Dilma tem respostas a dar para setor de transporte

 

Escândalos e bolinhas de papel fizeram com que muitos assuntos prioritários, como mobilidade, fossem colocados em segunda plano. BRT é um dos principais discursos

Sistema de ônibus em Curitiba é melhor exemplo de respeito ao passageiro

É sabido que o setor de transportes, tanto rodoviário, ferroviário e aéreo são essenciais não apenas para o desenvolvimento econômico de um país.
O segmento é responsável pela integração social e pela melhoria da qualidade de vida da população. É o que deveria pelo menos ser objetivo de todo representante público e pleiteante a qualquer cargo dentro desta função.

Os transportes auxiliam no ir e vir das pessoas, proporcionando a execução das diferentes atividades econômicas, no setor da saúde, levando com dignidade os necessitados de atendimento aos postos e hospitais, atuam em conjunto com a geração de emprego e renda e até mesmo sendo um dos ramos que dão acesso aos equipamentos de lazer, direito de todo o cidadão.

Parece que estamos escrevendo o óbvio. E realmente é o óbvio mesmo. Porém, algo tão óbvio pouco foi explorado nas campanhas dos dois presidenciáveis, Dilma Roussef (PT) e José Serra (PT).

Escândalos que marcam os dois lados, que vão desde coisas realmente graves, como vazamentos de dados da Receita Federal ou coligados que fogem com dinheiro de campanha até a tão famosa bolinha de papel, apagaram verdadeiras propostas.

Somente promessas vazias e discursos repetidos marcaram as campanhas.
As campanhas deste ano que provaram mais uma vez: o setor de transportes realmente nunca foi levado a sério por boa parte da classe que deveria representar a população. Por isso que justamente o setor de transportes é um dos que mais dão margens à ilegalidade e à criminalidade, permitindo que, pela ausência do estado, muitas pessoas mal intencionadas, não generalizando e que à margem da lei acabam loteando os transportes em diversos níveis, desde serviços bairro a bairro com lotações, até grandes conglomerados de viações e aviações.

O discurso unânime das duas campanhas em relação aos transportes urbanos foi a criação e a ampliação de BRT – Bus Rapid Transit, em diversas cidades. Realmente, a sociedade se deu conta que o BRT não anula o metrô, mas é a solução eficiente e rápida para as realidades dos municípios, tanto estruturais como financeiras.

No entanto, a principal justificativa para a implantação dos BRTs, sistemas de corredores de ônibus exclusivos, modernos e eficientes, têm sido a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Tudo bem que a demanda de transportes vai aumentar, sim, por conta desses dos eventos e o Brasil não pode fazer feio para o mundo, mas independentemente de Copa ou não, o povo brasileiro merece melhores transportes. E demais estruturas.

(Enquanto eu escrevia este texto, domingo, sem chuva, sem vento forte, a energia do nada caiu e perdi boa parte do texto. Poxa, cadê a fiscalização em relação às operadores de serviços)

Agências têm: ANTT para os transportes, mas eles continuam ruins e nas mãos de pessoas inescrupulosas. ANEEL tem, mas o sistema energético brasileiro é pífio. ANAC existe, mas até agora o momento de crise do setor aéreo só aumenta. Temos Agência até pra água, mas o saneamento básico e a preservação das bacias brasileiras são insuficientes. Tais agências têm tido um papel muito mais de geração de emprego no serviço público, que aumento em mais de 30 % nos últimos anos, do que para os fins que foram criadas.

As propostas de Dilma Roussef, presidente eleita, eram parecidas com as de José Serra: aumento de ferrovia, da capacidade dos aeroportos, criação de BRTs (corredores de ônibus) e incentivo ao sistema de bilhete único.

Aparentemente bem intencionadas, mas pouco foi explicado como é que vão fazer isso. A que custos? E se realmente enfrentarão aquelas que lucram com o precário estado dos transportes urbanos ? Respostas que caberão a nova presidente.

Que Dilma se lembre que ônibus não é assunto só de Prefeitura ou Estado não.

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