Restrição de caminhões complica a vida de usuários de ônibus

Soluções paliativas são apontadas por especialistas como medidas que apenas transferem problemas de um lugar pata o outro, normalmente para regiões mais carentes e que não têm o mesmo apelo de mídia.

Quando o prefeito Gilberto Kassab começou a anunciar suas polêmicas restrições, como as para ônibus fretados, motos e caminhões, muitos especialistas já advertiam que tais medidas na verdade não resolveriam os problemas de trânsito e transportes, apenas os transferiram de lugar.

Os especialistas contratados pela prefeitura refutaram os argumento e diziam que as restrições eram necessárias.

Como resposta, vinham com tabelas e mais tabelas com números que comprovariam o sucesso de suas ações.

E realmente, onde não há mais ônibus fretados e principalmente caminhões, a situação de congestionamento e de problemas de fluidez melhorou.

Mas em muitos casos, os alertas dos especialistas se confirmaram. Os congestionamentos e os demais problemas apenas se tornaram mais intensos em algumas áreas, em detrimento de outras.

A grande questão é que problema confinado se torna mais grave ainda na área onde ele se encontra, principalmente quando a questão é trânsito e transportes.

Um exemplo de que tais problemas que já foram previstos por especialistas são reais e ultrapassam o campo da teoria é o que vem ocorrendo com o corredor de ônibus e trânsito na estrada de Itapecerica, na zona Sul de São Paulo.

As invasões dos corredores de ônibus já eram grandes. Motos e carros ocupavam o lugar do transporte que leva mais gente por unidade e menor espaço médio. Com a restrição de circulação de caminhões em parte da cidade, agora os veículos de carga também invadem o corredor.

A situação foi constatada pelo repórter Caio do Valle, do jornal Agora São Paulo.

Segundo a reportagem, com mais veículos disputando as faixas livres para qualquer tipo de automóvel, por conta do trânsito intenso e pouco espaço, os caminhões, motos e carros começam a avançar o corredor da Estrada de Itapecerica.

Os veículos de carga, para fugirem as áreas restritas, neste caso, principalmente da Marginal Pinheiros, acabam sendo confinados na via, e as invasões ao corredor de ônibus provocam filas imensas. Há alguns casos, que o repórter verificou, que os ônibus demoram até 20 minutos para pararem nos pontos. Isso porque, imensas filas de carros e caminhões no corredor, impedem que os veículos de transporte coletivo que deveriam ter exclusividade no uso do espaço público, circulem com a rapidez e segurança necessárias para o passageiro que opta ou é obrigado a usar o meio coletivo.

É claro que educação e cidadania evitariam as invasões, mas é inegável que o problema de trânsito de veículos pesados (caminhões e ônibus de fretamento) foi colocado embaixo do tapete das periferias.

Em 20 minutos de permanência da reportagem na Estrada de Itapecerica, entre as rias Barão Nicolino Barra e Miguel Franco de Araújo, foram constatadas as invasões ao corredor de ônibus por 2 caminhões, 18 carros e, como sempre ocorre, em outros corredores, pela grande maioria de motos: neste caso, 29 motos.

A CET diz que fiscaliza e multa. Mas ocorrem alguns problemas técnicos nos corredores. É difícil fiscalizar motos, pela agilidade de seus condutores e por elas quase sumirem quando estão perto de um ônibus grande. No caso dos caminhões, o equipamento eletrônico que usa o peso como parâmetro para disparar a foto pode ser enganado pelas semelhanças de peso entre alguns caminhões e ônibus.

O especialista em trânsito ouvido pelo Agora, Horácio Augusto Figueira é contra a restrição de caminhões nas marginais, pelo fato de o trânsito dos veículos pesados ser transferido para os bairros.

O mais interessante é que todas as restrições foram no sentido de deixar caminho livre para os carros de passeio.

Não precisa ser especialista para saber que a cidade só vai andar um pouco melhor, se o transporte público for melhorado a ponto de convencer o cidadão a deixar o carro em casa.

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