História

CMTC E GRASSI: UMA ÉPOCA QUE OS TRANSPORTES DAVAM ORGULHO !

ônibus antigo

Ônibus Urbano Grassi da CMTC. A pioneira encarroçadora com a inovadora operadora pública de transportes marcaram a época que o o paulistano chegava a ter orgulho dos serviços de ônibus da cidade.

A pioneira e o ícone caminharam juntas por vários anos
Relação entre a primeira encarroçadora de ônibus do País e empresa de ônibus de maior destaque da América Latina foi duradoura e transformou o modo de transportar no Brasil
ADAMO BAZANI – CBN
Existem uniões perfeitas que são impossíveis de contextos, setores e relacionamentos serem pensados sem elas. Quase se une experiência e pioneirismo com inovação e visão vanguardista, a união revela equilíbrio e todos os elementos necessários para que ela seja bem sucedida.
E foi assim entre a Grassi, a pioneira, a primeira encarroçadora de ônibus profissional do País, e a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos -, empresa pública da Capital Paulista não só marcada pela sua grandiosidade, mas pelo seu constante papel no desenvolvimento de novos métodos e tecnologias para prestação de serviços de transportes coletivos.
Pode-se pensar: uma era experiente e outra era inovadora. Eram diferentes, portanto. Mas a estabelecida Grassi e a renovadora CMTC tinham vários pontos em comum. Primeiro porque foram criadas para suprirem necessidades de transportes numa realidade urbana, social e econômica que configurava um contexto que os deslocamentos de pessoas se tornariam fundamentais para o desenvolvimento. A Grassi foi fundada em 1904, na Rua Barão de Itapetininga, número 37, no centro de São Paulo, pelos irmãos Luiz e Fortunato Grassi, inicialmente para fazerem carruagens puxadas a cavalo de madeira. Em 1910 fizeram o primeiro ônibus, sobre chassi francês Dion Bouton, para a Hospedaria dos Imigrantes. São Paulo e outras cidades do País cresciam, os trens e os bondes não davam conta do aumento populacional e urbano. Os donos de ônibus, que muitas vezes construíam as carrocerias nos quintais de casa começaram a se tornar empreendedores de transportes. Era o passo para virarem empresários e não tinham mais tempo para serem motorista, mecânicos, cobradores, administradores e construtores. O país pedia ônibus. Foi acompanhando este processo que nos anos de 1920, a Grassi deixava de lado aos poucos as carruagens e se dedicava a construir profissionalmente, e para os padrões da época, carrocerias, em sua maioria sobre chassis de caminhões.
A CMTC, como gestora, a exemplo da Grassi, surge para responder uma necessidade da realidade urbana, política e social voltada para os transportes, mas em época e contexto diferentes. Se a Grassi pegou bem o surgimento dos primeiros empresários, a CMTC veio para organizar o sistema que estava quase fora do controle, numa situação em que prestadores de serviços organizados e competentes dividiam espaço com aventureiros ou pessoas no mínimo pouco qualificadas. E dividiam espaço literalmente, pois a distribuição da oferta dos transportes estava completamente insuficiente para atender a demanda, com linhas se sobrepondo em áreas de maior lucro e de viário melhor para prestação de serviço, enquanto outras regiões da cidade eram preteridas. A CMTC foi constituída em 10 de outubro de 1946, pelo Decreto Municipal 365 do Prefeito Abrahão Ribeiro.
Em 12 de março de 1947 começa a assumir o patrimônio dos bondes e linhas da Light and Poiwer Company Limited. No dia 14 de março de 1947 é constituída a primeira diretoria: Aldo Maria Azevedo (Presidente) Guilherme Winter (vice), Lúcio Miranha (tesoureiro) e Eurico Sodré (secretário). Em 1º de julho de 1947 começa a operar os bondes e os ônibus encampados de empresas particulares. Grassi e CMTC se cruzaram várias vezes na história. A relação mais famosa foi com os trólebus. Os primeiros ônibus elétricos nacionais foram construídos pela Grassi – Villares e operados pela CMTC em 1958. Mas os caminhos destes dois símbolos dos transportes começaram bem antes. Em 1949, quando a CMTC comprou 200 ônibus novinhos, havia vários Grassi, como este da foto, imagem preservada pelo amigo Salomão Golandski. São empresas que dão orgulho!
Adamo Bazani

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Comentários

Comentários

  1. JOÃO LUIS GARCIA disse:

    Caro Adamo,

    Acho que o título da matéria deveria ser diferente, afinal a CMTC dava orgulho a quem ?
    Pois todos nós sabemos que tratava-se de um cabide de empregos, mal administrada como a maioria das empresas estatais, etc

    Abs

    J.Luis

  2. Davidson disse:

    Parabens pela reportagem !!
    Eu achei interessante esta carroceria da Grassi que lembra um pouco os modelos norte-americanos

    1. Os únicos modelos da Grassi que a CMTC tinha (dos que eu me lembre de pequeno), são: o Jardineira (na versão tróleibus), o Argonauta (chassi longo) e o Governador (no chassi Monobloco).

  3. Sergio Leonardo Jorge disse:

    Muito legal. Meu teve uma empresa de ônibus nos anos 50, ele teve vários chassi com a carroceira Grassi.

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