MARCOPOLO DÁ EXEMPLO DE DRIBLAR A CRISE E GANHA QUASE R$ 3 BI

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Marcopolo Viaggio 1050. Ônibus da Geração 7 foram um dos motivos para os bons números da Marcopolo, admite a própria empresa. Qualidade e design do modelo aliados aà crise na Busscar, principal concorrente no segmento, são alguns dos motivos para os G7 serem cada vez mais vistos nas ruas e avenidas em todo o País. Foto: Adamo Bazani.

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Marcopolo Torino. Modelo urbano da empresa cresce na participação no mercado de urbanos. Foto: Adamo Bazani

Marcopolo produz mais de 27 mil ônibus e fatura quase R$ 3 bi
O crescimento é de 42,3% nas operações globais da encarroçadora que investe para manter bom ritmo de produção. Sucesso da Geração 7 de ônibus rodoviários, Copa do Mundo e rápida resposta à crise econômica são algumas das explicações dadas pela empresa

ADAMO BAZANI – CBN

Depois dos sustos que o mundo passou ela crise econômica iniciada em 2008, que teve seu epicentro e seu maior emblema na quebra do banco Lehman Brothers, o quarto maior dos Estados Unidos, anunciada na manhã de 15 de setembro daquele ano, todos os planos de investimentos sofreram uma parada cardíaca.
Alguns conseguiram ser reanimados, outros tiveram falência de seus múltiplos órgãos de vez. Muitos pensam de maneira errônea que a quebra do banco norte-americano, de 158 anos de atuação, foi a causa crise que gerou recessão mundial, afinal, teve seu epicentro na maior economia global. Mas a quebra do Lehman Brothes foi apenas um dos sinais aparentes da doença. Tudo na verdade começou antes de 2006. Após as políticas de redução de juros do Fed (Fedeeral Reserve), que é o Banco Central dos Estados Unidos, o setor imobiliário aproveitou-se do aumento da procura por imóveis, principalmente pela população de baixa renda. Esta demanda gerou títulos baratos, facilmente negociáveis, mas com alto risco de inadimplência, denominados de subprimes.
Toda essa procura pelos títulos fez com que eles perdessem valor e os juros começassem a subir, causando prejuízos aos bancos que investiram nos subprimes.
Com juros altos, os tomadores de crédito, a população de baixa renda que financiou os imóveis não conseguia mais pagar as parcelas e a inadimplência se alastrou rapidamente. Foi o que fez o Lheman e outras instituições não suportarem.
Como em cascata, instituições pequenas e grandes começaram a assumir seus problemas. Um dos maiores volumes de negociação de Wall Street, a Bolsa de Valores Norte Americana, Merrill Lynch, foi comprado pelo Bank of América, mas o pior estava por vir. A segurdora AIG, de porte mundial, teve de ser assumida pelo governo norte-americano. Outras gigantes também sofreram. As referências mundiais do setor financeiro Goldman Sachs de Morgan Stanley se tornaram em holdings bancárias para conseguirem financiamentos públicos.
Mas o que isso tem a ver com o mundo dos transportes?
Tudo!
Já passou o tempo que o empresário ou construtor de ônibus guardava o dinheiro no cofre no fundo da garagem, embora que alguns donos de empresa sem crédito bancário ainda precisam fazer isso, mas são exceções.
Todo o setor de transportes é atrelado ao setor financeiro. Os ônibus são financiados, os veículos são de alto valor agregado e as fabricantes lidam com empresas de portes imensos, como siderúrgicas, indústrias plásticas, de borrachas e metalúrgicas.
Tudo é permeado pelo sistema financeiro.
Dizer que o setor de transportes não sentiu os efeitos da crise seria hipocrisia.
Mas algumas empresas souberam se planejar e tiveram ações melhores para enfrentar os momentos de turbulências.
Um dos exemplos foi a Marcopolo.
Nesta quita-feira, dia 24 de fevereiro, a Marcopolo divulgou à imprensa seus resultados globais e locais de 2010.
Os números realmente são impressionantes.
Em 2010, em todas as unidades da encarroçadora no mundo, a Marcopolo produziu 27.580 ônibus. A Receita líquida foi de R$ 2,964 bilhões. Receita Líquida é a Receita Bruta da empresa, o total obtido por ela, menos os custos e as deduções, o que é diferente do lucro líquido.
Esses números revelam um crescimento interessante de 42,9% de produção ante as 19.284 unidades de 2009.
Em nota divulgada à imprensa, a Marcopolo traz declarações atribuídas à José Rubens de La Rosa, diretor geral da encarroçadora, que afirma que esse excelente desempenho de 2010 é fruto de investimentos de R$ 330 milhões iniciados em 2008 e não interrompidos mesmo com a crise econômica mundial que “explodiu” neste mesmo ano.
Diz a nota:
“O bom desempenho de 2010 é fruto de decisões estratégicas, tomadas há algum tempo e que se mostraram assertivas, que incluem o contínuo investimento em modernização e aumento de capacidade e de produtividade e a sua não interrupção durante a crise de 2008 e 2009. Quando a demanda retomou, principalmente no mercado brasileiro, estávamos prontos, com capacidade, mão de obra especializada e treinada e elevado nível de produtividade”, explica o executivo.
A estratégia, segundo a Marcopolo, não foi cortar empregos. Foi readequar a mão de obra de acordo com a demanda pelos ônibus. Assim, houve banco de horas, redução das jornadas de trabalho.
O que foi considerado loucura por muitas empresas que demitiram foi a solução para a Marcopolo.
Especialmente no Brasil, a retomada da demanda pelos ônibus se deu de maneira muito rápida, com licitações, projetos de modernização de transportes e pela necessidade anual de troca de frota.
Com a mão de obra experiente e já formada a Marcopolo pode dar uma resposta eficiente e no tempo certo a esta retomada de crescimento.
. “A crise ajudou a nos tornarmos mais competitivos e eficientes. Reduzimos o desperdício em cada uma de nossas operações, elevamos a produtividade e a velocidade de ‘fazer ônibus’, e, com isso, melhoramos nossa margem bruta (lucro operacional) em 2,3%”.
Outros fatores também auxiliaram muito a Marcopolo dentro deste contexto de retomada de crescimento.
A Copa do Mundo foi um deles. Na África do Sul, a Espanha pode ter conquistado no Futebol e a Colômbia ter brilhado na música pela cantora Shakira, mas os ônibus brasileiros de destacaram. A Marcopolo exportou cerca de 800 unidades para o País.
O sucesso da Geração Sete de ônibus Rodoviários também explica, em parte os bons números da Marcopolo.
Os modelos Viaggio 900 e 1050 e Paradiso 1050 e 1200 são cada vez mais vistos. Além de terem design e conceitos inovadores, a crise da Busscar, principal concorrente da Marcopolo no mercado de fretamento e rodoviários, abriram um mercado importante, que tenta ser explorado pela Comil, que tenta aumentar sua participação também.

