Os Cometas que cruzaram as cidades

Eliziário Coach, de 1956, com configuração urbana, operando pela Cometa

Empresa de ônibus tradicional em serviços rodoviários também teve operações urbanas e a exemplo das estradas, também foi destaque nas cidades.

 ADAMO BAZANI – CBN

 

Viação Cometa, um ícone dos transportes nacionais. É verdade que atualmente, a empresa perdeu um pouco de seu encanto, de sua imagem de paixão. Adquirida em 2001 pelo Grupo JCA, dono de grandes empresas como a Auto Viação 1001, a Cometa teve de entrar numa outra etapa dos transportes brasileiros: o da maior centralização nas mãos de poucos empresários.

Além disso, abriu mão de suas exclusividades, como os famosos Dinossauros e Flechas Azuis que tornavam a Cometa, uma empresa sem par. Era necessário baratear todos os custos e comprar modelos usados por praticamente todo o mercado foi uma das saídas. O objetivo era conseguir as peças com mais fornecedores e não fabricá-las.

A época romântica da Cometa se foi.

Esta época, na maioria das pessoas é marcada pelos serviços rodoviários da empresa. Quando o major italiano Tito Masciolli teve sua empresa, a Auto Viação Jabaquara, criada em 1937 para auxiliar a formação do bairro com o mesmo nome, encampada pela recém criada CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos – no ano de 1947, não desistiu do sonho de transportar pessoas.

Ele partiu para o segmento rodoviário adquirindo a Viação São Paulo Santos, que tinha como símbolo um Cometa, que remetia rapidez e imponência. Em 07 de maio de 1948 transformava a empresa em Viação Cometa e as aquisições para ampliar os serviços foram várias, como a Viação Bandeirantes e a Rápido Serrano.

Os rodoviários da Cometa marcaram história. Não precisa ir muito longe para que até quem não entende de um parafuso de ônibus lembre dos Flechas e dos Dinossauros, normalmente chamados pelos leigos no setor como “aqueles ônibus que parecem dos Estados Unidos”.

E parecem mesmo, pois, inicialmente feitos pela Ciferal e depois da concordata de 1982, pela CMA, encarroçadora da própria Cometa, foram inspirados nos GMPD 4103 e GMPD 4104, importados dos Estados Unidos pela Cometa, a partir de 1954, para operar a tão disputada linha Rio – São Paulo. A empresa começou a operar esta linha em 1951, na ocasião da abertura da Rodovia Presidente Dutra, com os Twin Coach, também importados.

Com as barreiras às exportações, a Cometa teve de partir para o mercado nacional. Sua fama sempre foi de maior frotista Scania do mundo, e é verdade. Mas nos anos de 1960, foi também o maior frotista mundial da Mercedes, quando na época chegou a ter 300 ônibus da marca alemã, uma boa parte o Monobloco O 321, ou simplesmente Super B.

Em “busca da partida perfeita”, com ônibus que se assemelhassem aos GMPD, foram feitos, antes dos Flechas e Dinossauros, os Striulli, o Ciferal Papo Amarelo, o Ciferal Jumbo, enfim, ônibus que marcaram as estradas.

Mas não foram apenas as operações rodoviárias que a Cometa marcou. A estrela brilhante dos transportes operou linhas urbanas em cidades de destaque como São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, com diversos modelos. Em São Paulo, além da própria marca, a Companhia Auxiliar de Transportes Urbanos era seu braço de serviços dentro da cidade.

Em Campinas, operou com a própria marca desde 1950, quando assumiu as linhas urbanas da Empresa Sorocabana de Transportes Coletivos.  No ano de 1956, ainda em Campinas, a empresa adquiriu as linhas da Viação Lira, do Grupo da Caprioli, o que formava a CCTC – Companhia Campineira de Transportes Coletivos. A CCTC teve 1200 funcionários e operou sob a administração da Cometa até 1988.

Em Ribeirão Preto, também no Interior de São Paulo, com a própria marca Cometa, a Viação operou linhas urbanas por vários anos. Desde 1965 até 1983, chegando de uma só vez ter cerca de 600 funcionários.

Assim, imagens como deste Eliziário de 1956, com configuração urbana, mostram um lado pouco explorado desta empresa que reinou nas estradas.

Adamo Bazani

4 comentários em Os Cometas que cruzaram as cidades

  1. José Roberto Teixeira // 6 de março de 2011 às 02:17 // Responder

    Ádamo:

    Texto muito bem escrito. Parabéns. A propósito da Cometa, gostaria de adquirir miniatura (Dinossauro ou Flecha) de qualidade. Conhece algum fornecdedor? As que tenho visto não me parecem de boa qualidade. Bonitas e perfeitas eram aquelas que ficavam no terminal do Tietê. Pena que não adquiri.

    • valdemir ferreira barbosa // 12 de setembro de 2013 às 20:44 // Responder

      na decada de 60 a cometa operava algumas linhas na regiao de sapopemba .
      com onibus GMC maritimo na cor bege e vermelho ex. praca clovis jardim sta adeilia

      sinto muita saldades parece que aida ouco aquele ronco maravilhoso .

  2. Como conseguir a historia desses onibus que entre 1950/1960 operaram na Zona Leste: Vila Formosa, Vila Santa Isabel, Vila Diva, etc.

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