Cidade paulista teria nascido depois de pagamento de propina

O fato histórico remete ao ano de 1770, que deu origem à cidade de Itapetininga. Caso, no entanto, não tira os méritos da luta dos moradores e pioneiros da cidade, que contou até os anos de 1980 com uma simpática empresa de ônibus que era símbolo da cidade

Caio Gabriela II, Mercedes Benz, da Empresa de Ônibus Circular Nossa Senhora Aparecida

Até o início dos anos de 1990, a cidade de Itapetininga, no Interior de São Paulo, tinha uma representante que levava o nome do município a diversas regiões do Estado de São Paulo, inclusive para a Capital Paulista.

Era a Viação Itapetinga Ltda, que ligava algumas cidades à região do mesmo nome da empresa. Com cores bem marcantes e uma pintura agradável, a empresa tinha a cara da cidade.

E não só isso, sua história revela um momento especial para Itapetininga, quando o município registrava, após os anos de 1970, crescimento econômico e populacional e uma necessidade de mais ligações com outras cidades.

Nesta época também, os serviços ferroviários de passageiros entravam em decadência. Uma ingratidão, pois a urbanização de Itapetininga, apesar de ainda ter uma presença rural forte, ocorreu, a exemplo de outros municípios, com a implantação da ferrovia.

O primeiro prédio da estação de Itapetininga foi fundado em 1895. A linha fazia parte da Estrada de Ferro Sorocabana e deixou a cidade com papel de destaque como um dos caminhos para escoamento da produção e deslocamento de pessoas.

Itapetininga, no entanto, tinha essa vocação bem antes da ferrovia.

Segundo o serviço de história da Prefeitura de Itapetininga, cidade que na última sexta-feira, dia 05 de novembro completou 240 anos, o local começou a prosperar e receber os primeiros núcleos de moradores justamente por causa dos transportes.

Eram os tropeiros, que em juntas de bois e cavalos e extensas caravanas de carros de boi levavam os mais diferentes produtos da região de Sorocaba para a Capital Paulista e posteriormente para o Sul.
Itapetininga, que ainda nem recebia este nome oficialmente, abrigava ranchos e arraiais onde os tropeiros e os animais descansavam.

O local não poderia ser melhor. O clima e a paisagem natural conferiam conforto e um descanso agradável aos tropeiros. O local também possuía uma terra fértil, para diversas culturas, e tinha naturalmente muito capim. O ideal para a alimentação nos tropeiros, que comiam verduras, frutas e legumes fresquinhos plantados nos arraiais e ranchos e para a alimentação dos animais que tinham pasto à vontade.

Em 1724, foi fundado o primeiro núcleo oficial de tropeiros e moradores. A presença das tropas gerava emprego e renda. E começava a despertar o interesse de muitos que viam na presença dos viajantes uma oportunidade de ascenção política e econômica.

E foi o que ocorreu. Em 1760, o português Domingos José Viera liderou um grupo e fundou um segundo núcleo habitacional e de pousada de tropeiros.

Já nesta época, os movimentos para que a região fosse elevada à categoria de Vila eram fortes.
E a disputa política também. Segundo a documentação histórica do município, foi nomeado para definir qual núcleo seria sede política, econômica e administrativa de Itapetininga o interventor Simão Barbosa Franco.

Todos apostavam que o primeiro núcleo seria a vila. Mas Simão decidiu pelo segundo, de Domingos José Vieira, que antes o presenteou com uma mula roana, forte, do tipo marchadeira. Foi um dos marcantes casos de propina que chegou à publico na época.

Isso fez com que a Villa de Nossa Senhora dos Prazeres de Itapetininga fosse oficialmente fundada em 5 de novembro de 1770. O dia 5 de novembro é considerado o aniversário da cidade.
Além de Domingos e Simão Barbosa pe considerado um dos pioneiros de Itapetininga, Salvador de Oliveira Lima, o Sarutya, o segundo capitão-mor da região.

Para a igreja católica, o local só se chamaria Vila de Nossa Senhora dos Prazeres, mas já havia referência não oficial a Itapetininga, como os tropeiros conheciam a região, por causa da denominação indígena anterior a chegada dos portugueses e que ainda era uma das marcas da região.

Itapetininga significa, em livre tradução do tupi, caminho das pedras secas e vem do significado de pedra chata, laje ou lajeado seco.

A emancipação da vila foi decretada em 17 de julho de 1852, mas foi somente em 13 de março de 1855 que se tornou cidade.

Cidade que se desenvolveu graças a ferrovia e aos transportes por ônibus, que eram opções aos trens e ligavam a cidade até onde os trilhos não chegavam.

Caio Gabriela II, Mercedes Benz, da Empresa de Ônibus Circular Nossa Senhora Aparecida

E uma das empresas responsáveis por isso foi a Viação Itapetininga, que nem sempre teve este nome.

A viação vem da Empresa de Transportes e Turismo Joísa Ltda, que surgiu no início dos anos de 1960, bem na época, que depois da política desenvolvimentista e rodoviarista de Juscelino Kubitscheck as operações urbanas e rodoviárias de transportes ganhavam destaque e que a urbanização era sonho de qualquer município, mesmo que agrícola.

A Joísa começou a ser chamada de Itapetininga oficialmente em 1979. De acordo com Diário Oficial do Estado, de 27 de abril de 1979, a empresa foi autorizada pelos autos 8201 do DER – Departamento de Estradas de Rodagem, de 1977, a trocar a razão social para Viação Itapetininga. A Justiça autorizou a mudança só em 1979.

Neste ano, a empresa, ainda segundo o Diário Oficial, fazia as seguintes linhas:
– Angatuba / São Paulo
– Itapetininga – Lambari
– Itapetininga – Sarapuí.

A primeira foto (lá em cima)é de um veículo Scania da Itapetininga, retratada pelo historiador Mário dos Santos Custódio, que acredita que a empresa pertencia ao mesmo grupo controlador de uma viação de transportes urbanos da cidade.

“ Vação Itapetininga fazia sim a linha Itapetininga – São Paulo, concorrendo com a Viação Cometa.
Essa foto é de minha autoria e tirei na Marginal Tietê, pista local, perto do Clube de Regatas Tietê. A operação dela foi nos anos 80 e durou muito pouco. Afinal, concorrer com a Cometa era difícil, particularmente naquela época. Imagino que a Itapetininga era dos mesmos proprietários da empresa municipal local, chamada Empresa de Ônibus Circular Nossa Senhora Aparecida, em função das cores, pois os municipais mantinham mais ou menos a mesma colorização da Itapetininga”

Mário Custódio, um dos maiores autores de fotos antigas de ônibus de todo o País, também têm uma imagem da Circular Nossa Senhora Aparecida.

Mas como ele mesmo disse, concorre com a Cometa, uma gigante do setor não era fácil. E os serviços da Itapetinga acabaram no início dos anos de 1990.

Além da Cometa, serve o trajeto Itapetininga – São Paulo, a Transpen, mas não como rotas iniciais e finais, mas como secção de linha.

A cidade ainda reserva a tranqüilidade do interior, mas com desenvolvimento.

Outro dado histórico que não pode ser esquecido é que Itapetininga foi um dos principais pólos de São Paulo que fizeram parte da Revolução Constitucionalista de 1932, contra a Ditadura de Getúlio Vargas. Além de questões polícias, havia uma questão de identificação. Isso porque, o golpe que levou Getúlio à Presidência, tirou do Poder Júlio Prestes, cidadão de Itapetininga.