OS ÍNDIOS GUERREIROS DA ESTRADA: COMANCHE DA EXPRESSO BRASILEIRO E MORUBIXABA DA COMETA

ÔNIBUS ANTIGO
"Comanche" da Expresso Brasileiro, na Rodoviária Júlio Prestes, em São Paulo. Modelo foi uma reação da Expresso, mesmo não sendo da mesma época, ao apelido indígena dado pela Cometa ao seus ônibus GM, os Morubixabas. A disputa era tão grande entre as empresas que até um simples apelido dado aos ônibus, que seria uma estratégia de marketing, era motivo para troca de farpas e provocações. Hoje, as duas empresas não mais se degladiam e não pertencem mais às famílias de seus sócios-fundadores. Acervo: Charles Machado - Texto: Adamo Bazani
Um índio que conta muitas histórias
Apelidando seu ônibus de Comanche, Expresso Brasileiro se destacou com veículo inovador entre Rio de Janeiro e São Paulo

ADAMO BAZANI – CBN

Uma das características comuns entre quase todas as tribos de índios é disseminar conhecimento através do contar histórias. Histórias reais, da formação de determinado povo ou região, ou mesmo lendas, mas todas cheias de lições e significados diferentes.
E esse “Comanche”, da Expresso Brasileiro, foto de acervo de Charles Machado, revela diversos aspectos da história não somente dos transportes, mas do desenvolvimento econômico e social como um todo, ao qual o setor é intimamente ligado.
Havia uma verdadeira Batalha, entre os anos de 1950 e 1980, na Rodovia Presidente Dutra. Era a busca pela liderança e consolidação no trajeto de maior destaque re lucratividade para as empresas de ônibus rodoviários: era a ligação Rio – São Paulo.
E os principais protagonistas eram as empresas Viação Cometa S.A. e Expresso Brasileiro. Não só disputas nas estradas, com horários e uma competição de quem oferecia o melhor veículo para atrair os passageiros, havia também a briga no “tapetão”, envolvendo, dos dois lados, autoridades locais e nacionais aliadas e financiadas pelas empresas, ora barrando as operações viárias, como o que a Cometa sofreu no Litoral Paulista, ou impedindo as importações de veículos de destaque que poderiam ser diferenciais na concorrência, como a Expresso Brasileiro que teve em meados dos anos de 1950, as importações do Twin Flxible barradas por autoridades portuárias. Em todos os casos, sempre havia “a mão” da empresa concorrente.
O Comanche foi um apelido dado pela Expresso Brasileiro a seu ônibus como uma provocação e resposta dada à Viação Cometa, que em época anterior, apelidava seus ônibus de Morubixabas. Os Morubixabas, na verdade os importados dos Estados Unidos GM PD, foram um dos fatores que levaram a Cometa a liderar no trajeto Rio – São Paulo.
A disputa era tão grande que até o simples apelido dado a um modelo de ônibus era motivo para haver farpas e uma querer superar a outra.
Assim, como em um território a ser disputado, Comanches e Morubixabas participaram da concorrência entre as duas empresas para ligar a Capital do Desenvolvimento à cidade Maravilhosa, que até os anos de 1960 era a Capital Federal, mesmo que não exatamente na mesma época.
Morubixaba era a designação usada por índios brasileiros e uma parte dos sul-americanos para aquele que comandava a tribo, o que liderava. E foi bem esse o papel do GM Norte Americano para a Cometa: Liderou a ligação rodoviária que, apesar do crescimento do setor aéreo, ainda é o mais interessante e lucrativo no setor de transportes.
Comanche era o nome dos nativos norte-americanos que ocuparam a região entre o Novo México e o Texas. Os comanches não podem ser considerados uma tribo, pois havia divisões entre eles, que provocavam sangrentas disputas. No ano de 1700, eles se separaram dos índios Shoshones para conquistar mais terras. Estes nativos logo perceberam que dominando e utilizando cavalos, eles teriam mais flexibilidade, maior velocidade e maior abrangência para as conquistas e lutas. O cavalo e os búfalos foram uma das marcas dos comanches. E na Expresso Brasileiro, o seu Comanche teve esta função também. A ajudou a conquistar mais mercado nesta linha concorrida e auxiliou a empresa como um todo, a fortalecendo para outras. Os Comanches da Expresso tinham a potência de muitos cavalos.
Esse nosso contador de histórias aprece na foto na Rodoviária Júlio Prestes, inaugura em 1961, tendo sido construída na época de Ademar de Barros em parceira com os empresários Carlos Caldeira Filho e Octávio Frias de Oliveira.
O modelo Diplomata foi um dos de maiores sucessos da indústria nacional. Ele começou a ser produzido em 1961 pela Nielson e reinou até 1989, com diferentes versões. No ano seguinte, nasceriam os modelos El Buss e Jum Buss e a marca Busscar.
Adamo Bazani