Turística Natal, os fretados reagem

Com a saída de indústrias da Grande São Paulo, várias empresas de fretamento sentiram a crise. Algumas, no entanto, se adaptaram ao mercado e conseguiram explorar novas possibilidades

Se fôssemos lista as empresas de ônibus de turismo que diminuíram a participação no mercado ou desaparecerem principalmente nos anos de 1990, a relação seria muito grande.

Gigantes regionais, como a Sabetur, que de São Bernardo do Campo servia fretamento em toda a Grande São Paulo e tinha ônibus que em excursões rodavam por todo o Brasil, passavam imagem de inabaláveis.

Mas veio a Guerra Fiscal nos anos de 1990, após a estabilização monetária. O controle da inflação era mais que necessário. Com os preços em altas diárias era impossível planejar negócios a médio e longo prazo. A estabilização de início veio acompanhada de estagnação de alguns setores, por conta do aumento dos juros.
Mesmo assim, havia mais tranqüilidade para investir. E quem quer investir mesmo vai aos poucos, as ações são pensadas e o crescimento muitas vezes pode parecer lento. Quem gosta de juros altos e inflação são especuladores e não investidores. Sendo assim, havendo um clima mais transparente para investimentos, as empresas começaram aos poucos mostrar vontade de aproveitar o bom momento.

Os municípios, que por um lado se beneficiavam com a queda da inflação, mas se descapitalizaram com a alta dos juros, já que suas dívidas eram corrigidas por estes juros, partiram numa luta ferrenha para conseguirem os investidores.

E nessa, não houve ética.

Os municípios do interior de São Paulo, e de outros estados, começaram a dar isenções fiscais, facilidades de infraestrutura e até doarem terrenos para as indústrias que não pensavam duas vezes e iam em busca desses benefícios Com isso, a participação do setor industrial na Grande São Paulo caiu sensivelmente. Muitos pólos industriais aos poucos foram substituídos pelo comércio e setor de serviços. Os principais clientes das empresas de ônibus de fretamento eram justamente as indústrias. Com a saída delas, somada a má administração de muitas empresas do gênero, várias ruíram. Outras, no entanto, aproveitaram crescimentos regionalizados e viam que com a mudança no setor, dada a diminuição das contratações pelas fábricas, outras possibilidades que não eram servidas pelo fretamento, estavam mais às claras. Algumas destas oportunidades surgiram depois do perfil econômico das regiões e outras já existiam há muito tempo, mas ninguém via, todas as empresas estavam voltadas para a indústria.

A Natal Transportadora Turística de Mogi das Cruzes soube entender esse movimento. A empresa surgiu modesta, em 1984, auge da inflação, quando poucos se arriscavam a investir, com micro-ônibus prestando serviços escolares. Eram Caio Carolina e Marcopolo Júnior, alguns já usados.

Muitos não viam que não era só indústria que precisava de fretamento. Escolas, prédios comerciais (inclusive do setor de serviços) e um segmento que ainda está em alta: fretamento eventual, para operações turísticas.
Aos poucos, a empresa dirigida por profissionais com experiência no setor, foi fazendo o que era necessário em tempos de crise: investir.

Os Caio Carolina deram lugar a modernos veículos, como este Marcopolo Paradiso 1200 Geração Sete, Scania, última palavra em ônibus de turismo. O veículo foi projetado para aliar praticidade e conforto, mas beleza. E realmente, por onde passa, um modelo como este chama a atenção.

Até de quem não é busólogo.

A empresa informa que até mesmo turismo internacional hoje tê,m condições de fazer e parte de sua frota é dotada de Ar condicionado, Videokê, Mesa de Jogos, TV, Video Cassete, Toillete e Geladeira Elétrica. O exemplo da Natal contraria as previsões pessimistas dos anos de 1990. Ele retrata o momento em que uma empresa tem de se adaptar ao mercado em vez de ficar reclamando e fazendo pressões políticas.

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