O QUE REALMENTE OCORRE NOS TRANSPORTES DA ZONA LESTE DE SÃO PAULO?

Área 4 de São Paulo precisa sair do atoleiro
Em entrevista exclusiva, presidente do Consórcio 4 Leste, André Lisandri comenta sobre a greve dos funcionários da Himalaia, revela que este ano serão entregues 50 trólebus Caio Novos e desmente informação de que Novo Horizonte é cooperativa disfarçada

ADAMO BAZANI – CBN

trólebus
Trólebus da Viação Himalaia em Manutenção. Zona Leste de São paulo deve receber cerca de 50 veículos elétricos encarroçados pela Caio.

Mais uma vez os problemas dos transportes coletivos municipais na Zona Leste de São Paulo vieram à tona nesta última semana com a paralisação de motoristas e cobradores da Viação Himalaia, que opera na região 37 linhas com 517 veículos.
Segundo a SPTrans, que entrou na Justiça contra a paralisação, mais de 100 mil pessoas foram prejudicadas diretamente pela greve. Ônibus substitutos foram usados para amenizar o problema na ação chamada PAESE – Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência – num total de 152 veículos nas principais linhas da Himalaia.
Mesmo assim, pela quantidade menor de veículos que a normal, os passageiros sentiram os efeitos da greve e a cena foi de lotação em ônibus, pontos e terminais e muita revolta entre os passageiros.
Tudo teria acontecido, segundo o Sindicato que representa os motoristas e cobradores de ônibus, por conta de incertezas após as informações sobre novos estudos de linhas e mudança de endereço de uma garagem de ônibus da empresa.
Os trabalhadores temeram perder empregos com supostas extinções de linhas, com uma possível venda da empresa para outro grupo e transferência para a Viação Novo Horizonte, apontada como uma “cooperativa disfarçada de empresa”.
A greve foi encerrada na quinta-feira mas ainda há muitas dúvidas entre a população e os trabalhadores.
Para esclarecer algumas delas, o presidente do Consórcio 4 Leste, responsável pela área, que congrega as empresas Himalaia e Novo Horizonte falou com exclusividade à reportagem de Adamo Bazani.
Lisandri de início fez questão de desmentir o que considera informações desencontradas.
“Criou-se um pânico. Não sei qual o motivo exato do pânico ser criado. Mas não houve nenhuma razão concreta para a paralisação. O que tem ocorrido, desde o final do ano, foi um replanejamento das linhas. Não haverá transferências impensadas e nema ameaças para os trabalhadores” – esclareceu Lisandri.
Segundo ele, há necessidades de melhorias no sistema de ônibus operado tanto pela Himalaia quanto pela Novo Horizonte.
Então, como as empresas operam num consórcio, elas têm de fazer algumas ações únicas e em parceria. Por um acordo entre todas as partes, explicou Lisandri, a Novo Horizonte ficou responsável por planejar as linhas de veículos diesel, inclusive as da Himalaia, e a Viação Himalaia ficou responsável por replanejar as linhas de trólebus.
Lisandri foi enfático ao dizer é necessária uma operação consorciada, pela qual área 4 da Zona Leste de São Paulo seja vista como um todo.
“A verdade é que tentamos tirar a área 4 de São Paulo do atoleiro. Aqui já operaram várias empresas, umas 5 ou 6 faliram, porque não tinham ações conjuntas, como num consórcio. Elas competiam com elas mesmas, por isso que não aguentavam e a população sempre sofreu.” – relembra.
Ele reconhece que a área não está ainda no ideal, mas diz que a situação tem melhorado aos poucos.
“De acordo com pesquisa da ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos – a satisfação do usuário das linhas contempladas na área 4 Leste subiu de 38% em 2008 para 45% em 2009 e para 56% em 2010. Precisamos ainda fazer muito. Mas do ano passado para cá, já readequamos 65 linhas. A cidade é muito dinâmica, há mudanças de várias ordens, e os transportes devem, acompanhá-las. Só que uma área operacional é igual o corpo humano, deve ser visto como um todo. Se um órgão vai mal, o resto do corpo sente mal estar. Daí a necessidade de integração mais pela ainda entre as empresas Himalaia e Novo Horizonte. “ – disse Lisandri na entrevista exclusiva.
Como exemplo, ele cita o CCO – Centro de Controle Operacional – unificado no Consórcio.
“Temos 4 carros de socorro. Se houver algum problema, eles vão atender a ocorrência, independentemente de ser ônibus da Novo Horizonte ou da Himalaia”
As empresas devem atuar como sócias e agirem juntas, caso contrário, segundo Lisandri, os erros do passado serão repetidos.

