Retrospectiva 3: Motivos para comemorar

 

(continuação do post anterior) Ônibus com eletrecididade e biodiesel Cada montadora e encarrroçadora não quer ficar para trás. Esta série de lançamentos, que e compreende desde ônibus de pequeno porte, como o “micrão de fretamento” Solar da Caio até os mais modernos articulados, biarticulados e ônibus de 4 eixos para 2 andares, são a investida doas fabricantes não só para aproveitarem os eventos esportivos, mas seus legados. E olha que a África do Sul teve um evento mundial, o Brasil terá dois, um muito próximo do outro. E os lançamentos pretendem atender todas as futuras demandas: deslocamentos urbanos simples, em corredores Bus Rapid Transit, de fretamento, turismo de luxo e rodoviário convencional. Já existem e devem aparecer mais modelos para todas estas necessidades. Os transportes em locais que vão atrair pessoas do mundo todo precisam ser modernos, o que inclui preocupação ambiental. Uma queixa da atual sociedade, mais consciente e que sente casa vez mais fortes os efeitos da poluição, veículos de transportes coletivos com operação limpa são necessidades exigências. Neste aspecto, o Brasil em 2010 tem o que comemorar e o que reclamar. Comemorar porque mais uma vez, a industria, os engenheiros e operários mostraram originalidade e competência. Porém, o engajamento das autoridades governamentais parece ainda ser pífio, já que as soluções são pouco aplicadas, perdendo competitividade em escala, isso sem contar com exemplos de produtos que o Brasil é um dos pioneiros, acaba não estimulando os desenvolvimentos nacionais e vê outros países o superarem e exportarem para o Brasil soluções brasileiras, como é o caso dos ônibus híbridos. Aliás, os híbridos foram destaque em 2010. Na feira internacional de Hanover, na Alemanha, os veículos movidos com duas fontes de energia, sendo em quase todos, a eletricidade uma delas, predominaram. Empresas reconhecidas mundialmente como Mercedes Benz, MAN, Iveco, Volvo, Scania e a chinesa Youtong mostraram soluções em ônibus híbridos mais baratas e eficientes, além de terem um design mais atraente. Países em desenvolvimento e as potências adotaram na prática o conceito de ônibus com tecnologia limpa, fazendo com que haja mercado para estes veículos, produção em escala, preços mais sugestivos e mais mercado ainda. Isso explica a presença em destaque dos ônibus híbridos na maior feira de veículos comerciais do mundo. O ano de 2010, no setor de transportes, foi marcado, na cidade de Nova Iorque pelo aumento para 1.679 unidades de ônibus híbridos. Desde 1998, a utilização de ônibus híbridos na cidade de Nova Iorque proporcionou, segundo a operadora New York City Transit – NYCT – a economia de 20 milhões de litros de óleo diesel combustível. Será que esta não poder ser uma das explicações de os já comprovadamente eficiente híbridos não irem para frente em algumas nações cujos governos são os maiores vendedores de combustível ?

Em compensação, as nações que investiram nestes ônibus de tecnologia limpa economizaram bastante em custos com saúde. Só no caso de Nova Iorque deixaram, desde 1998, de ser lançadas na atmosfera com a utilização dos ônibus híbridos, 50 mil toneladas de gás carbônico, ainda segundo a NYCT.

Quando o ônibus híbrido mescla energia elétrica com outro combustível que não seja o diesel, aí os ganhos ambientais e econômicos são maiores ainda,.

É o caso da solução híbrida energia elétrica e gás natural.

Solução esta que o Brasil têm condições técnicas para produzir, mas por falta de incentivos e pelas constantes oscilações do preço do gás natural, não obteve o mercado que merecia.

Em 2010, ganhou destaque o híbrido elétrico-gás da Índia.

Neste ano foi lançado o Starbus para DTC – Delhi Transport Coroporation, maior empresa de ônibus da capital indiana, Nova Delhi.

A produção de veículos de tecnologia limpa no País ganhou força também por conta de um evento esportivo de destaque. O Comonwealth Games 2010. Além dos híbridos, a DTC adquiriu mil ônibus totalmente a gás natural.

Uma quantidade hoje jamais pensada no Brasil. O mais irônico é que tanto os híbridos com os totalmente movidos a gás natural foram fabricados por uma joint venture com a participação de uma empresa brasileira, a Tata Marcopolo.

Mas esta retrospectiva não é do Brasil?

Realmente, mas alguns fatos não podem passar em branco, como as contradições de um país ter tecnologia limpa, exportá-la ou inspirar outras nações, ser pioneiro, mas avançar pouco quando o assunto é usar essa tecnologia em prol dos brasileiros.

Dizer que 2010 não representou avanços na área de tecnologia limpa é uma heresia.

