Grupo Gontijo de olho na Grande São Paulo

 

Proposta da empresa é ampliar não somente o número de veículos, mas também linhas nas cidades que cercam a Capital Paulista.

Após passados os sustos da crise econômica global, no biênio 2008 – 2009, que trouxe incertezas para praticamente todos os setores do País, o segmento rodoviário de transportes de passageiros mostrou que o fôlego de investimentos foi retomado, apesar de cautelas por parte das empresas de ônibus. Além disso, foi justamente neste biênio que ocorreram as disputas judiciais e até mesmo na esfera política para que a licitação de todas as linhas de ônibus interestaduais e internacionais brasileiros, promovida pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres – fosse barrada.

Para variar, as empresas alegaram que a licitação estava muito exigente, o que poderia deixar alguns serviços economicamente inviáveis.

E para variar também, o poder público recuou e a licitação, a maior do País no setor de transportes, ficou para 2011/2012.

Com esta definição, as empresas rodoviárias votaram a investir, já com vistas a mostrarem-se tecnicamente capazes, com frotas e linhas, para disputarem as melhores linhas. Embora que quem pegar o melhor vai ter se assumir os serviços considerados nada interessantes, para haver equilíbrio no sistema e os subsídios cruzados de uma linha para outra por parte de uma mesma empresa.

Uma das Viações que está de olho nessas possibilidades geradas pela nova licitação é a Gontijo de Transportes.

A empresa é considerada a segunda maior do País no Setor. Possui mais de 1100 ônibus, isso sem contar que detém outras grandes empresas, como a Nacional e a gigante Viação São Geraldo, última grande aquisição.

É a segunda em liquidez, com índice de 2,09, o que significa que para R$ 2,00 que possui, R$,0.90 representam dívidas e encargos, segundo levantamento no Ministério do Desenvolvimento, feito pela Revista Especializada “Melhores e Maiores dos Transportes” – referente ao ano de 2009. è a terceira do setor de transportes rodoviários em receita operacional líquida.

Conservadora, como é a postura de seu patrono, Abílio Gontijo, a empresa quer ser maior ainda e não descarta encostar na maior empresa rodoviária do País, a Itapemirim, fundada por Camilo Cola.

Segundo a Gontijo, um dos pontos estratégicos para o crescimento da empresa é a Região Metropolitana de São Paulo. Já estão sendo estudadas ampliações de trajetos, horários e de frota em serviço nas cidades de Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

A companhia percebeu que o deslocamento dessas cidades para terminais da Capital como do Tietê e da Barra Funda é difícil, principalmente para quem precisa viajar e levar uma grande quantidade de mala, um verdadeiro sacrifício nos trens, metrô e ônibus urbanos lotados. Nem todos podem pagar táxi dessas cidades até às rodoviárias principais de São Paulo. Se há demanda, por que não chegar a ela?

Foi assim que cresceu a Gontijo. A empresa começou com uma simples jardineira, dirigida pelo fundador, o mineiro Abílio Gonjtijo, que enfrentava lama e estradas quase intransponíveis, em 1943, entre Patos de Minas e Carmo do Parnaíba.

Abílio Gontijo começou no ramo com 19 anos e idade e foi um dos primeiros a usar o álcool como combustível em transportes coletivos. Na época, ocorria a Segunda Guerra Mundial que ocasionou uma enorme escassez de petróleo em todo o Planeta. As empresas tinham cotas para compra de gasolina e o diesel (na ocasião, pouco usado para abastecer os rústicos ônibus de madeira. A maioria das empresas optava pelo insalubre gasogênio, um combustível pobre e muito poluente, considerado cancerígeno, obtido pela queima de carvão e madeira. Com amplo conhecimento prático em mecânica, Abílio Gontijo conseguiu fazer sua Jardineira Chevrolet Comercial rodar com álcool.
Tradicionalmente cliente da marca Busscar, a empresa teve de buscar alternativa na encarroçadora Marcopolo para atender seu plano de crescimento.

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