Cidade paulista teria nascido depois de pagamento de propina
Publicado em: 10 de novembro de 2010
O fato histórico remete ao ano de 1770, que deu origem à cidade de Itapetininga. Caso, no entanto, não tira os méritos da luta dos moradores e pioneiros da cidade, que contou até os anos de 1980 com uma simpática empresa de ônibus que era símbolo da cidade
Até o início dos anos de 1990, a cidade de Itapetininga, no Interior de São Paulo, tinha uma representante que levava o nome do município a diversas regiões do Estado de São Paulo, inclusive para a Capital Paulista.
Era a Viação Itapetinga Ltda, que ligava algumas cidades à região do mesmo nome da empresa. Com cores bem marcantes e uma pintura agradável, a empresa tinha a cara da cidade.
E não só isso, sua história revela um momento especial para Itapetininga, quando o município registrava, após os anos de 1970, crescimento econômico e populacional e uma necessidade de mais ligações com outras cidades.
Nesta época também, os serviços ferroviários de passageiros entravam em decadência. Uma ingratidão, pois a urbanização de Itapetininga, apesar de ainda ter uma presença rural forte, ocorreu, a exemplo de outros municípios, com a implantação da ferrovia.
O primeiro prédio da estação de Itapetininga foi fundado em 1895. A linha fazia parte da Estrada de Ferro Sorocabana e deixou a cidade com papel de destaque como um dos caminhos para escoamento da produção e deslocamento de pessoas.
Itapetininga, no entanto, tinha essa vocação bem antes da ferrovia.
Segundo o serviço de história da Prefeitura de Itapetininga, cidade que na última sexta-feira, dia 05 de novembro completou 240 anos, o local começou a prosperar e receber os primeiros núcleos de moradores justamente por causa dos transportes.
Eram os tropeiros, que em juntas de bois e cavalos e extensas caravanas de carros de boi levavam os mais diferentes produtos da região de Sorocaba para a Capital Paulista e posteriormente para o Sul.
Itapetininga, que ainda nem recebia este nome oficialmente, abrigava ranchos e arraiais onde os tropeiros e os animais descansavam.
O local não poderia ser melhor. O clima e a paisagem natural conferiam conforto e um descanso agradável aos tropeiros. O local também possuía uma terra fértil, para diversas culturas, e tinha naturalmente muito capim. O ideal para a alimentação nos tropeiros, que comiam verduras, frutas e legumes fresquinhos plantados nos arraiais e ranchos e para a alimentação dos animais que tinham pasto à vontade.
Em 1724, foi fundado o primeiro núcleo oficial de tropeiros e moradores. A presença das tropas gerava emprego e renda. E começava a despertar o interesse de muitos que viam na presença dos viajantes uma oportunidade de ascenção política e econômica.
E foi o que ocorreu. Em 1760, o português Domingos José Viera liderou um grupo e fundou um segundo núcleo habitacional e de pousada de tropeiros.
Já nesta época, os movimentos para que a região fosse elevada à categoria de Vila eram fortes.
E a disputa política também. Segundo a documentação histórica do município, foi nomeado para definir qual núcleo seria sede política, econômica e administrativa de Itapetininga o interventor Simão Barbosa Franco.
Todos apostavam que o primeiro núcleo seria a vila. Mas Simão decidiu pelo segundo, de Domingos José Vieira, que antes o presenteou com uma mula roana, forte, do tipo marchadeira. Foi um dos marcantes casos de propina que chegou à publico na época.
Isso fez com que a Villa de Nossa Senhora dos Prazeres de Itapetininga fosse oficialmente fundada em 5 de novembro de 1770. O dia 5 de novembro é considerado o aniversário da cidade.
Além de Domingos e Simão Barbosa pe considerado um dos pioneiros de Itapetininga, Salvador de Oliveira Lima, o Sarutya, o segundo capitão-mor da região.
Para a igreja católica, o local só se chamaria Vila de Nossa Senhora dos Prazeres, mas já havia referência não oficial a Itapetininga, como os tropeiros conheciam a região, por causa da denominação indígena anterior a chegada dos portugueses e que ainda era uma das marcas da região.
Itapetininga significa, em livre tradução do tupi, caminho das pedras secas e vem do significado de pedra chata, laje ou lajeado seco.
A emancipação da vila foi decretada em 17 de julho de 1852, mas foi somente em 13 de março de 1855 que se tornou cidade.
Cidade que se desenvolveu graças a ferrovia e aos transportes por ônibus, que eram opções aos trens e ligavam a cidade até onde os trilhos não chegavam.
E uma das empresas responsáveis por isso foi a Viação Itapetininga, que nem sempre teve este nome.
A viação vem da Empresa de Transportes e Turismo Joísa Ltda, que surgiu no início dos anos de 1960, bem na época, que depois da política desenvolvimentista e rodoviarista de Juscelino Kubitscheck as operações urbanas e rodoviárias de transportes ganhavam destaque e que a urbanização era sonho de qualquer município, mesmo que agrícola.
A Joísa começou a ser chamada de Itapetininga oficialmente em 1979. De acordo com Diário Oficial do Estado, de 27 de abril de 1979, a empresa foi autorizada pelos autos 8201 do DER – Departamento de Estradas de Rodagem, de 1977, a trocar a razão social para Viação Itapetininga. A Justiça autorizou a mudança só em 1979.
Neste ano, a empresa, ainda segundo o Diário Oficial, fazia as seguintes linhas:
– Angatuba / São Paulo
– Itapetininga – Lambari
– Itapetininga – Sarapuí.
A primeira foto (lá em cima)é de um veículo Scania da Itapetininga, retratada pelo historiador Mário dos Santos Custódio, que acredita que a empresa pertencia ao mesmo grupo controlador de uma viação de transportes urbanos da cidade.
“ Vação Itapetininga fazia sim a linha Itapetininga – São Paulo, concorrendo com a Viação Cometa.
Essa foto é de minha autoria e tirei na Marginal Tietê, pista local, perto do Clube de Regatas Tietê. A operação dela foi nos anos 80 e durou muito pouco. Afinal, concorrer com a Cometa era difícil, particularmente naquela época. Imagino que a Itapetininga era dos mesmos proprietários da empresa municipal local, chamada Empresa de Ônibus Circular Nossa Senhora Aparecida, em função das cores, pois os municipais mantinham mais ou menos a mesma colorização da Itapetininga”
Mário Custódio, um dos maiores autores de fotos antigas de ônibus de todo o País, também têm uma imagem da Circular Nossa Senhora Aparecida.
Mas como ele mesmo disse, concorre com a Cometa, uma gigante do setor não era fácil. E os serviços da Itapetinga acabaram no início dos anos de 1990.
Além da Cometa, serve o trajeto Itapetininga – São Paulo, a Transpen, mas não como rotas iniciais e finais, mas como secção de linha.
A cidade ainda reserva a tranqüilidade do interior, mas com desenvolvimento.
Outro dado histórico que não pode ser esquecido é que Itapetininga foi um dos principais pólos de São Paulo que fizeram parte da Revolução Constitucionalista de 1932, contra a Ditadura de Getúlio Vargas. Além de questões polícias, havia uma questão de identificação. Isso porque, o golpe que levou Getúlio à Presidência, tirou do Poder Júlio Prestes, cidadão de Itapetininga.





É, conheço a cidade. Viajei pra lá nos anos 80, acho que nessa época a citada empresa já devia ter sido extinta, pois não me lembro…