Os profissionais e a indústrias apresentaram suas inovações, mas o mercado é muito restrito.
Ônibus híbrido que é comum nos outros países, aqui é apresentado com oba oba, mesmo o Brasil sendo um dos pioneiros nesta tecnologia.

Em 2010, se destacaram em tecnologia híbrida a Agrale, com uma solução “mais nacional” e a Volvo, trazendo de sua matriz na Suécia, um exemplar com estas características de tração ambientalmente mais corretas.
O veículo da Agrale, apresentado em junho, foi desenvolvido em parceria com a multinacional Siemens, e funciona com energia elétrica e diesel. O Agrale Hybridus é feito sobre chassi MT 15.0 e, segundo a empresa, já poderá ser comercializado em 2011. A Agrale diz que sua planta em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul já tem condições de fazer o ônibus.

Da Suécia, o Volvo 7700 Hybrid começou a ser avaliado nos transportes regulares de Curitiba, São Paulo e depois Rio de Janeiro.

O modelo já é produzido em série na Europa e, apesar de ser bem novo, já teve 150 unidades fabricadas.

De característica monobloco, tanto o chassi como a carroceria são feitos pela Volvo da Suécia, mas se, for aceito nas operações nacionais, poderá ser em 2012 fabricado na planta de Curitiba.
Tem 13,2 metros de comprimento, pesa 19 toneladas vazio e pode transportar 100 passageiros, com um aproveitamento de espaço interno eficiente.

A transmissão automática possui 12 marchas e o motor diesel gera 210 cavalos e o elétrico, força equivalente a 160 cavalos.

Apesar de ser um meio de transporte eficiente, barato, totalmente limpo, o trólebus praticamente foi abandonado no Brasil. O país que já foi o 22º em ônibus elétricos no mundo, hoje possui apenas 3 sistemas: o da Capital, reduzido em mais de 50%, o de Santos, quase inexistente e o do ABC Paulista, considerado o mais moderno e que realmente recebe investimentos, apesar de poder ter mais atenção.

Mesmo assim, a indústria não desiste e mostra suas inovações, muitas vezes mais valorizadas por outros países.

E neste ano de 2010, foi concluído em março e entrou em operação em junho, o genuinamente nacional trólebus da Ibrava/Tuttotrasporti e Iluminatti.

O veículo é inovador: possui sistema Multiplex, de controle de funções e operação da carroceria, IHM – Interrface Homem Máquina, que é um computador capaz de informar em tempo real eventuais problemas no veículo e no sistema, além de orientar a dirigibilidade.

As lâmpadas são de LED, há monitores de TV para os passageiros e câmeras de operação e segurança.
As novidades no entanto, ficam por conta do uso de corrente alternada mais eficiente e pela refrigeração a água, o que deixa o trólebus 400 quilos mais leve, refletindo em maior desempenho do motor, custos diminuídos e menor força empregada.

Mesmo com todas estas inovações, o mercado restrito ainda não deu valor a esta solução 100 % nacional e apenas uma unidade opera em todo o Brasil, na cidade de São Paulo, pela única prestadora de serviços de trólebus na Capital, a Himalaia, que opera na zona Leste de São Paulo.
Veículos a Biodiesel, como Scania K 270 U que rodam na Capital Paulista, estudos de novos combustíveis, a exemplo do Biocombustível de cana de açúcar, desenvolvido pela Amyris do Brasil e Mercedes Benz, também marcaram o noticiário de transportes em 2010.

Em 2010, a indústria de ônibus no Brasil começou a levar mais seriamente o Euro V, ou Proconve P 7, que são padrões de motores e sistemas de tração obrigatoriamente que respeitam o meio ambiente, a ser adotados a partir de 2012, ano em que todos os ônibus e caminhões deverão respeitar exigências mais severas de controle de emissões de poluentes; Além disso, estes veículos deverão utilizar o diesel S 10, com teor de enxofre de 10 partículas por milhão.

Este tipo de diesel é menos poluente, e por consenquência, menos agressivo à saúde. Para se ter uma idéia, os veículos abastecidos com S-10 podem reduzir em 20% a emissão de óxido de nitrogênio em comparação ao atual diesel S – 50.

Os custos para desenvolvimento dos ônibus e caminhões que respeitam as normas Euro V são altos, reclamam as mesmas montadoras que há anos já fazem este tipo de veículos em seus países de origem.

Elas prometem repassar os custos de desenvolvimento para os produtos brasileiros, apesar de boa parte dos estudos já terem sido feitos e bancados na Europa, cabendo adaptar o projeto já desenvolvido à realidade brasileira.
Por causa desta especulação de mercado, a eficácia do Euro V nos primeiros anos no Brasil será comprometida, pois, para se livrarem dos preços mais altos, muitos frotistas declararam que devem antecipar as compras previstas para 2012.

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