EMPRESA AUTO ÔNIBUS CIRCULAR HUMAITÁ: Uma gigante na história

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Caio Gabriela da Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá: companhia de ônibus ajudou Santo André a crescer

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Busscar Mercedes Benz da época da "municipalização" dos transportes em Santo André: Humaitá tinha uma das melhores frotas

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Ciferal da Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá em janeiro de 2011. Empresa que já foi uma das maiores de Santo André já não era mais prioridade do antigo grupo controlador.

Humaitá: uma gigante que se tornou minúscula que agora volta para um grupo gigante
Empresa de ônibus foi gloriosa no ABC Paulista, sendo uma das maiores de Santo André. Enfrentou o desenvolvimento da cidade, mas sua marca se apagou em estratégias comerciais. Agora volta a ser de um grupo tradicional

ADAMO BAZANI – CBN

Nos anos de 1950, a região do ABC Paulista viveu uma das fases mais marcantes de sua história. Na política, as principais cidades da região tinham acabado de se emancipar. Na economia, a região passava pelo momento que mudaria os rumos não só do ABC, mas de toda a história do País economicamente: o fortalecimento e a implantação em massa da indústria automotiva e de sua cadeia produtiva. O Brasil Bossa Nova entrava na nova era industrial do presidente Bossa Nova Juscelino Kubitscheck.
Com a expansão da indústria na região, cresciam as oportunidades de geração de emprego e renda e, conseqüentemente, a população que vinha para o ABC e Capital Paulista.
A nova fase industrial não só mudou a economia, mas o hábito, o comportamento das pessoas.
O tempo que passava lentamente, passo a passo, agora não podia mais caminhar. Tinha de girar na velocidade das máquinas
Não havia mais esse tempo para os longos deslocamentos a pé.
O aumento populacional significava também o aumento da área urbanizada. Afinal, o número de pessoas era maior. Os habitantes não cabiam mais nas mesmas áreas de antigamente. Uma lei da física até. E outra lei da economia: a da especulação pela oferta e procura. As áreas próximas a linha férrea e aos locais onde estavam instaladas as fábricas e as casas comerciais ficavam muito caras. O jeito era ir para loteamentos mais distantes do centro.
O ABC Paulista, apesar de se tornar um importante centro industrial, também absorvia mão de obra não qualificada para a realidade econômica da época. Esta mão de obra normalmente era aproveitada na construção civil e na área de serviços e ganhava menos, também indo procurar loteamentos mais baratos, distantes e nem sempre regulares.
Mas para a mão de obra mais qualificada ou para com a menor qualificação uma coisa era certa: era mais que necessário conduzir estes trabalhadores até seus locais de ocupação.
Os transportes intermunicipais já tinham destaque, com o trem, que começou a funcionar com a São Paulo Railway, em 1867, na linha Santos – Jundiaí, servindo a região do ABC Paulista e da Capital. A São Paulo Railway foi construída pelos ingleses e idealizada por Irineu Evangelista, o Barão de Mauá. A originalidade brasileira e a experiência inglesa não só criaram um moderno sistema ferroviário para a época, como também verdadeiras obras de arte que foram as estações da linha.
Ainda em relação aos transportes intermunicipais, as linhas de ônibus que uniam as cidades do ABC à Capital aumentavam e mostravam-se não só uma opção ao trem, mas às vezes como únicas alternativas quando serviam os locais que não eram atingidos pelos trilhos.
Porém com o crescimento populacional e urbano de cada cidade da região do ABC Paulista, ganhavam importância nos anos de 1950 as linhas municipais.
As áreas ocupadas iam para uma região cada vez mais distante do centro.
Eram bairros aumentando de extensão, um lote se unindo ao outro, emendando-se mesmo, e os loteamentos clandestinos, ocupações irregulares promovidas por aproveitadores da massa mais humilde, especuladores imobiliários e até políticos, que em troca de apoio, davam até os materiais para as famílias ocuparem áreas não permitidas. Algumas destas áreas com o tempo tornaram-se bairros, outras continuaram favelas. Mas independentemente da classe, lá estavam os ônibus para servi-las.