VELOCIDADE:

André Lisandri, presidente do Consórcio 4 Leste, disse à reportagem que as mudanças estão sim ocorrendo, mas numa velocidade muito longe da ideal.
Para isso, ele cita limitações de ordem financeira e até de controle.
“Sobre o veículo (os ônibus) ainda temos uma influência. Mas sobre o viário não E isso atraplaha muito. Além de haver problemas em relação a qualidade do viário, nossa área não tem sequer um corredor. A velocidade média comercial do ônibus é muito pequena, inferior a de uma pessoa andando a pé. É um absurdo um deslocamento na cidade registrara até 2 horas e 20 minutos de tempo, como já registrando, e isso sem nenhum grave problema, quando o tempo de deslocamento é ainda maior”
Com o fim da propriedade da Eletropaulo sobre a rede de trólebus, Lisandro se vê otimista em relação a um controle maior e ações mais rápidas para melhorar o sistema de ônibus elétrico.
Lisandri insistiu que para a região o aperfeiçoamento da forma de operação consorciada é importante para haver um equilíbrio entre as duas empresas operadoras.
Equilíbrio financeiro e operacional.
“A Himalaia tem um conjunto de linhas que devem dar uma taxa de retorno interna de 16%. A Novo Horizonte também tem de ter uma taxa de 16% Isso não é o lucro propriamente dito, é o retorno financeiro do serviço para a empresa transformar em lucro, investimento ou usar da melhor maneira que necessitar. Com uma empresa competindo com a outro, os esforços acabam sendo em vão e não há um equilíbrio entre as linhas para se chegar a estas taxas que garante sustentabilidade financeira às viações. Se uma empresa tem uma linha com lucratividade maior, a outra não pode ficar só com linhas ruins, senão, não teria motivo de a empresa operar” – explica Lisandri.

NÃO É COOPERATIVA:

ônibus
Ciferal Citimax, Volkswagen, da Viação Novo Horizonte, Consórcio 4 Leste garante que companhia não é cooperativa disfarçada de empresa.

Sobre a informação de que a Viação Novo Horizonte seria uma cooperativa disfarçada de empresa e que os trabalhadores na empresa não recebem seus direitos como funcionários registrados, Lisandri desmente de maneira categórica.
“A Novo Horizonte é uma empresa registrada e que cumpre as obrigações trabalhistas. Somos até rigorosos em relação a ela sobre este aspecto. Cobramos sempre documentos e atualização de informações. Por exemplo, estou com o Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – que é uma espécie de ‘recibo do Ministério do Trabalho’. É de janeiro de 2011 e foi emitido em 02 de fevereiro de 2011 às 15h25. A empresa te, 2.156 funcionários e 497 carros. É uma média de 5 funcionários por ônibus, que é a média normal do setor”

NOVA GARAGEM:

Lisandri afirmou que a nova garagem para os veículos que operam no consórcio na Jacu Pêssego vai oferecer mais estrutura para motoristas e ônibus. Só o estacionamento tem 70 mil metros quadrados, o que vai facilitar as manobras. Há também máquinas de lavagem e oficinas mais modernas.
A mudança da garagem foi uma das grandes apreensões dos funcionários que tiveram medo de perder o emprego. “Essa garagem não vai substituir, vai é somar” A proximidade, segundo ele, com as linhas, vai reduzir o chamado quilômetro morto, diminuindo os custos.

TROLEBUS NOVOS:

Lisandri confirmou que até o final deste ano serão colocados nas linhas da Himalaia 50 trólebus novos em substituição aos mais antigos. Até março já deve toda a negociação ser concluída. Ele adiantou que os modelos serão Caio Millennium II, motor e tração Weg e chassi Mercedes Benz.
Serão os chamados carros “cabeça de série”, que vão iniciar o conjunto de veículos usados na frota.
“São ônibus elétricos modernos e essas empresas fabricantes têm projetos novos e tradição”
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN e especializado em transportes