Dilma fala pouco sobre transportes, mas insiste em trem bala

Ônibus

Ônibus de São Bernardo do Campo para o Rio de Janeiro. Equipe de Dilma Rouseff promete trem bala entre São Paulo e Rio, medida é contestada por especialistas pelo alto custo e a existência de outras prioridades no setor de transportes.

Já o Governo do Estado de São Paulo promete bom relacionamento com o poder federal para conseguir recursos para a área
ADAMO BAZAN – CBN

 

No discurso de posse, neste dia 1º de janeiro em Brasília, a nova presidente, Dilma Rousseff, pouco falou sobre a área dos transportes, uma das mais carentes de desenvolvimento no País, tanto rodoviários, ferroviários, hidroviários e aéreos.
A presidente disse apenas que continuará o plano para melhoria da infraestrutura no País, o que inclui a modernização de portos e aeroportos.
Ela nada citou sobre sua promessa de campanha, registrada por diversos órgãos de imprensa, em 17 de outubro de 2010, que interfere diretamente na vida de quem utiliza ônibus.
Na ocasião, Dilma prometeu zerar alguns impostos sobre setores como saneamento, energia e transportes.
Com o fim da cobrança do PIS e Cofins sobre estes setores, em contrapartida, a então candidata disse que exigirá a redução nas tarifas para o consumidor final, inclusive nas de ônibus.
Certamente é um desafio na prática, pois outro objetivo de Dilma é manter a arrecadação em alta e se livras de possíveis déficits nas contas públicas.
A recém empossada presidente insistiu, como prioridade, no trem bala, ou trem de alta velocidade, entre São Paulo e Rio de Janeiro, uma obra de grande custo cuja eficácia é contestada por especialistas que defendem que, os R$ 34,6 bilhões que serão empregados no trem bala, poderiam melhorar o sistema ferroviário comum, as estradas e os aeroportos, muitos deles já saturados.
NOVO MINISTRO:
O novo ministro dos transportes, Alfredo Nascimento, foi o primeiro da equipe de Dilma a ser nomeado oficialmente na noite de primeiro de janeiro.
Nascimento é senador licenciado do Amazonas, pelo PR, e também defendeu o trem bala.
Para ele, o leilão da concessão do TAV – Trem de Alta Velocidade – será realizado mesmo no mês de abril.
Presidente Nacional do PR e nascido no Rio Grande do Norte, Nascimento ocupa o lugar de Paulo Passos.
É a terceira vez desde 2003 que Nascimento ocupa a pasta.
Da última vez, ele se licenciou da Prefeitura de Manaus e comandou a pasta de março de 2004 até 2006, quando concorreu e ganhou as eleições para o Senado, representando o Amazonas.
O PAC da mobilidade, que prevê investimentos em corredores de ônibus e sistemas ferroviários, privilegiando as cidades que serão sedes da Copa do Mundo de 2014 agradou Alfredo Nascimento.
“Hoje [o ministério dos Transportes] é uma das pastas com maior nível de investimento do PAC. Quando busco pela memória, lembro que o orçamento na minha primeira gestão em 2004 era de R$ 2,4 bilhões. Hoje temos R$ 21 bilhões para investimentos.”
Nem Dilma e nem Alfredo Nascimento comentaram a maior licitação de concessão já realizada no País que englobará todas as linhas interestaduais e internacionais de ônibus, que deve ser concluída em 2012.
Mesmo assim, o mercado já se prepara para o certamente. Grandes grupos empresariais já se unem ou compram viações tradicionais de grupos menores e as fabricantes de chassis e carrocerias apresentam lançamentos de olho neste segmento.
“Quem quiser participar, tem de apresentar frota nova e moderna” – disse Mário Luft ao assumir no início de dezembro a Viação Garcia e as empresas do grupo Princesa do Ivaí e Ouro Branco.
Sabendo da importância do setor, ainda em abril de 2010, quando era Ministra, Dilma fez uma visita a sede da Marcopolo, em Caxias do Sul.
SÃO PAULO: Ao tomar posse, também neste dia 1º de janeiro, Geraldo Alckmin, governador eleito por São Paulo, disse deixar de lado as rivalidades políticas e manter um bom relacionamento com o Planalto para conseguir recursos federais para as áreas que considera essências: transportes, educação e segurança pública.
O novo governador diz que pleiteia mais recursos do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Federal – especialmente para a expansão do Metrô.
Adamo Bazani

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