Um exemplo categórico desta realidade histórica é a Vila Humaitá, em Santo André.
Com a junção de fonemas e adaptações de denominações indígenas, Humaitá pode ser traduzida como “O que fala Muito”.
E a Vila Humaitá tem muito a falar para a gente em sua história.
A Vila é um exemplo vivo de como a cidade começou a crescer a partir dos anos de 1950. Suas ruas, muitas delas bem estreitas, nesta época, precisavam de um serviço de transporte mais eficaz que ligasse a região até o centro. Registrava-se apenas a atuação de uma simples jardineira e de carros de praça.
Mas como a população aumentava e a demanda também, era necessário que operadores mais profissionalizados atuassem nos transportes.
De acordo com a Junta Comercial de São Paulo, surgia em 11 de outubro de 1956 a Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá, por investidores da própria região.
A Humaitá veio na hora certa. Inicialmente, o ônibus ia até o “Segundo Balão”, hoje Praça Queirós, da atual Avenida Queirós Filho. De lá não dava mais para seguir em frente e o ônibus retornava para a região central de Santo André.
Mas isso por um tempo apenas. O progresso empurrava o ônibus, a população e a ocupação urbana bairros a dentro. Assim, naquela região iam surgindo mais habitações, como Guaraciaba, Condomínio Maracanã e Vila Suíça.
Nos anos de 1960, a região continua o crescimento, num ritmo mais forte ainda. E a Empresa Auto ônibus Circular Humaitá acompanhava esse processo.
No início desta década, ela foi adquirida pelo empresário Sebastião Passarelli, que com seus 30 anos, veio da região de São José do Rio Preto disposto a investir nos transportes da região e se tornar um dos empreendedores mais tradicionais do setor. Sua família já atuava nos transportes desde 1938. Seu avô, Andrea Passarelli, e seu pai, Antônio Passarelli, operaram nos transportes de cargas e depois de pessoas com uma velha jardineira.
Passarelli tinha uma visão empreendedora e ajudou a tornar a Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá uma grande empresa. E conseguiu. A companhia também assumia linhas intermunicipais importantes que ligavam Santo André a Capital Paulista.
A Humaitá começou a servir também a região próxima ao bairro Campestre, bairro Jardim e bairro Santa Maria. Tanto é que uma pequena e tradicional empresa da região, a Viação Campestre, foi definitivamente incorporada a Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá em 13 de novembro de 1980, segundo os arquivos da Junta Comercial de São Paulo.
Mas nos anos de 1980, a inflação corroia os ganhos dos trabalhadores, os principais usuários das empresas de ônibus, e das viações por conseqüência. Muita gente preferia ir a pé ou de bicicleta para o trabalho, quando não perdia o emprego. Era menos receita para os ônibus, isso sem contar que as tarifas aumentavam, mas por questões políticas e para não sacrificar ainda mais a população, elas não poderiam ser reajustadas no mesmo nível de custos como manutenção, diesel e pneus.
Sebastião Passarelli, em entrevista em 2008 a este repórter afirmou que era mais lucrativo comprar e vender empresas de ônibus que propriamente operá-las. Os valores de imóveis e veículos usados aumentavam. E estes eram os maiores patrimônios físicos de uma empresa de ônibus: as garagens (imóveis) e os ônibus (veículos).
Um grupo de empresários de Minas Gerais aproveitou bem este momento. Liderado por Constantino de Oliveira, Baltazar José de Sousa e Ronan Maria Pinto, este grupo de empresários começou a comprar empresas em situação financeira precária.
Exatamente no dia 06 de julho de 1984, Sebastião Passarelli e a família vendem a empresa para os mineiros.
A partir desta data, faziam parte da sociedade da empresa a Viação São Luiz Ltda (empresa também adquirida pelos mineiros meses antes), Ronan Maria Pinto, José Ricardo Caixeta, que representavam a São Luiz, e Constantino de Oliveira, o Nenê Constantino, além de Baltazar José de Sousa.
O padrão visual e de frota da Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá mudava. As linhas e a forma de administração também com a entrada dos mineiros.
