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ENTREVISTA EXCLUSIVA: CONSÓRCIO É INCAPAZ DE PRESTAR SERVIÇOS

Ônibus da Viação Novo Horizonte, na zona Leste da Capital Paulista. Promotor afirma que os transportes na região são incapazes de atender as necessidades da população. Foto: Adamo Bazani

“Consórcio 4 Leste é incapaz de prestar serviços de transportes”
Afirmação é do promotor de Justiça Saad Mazloum, que conversou com nossa reportagem.

ADAMO BAZANI – CBN

Lotação acima do normal, provocando desconforto e risco aos passageiros, atrasos, ônibus com má conservação, muita sujeira e serviços que não passam nenhuma confiança. Além de problemas de organização e pouca clareza na atuação das empresas e nas questões relativas aos controladores das viações e a movimentação de recursos.
Esse foi o cenário encontrado pelo Promotor Saad Mazloum nas operações das linhas que atendem a Zona Leste de São Paulo, pelo Consórcio 4 Leste.
Criador e responsável pelo Blog do Ônibus, um canal direto para a população denunciar má prestação de serviços ou outras irregularidades no sistema de transportes municipais de São Paulo, Mazloum acompanha de perto a realidade dos passageiros da Viação Himalaia e da Viação Novo Horizonte.
O promotor conversou com nossa reportagem e foi categórico:
“O Consórcio 4 Leste é incapaz de prestar um serviço minimamente adequado para a população” – disse Saad Mazloum por telefone.
Em cada visita que ele fez em terminais, linhas e garagens, era uma surpresa diferente. Boa parte, desagradável.
Em alguns veículos foram encontradas barata e muita sujeira antiga, por falta de asseio mesmo. Alguns ônibus tinham até mesmo uma espécie de “limbo” nas janelas, criado por água infiltrada.
“É um ambiente que deixa o passageiro além de numa situação pouco confortável, exposto a riscos inclusive para a saúde” – completou Mazloum.
O promotor disse que possui uma série de informações e dados sobre as operações das empresas do Consórcio que provam que os serviços não cumprem o que é determinado por lei.
“Prestar um serviço de transporte coletivo digno é seguir a lei. Ônibus pontuais, limpos e seguros são o mínimo que a população pode esperar e, em muitos casos, na Zona Leste de São Paulo, nem o mínimo tem sido apresentado” – declarou.
O descontentamento com os serviços da Zona Leste não é apenas da população. Os trabalhadores das empresas declararam viver em constante tensão.
Isso se deve a insegurança gerada pela falta de informações e clareza na definição do caráter das empresas. Na Himalaia, sempre há ameaças de cancelamentos de linhas e transferências de ônibus e serviços para a Novo Horizonte. Apesar de ser constituída como empresa, denúncias mostram que a Viação atua ainda na prática como cooperativa. Os motoristas e cobradores são donos dos ônibus, eles contratam em nome da Novo Horizonte os funcionários, mas pagam do próprio bolso os salários e encargos, a remuneração por passageiro se assemelha a cooperativa e depósitos referentes a manutenção e custeio das operações da Viação Novo Horizonte são feitos na conta da Cooperativa Nova Aliança, como revelou a reportagem com exclusividade, apresentando documentos sobre a prática ( http://diariodotransporte.com.br/2011/02/17/documentos-indicam-irregularidades-nos-transportes-da-zona-leste-de-sao-paulo/ )

DROGAS NOS ÔNIBUS

Além das investigações feitas pelo promotor Saad Mazloum, outras frentes do Ministério Público investigam mais irregularidades e crimes envolvendo os prestadores de serviços do Consórcio 4 Leste.
A reportagem apurou que o GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – investiga o transporte de entorpecentes dentro dos ônibus da aérea 4 Leste, em especial alguns veículos da Viação Novo Horizonte.
O GAECO confirmou a informação mas diz ainda ser prematuro afirmar se os ônibus eram usados pelos traficantes de maneira aleatória ou se os responsáveis pelos veículos têm ligação com o esquema.
“O importante é não generalizar. Não deve-se taxar os donos de ônibus como traficantes” – disse uma das pessoas que participaram das investigações.
Adamo Bazani

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