DIADEMA QUE VALE OURO

ônibus antigos

Caio Bela Vista e Nicola Série Ouro na Avenida Piraporinha nos anos de 1970. O bairro de Piraporinha foi um dos primeiros povoados da região Correspondente a Diadema e concentou boa parte do desenvolvimento econômico do local, com oferta de transportes. Acervo: Mário Brian – Texto: Adamo Bazani

Trólebus, eletric bus

Um moderno sistema de ônibus e trólebus serve hoje a região de Piraporinha, que também conta com linhas municipais. O bairro continua sendo um dos principais da Grane São Paulo. Foto: Adamo Bazani – Texto: Adamo Bazani.

Piraporinha: Na busca do Ouro quem brilhou mesmo foi Diadema
Um dos bairros mais importantes da Grande São Paulo sempre foi rota da procura pelo desenvolvimento e riqueza e uma empresa de ônibus ajudou neste processo

ADAMO BAZANI – CBN

A região ocupada atualmente pela cidade de Diadema, na Grande São Paulo sempre foi ligada aos transportes e considerada uma das mais importantes do Estado. Isso graças a sua posição geográfica privilegiada, que permite acesso entre o planalto, que incluiu a Capital, e o Litoral Paulista. Assim, área de Diadema sempre foi passagem para o progresso e desenvolvimento econômico já que permitia a integração entre a pioneira Vila de São Vicente e a São Paulo de Piratininga.
Antes mesmo de Diadema existir como município autônomo, cuja emancipação foi aprovada em plebiscito em 24 de dezembro de 1958, quatro povoados basicamente formavam a região: Eldorado, Taboão, Vila Conceição e Piraporinha. Todos tiveram sua importância histórica, mas Piraporinha estava passos a frente quando o assunto era desenvolvimento econômico.
O local não servia apenas de ligação para a região da Capital Paulista, mas para outras áreas. O final do século XVIII era marcado pela corrida pelo ouro. Os bandeirantes criaram uma rota para a região hoje correspondente ao município de Embu, rica da pedra preciosa.
Esta rota contemplava Diadema e a área de Piraporinha foi escolhida como ponto de parada e descanso.
Hoje é possível até estranhar. Para ir da Capital a Embu era preciso descansar? Atualmente não, por conta da malha rodoviária e da oferta de transportes rápidos. Mas naquela época, o trajeto era feito a pé e em animais. Para levar maior quantidade de mercadoria, os bandeirantes colocavam o máximo possível de produtos dos animais e seguiam longas caminhadas mesmo.
Com a escolha da área correspondente a Piraporinha como ponto de parada, pelo local ser de clima ameno e agradável, logo começou haver desenvolvimento e população nos arredores.
Desde 1769, a família Pedroso de Oliveira era dona das terras. Com o aumento populacional e de estrutura feita pelos próprios novos habitantes, os Pedroso de Oliveira seguiram uma velha tradição: ergueram uma capela para Bom Jesus da Pedra Fria.
As oportunidades de emprego, mesmo em lavouras e sítios e para atender às necessidades dos bandeiras só cresciam, o que refletia no aumento da população. Reflexo disso foi que a velha capela erguida não dava conta do número de religiosos. Assim, José Pedroso de Oliveira ergueu uma capela maior, em homenagem a Bom Jesus de Piraporinha, como passou a ser conhecido o local.
Em 1881, José doou as terras ao redor da Capela para a Cúria Metropolitana. Em 1902, o bairro, ainda povoado na verdade, começou a reunir as maiores festas religiosas da região que ainda nem imaginava em se tornar o ABC Paulista.
Onde há população, há vocação para os transportes e onde há transportes, há a condução para o progresso.
Nesta época, a maior parte das casas sítios e fazendas se localizava ao largo das capelas.
Talvez o intuito de José Pedroso de Oliveira tivesse sido apenas o religioso. Mas ao construir a capela concentrou um número de moradores e serviços na região, processo iniciado pela rota dos bandeirantes em busca do ouro. A área próxima da capela contava com o entrocamento de 5 estradas, que ligavam sítios, fazendas e a área hoje do Piraporinha a outros municípios. Em Diadema, foi muito importante para o desenvolvimento local, uma estrada que ia da região até Santo Amaro, hoje bairro da zona Sul de São Paulo que já foi município independente.
Ao avento da ferrovia na Grande São Paulo, desde a São Paulo Railway em 1867, e a cultura de novas atividades econômicas e industrialização vinda da Europa, transformavam a Grande São Paulo. As regiões próximas a linha de trem, como as áreas dos atuais municípios de Santo André e São Caetano do Sul e a Capital Paulista já registravam um alto índice de urbanização para os padrões da época. Mas a população se alastrava para além dos limites das linhas férreas.
Outras áreas eram urbanizadas e a necessidade de transportes para ligarem estas áreas e ligá-las à ferrovia era essencial.
Nos anos de 1940, o núcleo de Piraporinha era um dos mais desenvolvidos do que seria a futura Diadema. São destas épocas, os registros dos primeiros transportes por jardineiras.
Piraporinha não parava de crescer. Além de ser o núcleo comercial mais importante de Diadema, se tornaria o primeiro núcleo industrial da cidade.
Pequenas manufaturas já estavam instaladas no local, mas a primeira indústria de porte maior de Piraporinha e da futura cidade foi a IMBRA Indústria Química S.A. A empresa estava instalada desde 1939 na cidade de São Paulo e fazia sabão para a indústria têxtil. Aproveitando a oferta de transportes e os preços mais baixos dos terrenos, transsferiu-se em 1952 para Piraporinha. Foi lá em 1957 que começava a operar em mais um ramo, que seria predominante na indústria IMBRA: fazia matéria prima para a indústria de plástico, sendo uma das pioneiras do setor e revelando que as atividades industriais mudavam, cresciam e faziam produtos mais aprimorados em maior demanda. O local escolhido pela IMBRA foi a Avenida Fagundes de Oliveira, mas a via era chamada pela população de Avenida Excelsior porque no local ficava a antena da Rádio Nacional.
A proximidade com a Rodovia Anchieta também fazia de Diadema uma cidade de destaque econômico. A população era formada pro pessoas que iam até a cidade em busca das oportunidades de trabalho nela oferecidas ou que já tinham ocupação em outras regiões, mas que pelo preço dos terrenos em áreas mais urbanizadas, iam para Diadema. Daí, a existência de vários bairros humildes na região.
Uma das principais vias do bairro é a Avenida Piraporinha. Ela inicia no bairro Canhema, antigo sítio Icanhema, que fazia parte de terras chamadas de Curral Pequeno, e termina em São Bernardo do Campo. A avenida sempre foi uma das rotas principais dos transportes públicos da região, tanto é que é servida hoje pelo Corredor Metropolitano do ABD, um dos mais modernos sistemas de corredores de ônibus segregados do Estado de São Paulo.
A foto inicial da matéria, pertencente ao acervo do pesquisador Mário Brian e mostra como a Avenida Piraporinha ganhava destaque nos transportes, nos anos de 1970, quando foi feito retrato. Mário Brian destaca que na imagem, aparecem duas preciosidades da Viação Diadema.
Brian faz um relato dos veículos:
“O carro de número 34 mostra a traseira – rara de ser ver em sua originalidade – , do modelo CAIO Bela Vista Máscara Negra e o modelo é do ano de 1974 devido ao espelho retrovisor dianteiro e a moldura destinada a placa entre as lanternas traseira.