No final dos anos de 1980 e início dos anos de 1990, um fenômeno tomava conta das administrações municipais comandadas pelo PT – Partido dos Trabalhadores. Era a chamada “municipalização dos transportes”, que na maior parte dos casos, não se tratava de municipalização, mas sim de fortalecimento do gerenciamento do poder público sobre o setor de mobilidade.
Em 18 de julho de 1989, o então prefeito Celso Daniel cria a EPT – Empresa Pública de Transportes, inicialmente para apenas gerir o sistema.
Entre 1989 e 1990, a EPT abriu licitação para contratar empresas por lotes de operação. Mas todas boicotaram dadas as exigências dos termos de contratação.
A insatisfação foi tão grande que a Auto Viação Alpina, de João Setti Braga, foi a que mais se levantou contra o novo sistema.
A Prefeitura por sua vez não deixou por menos e em 1990 interveio na empresa, logo em seguida, apropriando para o poder público ônibus e garagens. Neste ano tinha sido criada a EPT não apenas como gerenciadora, mas como operadora também. Inicialmente ela prestaria serviços em linhas inéditas ligando o primeiro e o segundo subdistritos. Mas acabou assumindo as linhas da Alpina.
As empresas depois aceitaram os termos do contrato de operação. Houve reestruturação das linhas e nova padronização das pinturas. Uma faixa com as letras ST tinha cor diferente para cada empresa. A Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá recebeu a cor verde.
Em relação a frota e serviços, muitos moradores mais antigos do ABC Paulista relatam que esta foi uma das melhores épocas da Humaitá. Para diferenciar da Curuçá, do mesmo Grupo, que era verde claro, a Humaitá, além de ostentar a faixa ST verde escura tinha a saia, parte abaixo do friso na altura das rodas, ao longo da lataria, também pintada de verde. Modelos como Caio Vitória, Thamco Águia e o moderníssimo Monobloco O 371 faziam parte de uma frota nova e limpa. Era inesquecível a cena das calotas cor de alumínio polido da Bepo, um capricho a mais da empresa.
Em meados dos anos de 1990, os empresários do ABC Paulista começaram a se reorganizar novamente. Todos eram donos de quase todas as empresas praticamente. Era hora de cada um assumir uma cidade e um lote da região.
Assim, Baltazar José de Sousa se fortalece em Mauá e em Ribeirão Pires, sem deixar Santo André. Ronan Maria Pinto tornaria Santo André sua base principal. Os Constantino investiam em outras regiões para se tornarem nacionalmente mais fortes.
Em 12 de maio de 1994, saem Constantino de Oliveira e Baltazar José de Sousa da Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá.
A exemplo de outras empresas do mesmo grupo, a Humaitá começava a acumular dívidas trabalhistas e fiscais. Direitos e impostos não pagos.
O contrato assinado em 1989 com as empresas de transporte já tinha completado 10 anos.
Nesta época, a EPT – Empresa Pública de Transportes não mais existia como operadora em Santo André. Os vícios do poder público, como cabides de emprego, gastos maiores que as receitas, e um planejamento que remunerava as empresas particulares por serviços prestados, mesmo em linhas deficitárias, provocaram uma grande crise financeira na Empresa Pública de Transportes.
A EPT foi privatizada e em 3 de julho de 1997, ganham os empresários da região a concessão das linhas da empresa pública, formando a Expresso Nova Santo André.
Com dívidas e outros problemas, a Humaitá e Ronan não podiam renovar o contrato que já completava 10 anos. Em 15.06.1999, Ronan se retirou da Humaitá, por estratégia, pois continuou a mulher Terezinha Soares Pinto, a Viação Curuçá, de sua propriedade e a filha Lidiane Helena Fernades Pinto.
Em 22 de outubro de 1999, em nome de Terezinha e Ronan é constituída a Viação Guainazes. A “nova” empresa assumiu todas as várias linhas municipais da Humaitá, que com 152 ônibus transporta 1,6 milhão de passageiros por mês. A Humaitá continuou operar linhas intermunicipais e assumia boa parte dos problemas jurídicos do grupo.
Em 17.07.2001 teve os bens bloqueados pela Justiça de Santo André atendendo carta precatória da Justiça de Cuiabá no Mato Grosso. Em 05 de maio de 2004, tem a sede transferida para o Aricanduva na Capital Paulista e em 30 de dezembro de 2010 é adquirida por uma família tradicional nos transportes: Setti & Braga.
Adamo Bazani

