Ônibus Intermunicipal da Viação Piracicabana, empresa que não mostrou interesse nas reformulações dos transpores do Litoral Paulista. Veículo convencional usa motor normalmente aplicado em micrões
Reestruturação dos transportes e VLT do Litoral Paulista não interessam a empresários do setor.
Licitação que previa construção de Metrô Leve e reorganização das linhas e renovação da frota na baixada santista também foi esvaziada pelos empresários
ADAMO BAZANI – CBN
Mais uma vez empresários de transportes coletivos se colocaram contra a readequação dos transportes intermunicipais. Desta vez foi no Litoral Paulista.
Depois de a licitação da área 5, que pretende melhorar os transportes no ABC Paulista ter sido boicotada nesta segunda-feira, dia 31 de janeiro, nesta terça-feira, da mesma forma, a licitação do SIM – Sistema Integrado Metropolitano, da Baixada, foi esvaziada pelos empresários locais.
A principal operadora dos transportes no litoral é a Viação Piracicabana, do Grupo Comporte, da família Constantino, um dos maiores empresários do Estado de São Paulo.
Entre os pontos previstos pelo SIM estava a implementação de um VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, que, aproveitando a estrutura da linha férrea já existente, que seria readequada, ligaria em aproximadamente 11 quilômetros, a região do Barreiros, em São Vicente, ao Porto de Santos.
De acordo com a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos -, o Metrô Leve transportaria 45 mil passageiros por dia, com 12 veículos com capacidade para 400 pessoas. Cada VLT terá 44 metros de comprimento.
Esta seria a primeira fase do VLT do Litoral, que, quando completamente concluído, poderá transportar 220 mil pessoas por dia.
O Metrô Leve seria alimentado e integrado fisicamente e na tarifa às linhas de ônibus municipais e intermunicipais.
Mas a licitação do SIM contemplava muito mais que o VLT.
Estudos do Governo do Estado de São Paulo comprovaram o aumento populacional e alterações do perfil turístico do Litoral Paulista. Além disso, têm sido realizados novos investimentos não somente no setor turístico, mas de comércio, industrial e petrolífero.
Os estudos comprovaram que muitas linhas de ônibus estavam defasadas e que haveria a necessidade da criação de novas ligações.
A EMTU também objetiva renovar a frota, com veículos mais confortáveis e potentes. Há ônibus convencionais operando com motores que são normalmente usados em micrões em outras regiões do Estado.
Além disso, a gerenciadora exigiria uma frota maior de veículos acessíveis.
Os passageiros reclamam da falta de organização em linhas, algumas se sobrepõe as municipais e outras, com as mudanças que ocorreram nos últimos anos na Baixada Santista não têm mais a mesma serventia enquanto há outras áreas que precisam de maior oferta de ônibus.
Nenhum representante dos empresários da região quis se manifestar.
Em menos de 24 horas, duas licitações com o objetivo de melhorar a situação dos transportes metropolitanos, uma no ABC Paulista e outra na Baixada Santista, foram frustradas.
Os atrasos, as demoras, os ônibus inadequados e as linhas defasadas ainda serão realidade na vida de muitos usuários, que cobram atitudes mais firmes das autoridades que cuidam dos transportes metropolitanos.
A pergunta é: por que esses empresários continuam fazendo o que querem e onde querem?
Adamo Bazani, jornalista – CBN
FOTO: Ônibus da Viação Piracicabana, empresa que opera os serviços no Litoral Paulista e que não se interessou pela reestruturação dos transportes na região. Foto: Fabrico Nascimento Zulato – Matéria: Adamo Bazani