cultural.
Além disso, há os deslocamentos de emergência em relação a trabalho e saúde.
Toda essa movimentação noturna necessita de um serviço de transportes adequados.
E esse é um dos grandes problemas enfrentados pelas cidades que precisam conciliar esta vida na noite com os altos índices de criminalidade.
Neste aspecto, não basta apenas uma série de viaturas nas ruas.
Afinal, não é possível colocar viaturas e policiais em todas as vias servidas pelos ônibus, em especial as da periferia.
Além de haver a presença de policiais nas ruas, estações e terminais, o próprio serviço de transporte deve passar a sensação de segurança para o cidadão.
Isso ocorre com freqüência, assiduidade, área de abrangência maior atendida, cumprimento correto dos horários e maior oferta de veículos.
Todos estes fatores dão confiabilidade ao cidadão que não possuiu meio de condução própria ou que pode deixar o carro em casa, principalmente se for a uma festa, onde normalmente há uso de álcool. E como sempre é bom lembrar: bebida e direção não combinam.
A reportagem precisou se deslocar de São Paulo a Santo André na madrugada por transporte público.
A sensação foi de segurança. Apesar do horário avançado. O trem era o da última partida da Luz para Rio Grande da Serra, à 1h da madrugada.
A estação, em São Paulo, não estava tão lotada como no horário comercial. Mas estava bem iluminada e com seguranças.
Nessas horas foi possível perceber mais um pouco de São Paulo. Além da bela arquitetura da estação, a diversidade da população. Seja em relação a diversidade religiosa, étnica, culturas, de opções sexuais entre outras. De um lado, um casal de dois rapazes esperava a composição de mãos dadas. Na mesma plataforma. Um garoto e uma garota se beijavam. Mais a frente, um homem, aparentando uns 50 anos, com feição cansada, voltando do trabalho estava bem perto de aproximadamente uns 10 religiosos vestidos a caráter de cultos afros.
Ao chegar em Santo André, estávamos prontos para procurar um táxi quando, saindo da estação, porque na cidade não há integracão nem física e nem tarifária entre os modais, um micro-ônibus da linha T 15, Bairro – Paraíso, Hospital Mário Covas – Terminal Santo André Oeste, aguardava a demanda do trem. O veículo lotou rapidamente e saiu num trajeto maior que o da linha, que já é extenso. Mas não foi apenas passageiros que desceram do trem que usaram o ônibus. Por onde ele passava, em ruas centrais e de bairro, sempre havia alguém para tomá-lo. Demanda fixa, na maior parte das vezes.
O motorista Fernando Nogueira falou da importância do serviço, de como é trabalhar em linhas noturnas e do tipo de passageiros que usa o ônibus neste horário que a maioria das pessoas dorme.
CONFIRA NO VÍDEO
Há outras linhas noturnas em Santo André, como I 02 (Cidade São Jorge – Jardim Ana Maria), I 04 (Jardim Las Vegas – Parque Capuava), T 29 (Vila Suíça – Terminal Oeste), além da própria T 15..
O serviço é considerado bom pelos passageiros, que pedem mais ônibus, mas muitos cidadãos não sabem dessas linhas.
A divulgação é pouca e o site da SATrans não deixa claro quais as linhas noturnas.
Adamo Bazani