Já o carro de número 86 mostra a traseira original da geração do modelo Nicola Série Ouro que mais me chama a atenção e que admiro.
Este padrão de pintura destinava-se a linhas intermunicipais mas não me lembro exatamente todas as cores mas tinha a cor verde claro e a cor laranja e a cor cina ou prata, já para as linhas municipais, as cores eram o verde claro com a cor cinza ou prata, atré que, em ambas as linhas, a combinação das cores era até que bonitas”.
Aproveitando o crescimento e a necessidade de transportes a Viação Diadema foi fundada em 14/01/1960 por Mário Guy Branco Cristiansen e Hamilton de Moraes. Logo depois parassou paar José Romano e José Romano Filho, pela família Fogli, Setti Braga Joaquim dos Santos Amaral, Manuel Maria Afonso, Antônio Simões, Maria Ressureição, Joaquim Gomes. Em 1985 fez parte do Grupo dos mineiros e no final dos anos de 1980 foi substituída pelos serviços do Corredor Metropolitano ABD.
Adamo Bazani, jornalista e busólogo.

2 comentários em DIADEMA QUE VALE OURO

  1. Moaccir / Mauá SP // 30 de janeiro de 2011 às 23:01 // Responder

    Parabéns pela Matéria!! É muito legal saber da historia da nossa região e as suas materias nos ajuda bastante. Abraço.

  2. Ótima reportagem, me fez voltar no tempo em que estes ônibus circulavam por aqui .Ainda me lembro dos Caio Bela Vista dos Monoblocos,e dos Nicola vermelho e amarelo da Viação Diadema que passavam pela Av Eng Armando de Arruda Pereira

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