Eletromobilidade

ÔNIBUS A HIDROGÊNIO COMEÇA A RODAR COM PASSAGEIROS

Ônibus Marcopolo Viale / Tuttotrasporti com equipamentos de tração a hidrogênio importados já leva passageiros em testes

Testes com ônibus a hidrogênio têm surpreendido EMTU. Consumo do veículo em trechos do Corredor ABD é menor do que o previsto

ADAMO BAZANI

A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – tem até o momento se mostrada satisfeita com as análises preliminares do desempenho e do consumo do ônibus a hidrogênio que começou, a título de testes, transportar passageiros desde a última quinta-feira, dia 12 de dezembro.

A média estimada de consumo é de 15 quilos de hidrogênio a cada 100 quilômetros percorridos, mas em alguns trechos do Corredor entre São Mateus, zona Leste da Capital Paulista, e Jabaquara, na zona Sul de São Paulo, passando pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema, a média de consumo chega a ser inferior a isso. Assim, as operações com ônibus a hidrogênio podem sair mais baratas que o estimado, embora ainda com valor elevado.

É que apesar de ser considerado o primeiro ônibus hidrogênio brasileiro, do Brasil mesmo ele só tem a carroceria, Marcoplo Viale, e o chassi, da Tuttotrasporti.

A célula de combustível de hidrogênio, os tanques reservatórios que ficam sobre o ônibus, os cilindros e o motor elétrico, entre outras peças de alto valor, ainda são de outros países.

O desenvolvimento do ônibus a hidrogênio para circular no corredor da EMTU, operado pela Metra, custou US$ 16 milhões e contou com recursos do PNUD, que é o fundo de desenvolvimento das Nações Unidas, Ministério de Minas e Energia, além de entidades ligadas à tecnologia e meio ambiente.
O ônibus a hidrogênio circula em períodos e trechos alternados do Corredor que serve o ABC Paulista e desde a última quinta-feira transporta passageiros.
O valor da tarifa é normal, sendo aceito somente o bilhete magnético de R$ 2,65.

O veículo só não opera ainda em horários de pico.

MAIS HIDROGÊNIO:

A EMTU estima que até 2012 mais três ônibus a hidrogênio comecem a operar no Corredor que liga a região do ABC Paulista à partes das zonas Sul e Leste de São Paulo.

Para isso, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos aguarda que haja incentivo à indústria nacional para que boa parte dos componentes hoje importados seja produzida no Brasil, o que diminuiria os custos de aquisição e manutenção dos ônibus.

O ônibus hidrogênio reduz 100% a emissão de poluentes, como o trólebus, com a vantagem de ser flexível, sem depender de fios de rede aérea.

Sua tração é elétrica.

Simplificando como ocorre o funcionamento do ônibus, os tanques colocados em cima do veículo enviam o hidrogênio até a célula de combustível. Pela eletrólise, é realizada a separação do hidrogênio e do oxigênio.

Neste processo há geração de energia elétrica, que é captada pelo motor de tração, fazendo o ônibus funcionar. O subproduto da eletrólise é transformado em vapor d’água.

O ônibus possui baterias de alto desempenho para captação e armazenamento de energia elétrica.

Isso garante funcionabilidade em trechos que possam exigir mais esforço do sistema ou mesmo autonomia para o ônibus andar, mesmo com a geração de energia na célula de combustível interrompida.

As baterias garantem uma autonomia sem geração de energia de 30 quilômetros, mais do que o suficiente para o ônibus voltar à garagem, levando em conta que o trecho do corredor onde opera tem 33 quilômetros e o pátio fica quase no meio do percurso.

A energia também é aproveitada pelo sistema denominado frenagem regenerativa, como o suado na Fórmula 1.

A energia extra que não é utilizada nos momentos de frenagem pelo fato do ônibus ser menos exigido e também a gerada pelo atrito entre os freios e a roda é levada para as baterias de armazenamento.

O ônibus possui 9 tanques de hidrogênio, que juntos totalizam 45 quilos de combustível, o que, só de hidrogênio dá uma autonomia de 300 quilômetros percorridos.

Como as condições de relevo e pavimento do corredor são melhores que em situações normais, o rendimento, por enquanto, tem se mostrado superior.

A população tem aprovado. É mais conforto e menos barulho.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Diguinho da Vila disse:

    Muito bom, saber dessa noticia da operação desse veiculo.
    Espero que ele venha a ser no futuro mais um atrativo em termos de
    tecnolgia para transporte limpo. Os nossos pulmões, a atmosfera, e
    a camada de ozônio agradecem. Parabéns pela matéria Adamo Bazani.
    Abraços!!!

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