BRASIL CARRO CHEFE:

O Brasil continua sendo o maior mercado para a Marcopolo, mas a participação da empresa em outros países tem apresentado aumentos significativo.
Dos 27.580 ônibus produzidos em 2010, 18.900, o que corresponde a 68.5% foram feitos no Brasil. No exterior foram fabricados, deste total, 8.680 ônibus, o que equivale a 31,5%
Apesar do número inferior, no mercado externo, o aumento foi maior.
O crescimento no mercado interno foi de 38,2%. 18.900 ônibus em 2010 ante 13.672 em 2009
As fábricas no exterior, fizeram 8.680 ônibus em 2010 ante 5.712 em 2009, crescimento se 52 %
Dos 18.900 ônibus produzidos no Brasil e 2010, a Marcopolo exportou 2.426, o que significa aumento de 10,7% em comparação aos embarques de 2009.
A TataMotors, na índia, onde a Marcopolo possui 49% na sociedade, produziu 5.216 unidades, crescimento de 107,2% ante 2009
Na Argentina, a produção foi de 723 unidade, crescimento de 53,8%.
A Marcopolo na áfrica do Sul produziu em 2010, 416 unidades, crescimento de 35,1%. Lá, a empresa lidera o mercado com 42% de participação.
Na Colômbia, a empresa Superpolo, com participação da Marcopolo, fez 1472 ônibus. Deste total, a metade, 736 unidades foram consolidadas na produção da empresa brasileira. O crescimento foi de 15,4%.
No México, a situação ainda é mais delicada e o país sente a crise econômica global que eclodiu em 2008. A recuperação é mais lenta no país próximo aos EUA e mais relacionado economicamente. A indústria no México é ainda considerada desaquecida. O mercado de ônibus ainda está abaixo do patamar anterior a 2008, segundo a Marcopolo, A Polomex, empresa com a participação da brasileira, produziu em 2010, 1255 ônibus.
Adamo Bazani, jornalista.

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