3 comentários em EMPRESA AUTO ÔNIBUS CIRCULAR HUMAITÁ: Uma gigante na história

  1. Nelson Roberto Langella // 9 de janeiro de 2011 às 22:55 // Responder

    Qta mutreta estes mineiros fizeram em São Paulo, parece que não existe justiça em nosso estado, fico até com medo de comentar as matérias.Mas o mais importante é que os verdadeiros empresários de transporte estão dando o troco e recomprando as empresas, veja que na área limitrofe entre ABC e São Paulo as empresas (mineiras) estão sumindo ex:Sto.Estevam, Vila Ema, Paulista, Transvipe, exp.Iguatemi,etc…..Abraços lan-bus2003.

  2. orlando Jordão da silva // 11 de agosto de 2012 às 14:48 // Responder

    Orlando Jordão da silva

    Casado
    Data de nascimento: 11/07/1971.
    Endereço: AV, Valentim Magalhães Nº 3387 Condomínio Maracanã Santo André-SP;
    Telefone:[ cel [011] 98669-8347, 96032-3221, 97958-6388
    E-mail; orlandovaqueiro@gmail.com

    Escolaridade: 1º Grau completo

    Experiência Profissional

    Rokani ; Comércio de Metais LTDA.
    ATUAL
    Cargo: Motorista
    Data de admissão: 02/04/2012

    Emp. Urbana Santo André LTDA.
    Cargo: motorista
    Data admissão: 16/02/2004,
    Data saída ;01/08/2011

    Viação Barão de Mauá LTDA.
    Cargo; Mecânico socorrista
    Data de admissão: 01/07/2002
    Data saída:11/07/2003.

    Corsos

    CNH: AE
    1° habilitarão: 23/05/1995.
    Moop
    Transporte coletivo de passageiros.

    Experiências extracurricular

    Truck, Baú, Basculante,Carreta, Guincho, Ônibus rodoviário urbano e articulado.

  3. Bem, vamos lá…
    Não me interessa a história da empresa, o que falta hoje em dia (03/08/2014) é que falta padronização de procedimentos, uniformes e horários.
    1 – Procedimentos: Muitos carros não esperam sequer 3 minutos quando chegam ao terminal, em um Domingo à tarde, eu estava do outro lado da rua (Da estação de trem), vi um carro T27 que é a linha que uso, pois não deu tempo de atravessar a rua, corri até o ônibus, o motorista já arrancando, não esperou. O fato: Eu ví quando o ônibus chegou e como disse, não ficou sequer 3 minutos esperando no ponto, tive que esperar 25 minutos até o próximo.

    2 – Uniformes: Como motoristas e cobradores uniformizados, inclusive com crachá de identificação visível, podemos saber quem está nos atendendo, elogiar se for merecido e reclamar se for necessário, alé de transmitir um tom mais profissional no serviço.

    3 – Horários: Não há um site ou qualquer outro lugar que divulgue o horário dos carros, realmente é difícil programar um horário para sair de casa sem a divulgação. Isso só me leva a crer que, ou a empresa é totalmente desorganizada, ou realmente é questão de mal caráter das pessoas que comandam isso, se é que tem comando.

    Vejo vários motoristas dando carona pra marmanjo, adulto, desocupado, ou família (esposa e filhas pequenas)

    Esta empresa é uma bagunça!

    Espero que a prefeitura de SAanto Andre tome atitudes para que isto melhore.

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