Fretamento 2: Panamora atual no ABC Paulista

ADAMO BAZANI Busscar da SaciTur O perfil atual do serviço de fretamento no ABC Paulista é bastante heterogêneo. Isso porque é formado por grandes e médias empresas tradicionais, que obviamente constituem uma minoria, e por empresas de pequeno porte.  Algumas destas não passam de um ônibus antigo em sua frota. Mas neste universo de 141 empresas de ônibus regularizadas pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – são várias a de porte acanhado. Somadas, estas empresas acabam respondendo por boa parte do mercado. Inclusive, há uma divisão clara entre pequenas, médias e grandes em relação aos clientes das empresas. Os consumidores das empresas de fretamento do ABC têm o perfil semelhante às viações. Grandes clientes, como as indústrias automobilísticas, de autopeças, químicas e de tecido instaladas na região, por questão de imagem e respeito às fiscalizações mais rigorosas em relação ao tratamento para com o funcionário, contratam empresas de fretamento já estabelecidas e com frota nova e confiável. O que não significa dizer que empresas de fretamento de grande e médio portes não tenham veículos mais antigos. Há uma série de Marcopolo Viaggio Geração 4, de Monoblocos Mercedes Benz O 370, O 371 e O 400 e Busscar El Buss e Jum Buss das primeiras versões em empresas como Galo de Ouro , Bozzato e Planetatur. Vale ressaltar também que todos estão em excelente  estado de conservação. As empresas de menor porte têm como clientes principais o fretamento para pequenas empresas, do setor metalúrgico ou de comércio, e em especial o fretamento eventual. São ônibus antigos e vans que prestam serviços para empresas que levam funcionários a confraternizações, igrejas de várias ordens e denominações, grupos de turistas entre outros. Fora de temporada, estes pequenos empreendedores de serviço de fretamento também prestam atendimento à escolas particulares. A estrutura das empresas de grande e pequeno portes é basicamente familiar. Bozzato, Romano, Correa, entre outras, atuam na região do ABC Paulista desde os anos de 1950, 1960 e 1970. Ao longo do tempo modernizaram suas gestões. Acompanharam as mudanças dos perfis econômicos do ABC Paulista,  mas possuem a mesma concepção de membros da família administrarem as empresas. Assim, as direções não são feitas por gestores de formação acadêmica, mas de formação familiar nas próprias garagens. Essa estrutura familiar das empresas foi o motivo de longevidade e do fim para muitas viações. Longevidade para aquelas cujos membros foram comprometidos com os ideais dos pioneiros dos empreendimentos e também se atentaram a dois fatores primordiais: o ABC não era eminentemente industrial e que a informalidade dos anos de 1990 representava não só perda  de receitas pela diminuição de clientes, mas também maior concorrência. Afinal, quantos operários que perdiam seus empregos compravam uma van ou um ônibus antigo  e começaram a oferecer seus serviços para amigos, associações de bairros, times de futebol, igrejas. Boa parte destes negócios não prosperou, outros viraram pequenas empresas. Uma exceção na região do ABC sobre a estrutura familiar é a Breda. Apesar de ser comandada por Constantino de Oliveira, o Nenê Constantino, a empresa tem uma gestão diferente da familiar, tendo como principal acionista o Grupo Áurea criado por Constantino.

PERSPECTIVAS EM RELAÇÃO AO MERCADO:

Apesar de ter várias empresas, de todos os portes possíveis, registrar um importante decréscimo no nível industrial e apresentar um certo inchaço de oferta de demanda em algumas áreas, a região do ABC Paulista ainda tem espaço para o surgimento de novos empreendimentos no setor de ônibus fretados.

A maioria das oportunidades passa pelo setor de serviços. Destaque  para os transportes universitários, criação de centros empresariais, empreendimentos e serviços públicos.

• Transporte Universitário:  Apesar de haver serviços de empresas de diversos portes, o número de universitários que moram e estudam na região ou residem no ABC e estudam em outras cidades, inclusive no Litoral e Interior Paulista, é crescente. Empreendimentos na área, como aumento de vagas em universidades e faculdades públicas da região, podem significar um mercado expandido.  Em 2011, por exemplo, um Campi da Universidade Federal do ABC será instalado em Mauá. A estimativa é que a unidade seja construída no Parque São Vicente, num terreno que era do INSS.

• Obras e Empreendimentos públicos: Uma série de obras tem trazido mais infraestrutura e geração de mão de obra no ABC Paulista, e consequentemente, mais demanda para o transporte de passageiros. Destaque para as obras do Rodoanel e da Avenida Jacu Pêssego em Mauá. O Prefeito Oswaldo Dias, por conta da posição privilegiada da cidade no Rodoanel, entre a Capital Paulista e a o Litoral de São Paulo, chegou a apelidar Mauá de “A esquina do Mundo”.  Ele cogita a instalação de novos empreendimentos, inclusive os industriais para a cidade, que devem se refletir para toda a região do ABC Paulista. Há inclusive espera e filas por terrenos na região do Sertãozinho. Atualmente, a demanda maior é por transporte de operários da construção civil, mas normalmente as construtoras possuem seus ônibus. Quando os espaços se tornarem residenciais, industriais e comerciais o fretamento pode encontrar um mercado interessante.

• Empreendimentos particulares e centros empresariais: Ainda dentro do perfil de serviços e comércio que predomina na região do ABC Paulista, uma série de empreendimentos residenciais e comerciais promete ser o marco de uma nova configuração regional destes setores. Se antigamente o comércio era por demais esparso, ou pequenos centros locais se formavam, o intuito do mercado imobiliário é transformar áreas outro ocupadas pelas indústrias ou grandes terrenos com pouca utilização em centros de destaque. Normalmente trabalham nestes centros comerciais dois tipos de funcionários: o de esfera social mais baixa, que utiliza o transporte público, e os executivos, público que pode ser o alvo dos transportes por fretamento.  São pessoas que dificilmente usariam o transporte público convencional, por haver sim uma segregação social no ambiente urbano, na qual classes diferentes se separam, mesmo geograficamente convivendo. Mas o trânsito é um problema a ser considerado no ABC  Paulista. Algumas vias já não suportam o volume crescente de veículos e muitos, se o transporte por fretamento oferecesse conforto e confiabilidade, como ocorre, deixariam seus carros em casa por ônibus do estilo rodoviário. Outro empreendimento de destaque no ABC  Paulista é o Espaço Cerâmica, em São Caetano do Sul, uma área de 300 mil metros quadrados que há muito tempo esteve parada e pertenceu a família Matarazzo, onde funcionava uma indústria. No local, serão construídos empreendimentos comerciais, preferencialmente prédios de escritório, e residenciais de médio e alto padrão. O empreendimento do Grupo empresarial Magnesita, realizado pela Sobloco, deve gerar em torno de 20 mil postos de trabalho, de acordo com estimativas dos realizadores, isso depois de implantado.  Em Santo André, na região da Pirelli será inaugurada a Cidade Pirelli, empreendimento da Construtora Brookfield. Numa área de 40 mil metros quadrados serão 6 torres residenciais, com cerca de 1.800 apartamentos, 3 torres comerciais, com mais de mil escritórios, e um Shopping aberto. Na mesma área, mas do outro lado da linha de trem, a Construtora Rossi adquiriu terreno com dimensões semelhantes para abrir apartamentos e prédios comerciais, com grande atuação de cargos executivos, que claro, podem representar demanda para fretamento. Outros projetos destes portes ou menores estão em discussão no ABC Paulista, que definitivamente assumirá seu caráter de econômico de serviços e comércio, sem deixar de lado a indústria, mesmo que ela tenha perdido participação significativa.
O setor de prestação de serviços para órgãos públicos também tem sido uma parcela do mercado que cresce.

Algumas prefeituras ou mesmo o Governo do Estado de São Paulo dão conta de que manter frotas próprias é muito caro, frente a ociosidade em alguns circunstâncias.

Para serviços constantes, o poder público até mantém seus ônibus. Mas há outros cuja periodicidade não é tão grande ou mesmo que um contrato torna os custos menores que a manutenção de frota e pagamento de salários dos operadores.

A Santo Ignácio, por exemplo, oferece para a Prefeitura de São Bernardo do Campo transporte especial para pessoas portadoras de deficiência em vans e micro-ônibus.

Outras empresas também são chamadas para serviços do poder público.

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