Quando jogador e torcedor pegavam o mesmo Mercedes

 

Imagine pegar o ônibus no ponto e sentar ao lado do ídolo do futebol que no fim de semana arrasou em campo. Esta cena era possível, mas apenas no passado

Empresários, engenheiros, advogados, jornalistas, médicos, artistas cientistas…seja qual for a profissão, é difícil ter salário como o dos jogadores de futebol.

Mestres da maior paixão do brasileiro, os jogadores considerados estrelas ostentam na vida como se fossem “xeiques das arábias”. Carrões, mulheres, noitadas, casas e apartamentos que são verdadeiras manões. Eles levam alegria aos brasileiros, mas muitos perguntam. Será que merecem tanto?

A verdade é que os ganhos de um só jogador considerado estrela do futebol são superiores ao lucro de companhias que empregam dezenas de funcionários e até mesmo maiores que os PIBs de muitos municípios brasileiros.

Mas como sempre enfatizamos em nosso espaço, a história dos transportes pode refletir tudo: conjunturas econômicas, sociais, de determinados setores específicos, histórias humanas e comportamentais e por que não da realidade dos craques da bola.

Esta imagem resgatada pelo historiador Cláudio Catalano, publicada na revista Placar de 1982, mostra uma realidade impensada pelas gerações atuais.

Acreditem: houve uma época que você poderia encontrar o seu ídolo das quatro linhas no ponto de ônibus.

Os jogadores mais renomados, nos anos de 1980, já tinham seus carros e todo o conforto já inimaginável para um assalariado comum. Mas entre os anos de 1950 e 1970, contam os mais velhos, principalmente nos ônibus rodoviários era possível ver um craque andando tranquilamente.

Como em outras áreas, a exemplo do comportamento e da tecnologia, os anos de 1980 foram marcados pela transição. Jogadores de grandes clubes já andavam em carrões – seus colegas em carrões ainda maiores.

A foto mostra um Caio Gabriela II, Mercedes Benz OF 1113, logo atrás de um Caio Gabriela I, do mesmo chassi, da Auto Viação Urubupungá, em Osasco, empresa da família Saraiva, fundada nos anos de 1960, tradiconal na cidade. Uma das pessoas mais famosas de Osasco nesta época era Vargas Tiago Camilo, ou simplesmente o Vargas, lateral do Palmeiras.

Na reportagem da Revista Placar, de 1982, ele aparece embarcando no velho Gabriela (ídolo de qualquer busólogo mais antigo), o segundo dos dois ônibus que usava para sair de sua cidade natal na Grande São Paulo para chegar ao Palestra Itália, na zona Oeste da Capital Paulista.

Pois é amigos, um jogador titular de um clube como o Palmeiras indo treinar de Mercedes….Mercedão mesmo.

Na oportunidade, Vargas dizia que era tranqüilo andar de ônibus. Todos o conheciam na cidade e o assédio era comedido.

Atualmente há duas realidades. A do jogador de time grande que virou estrela mesmo e que pra ele a ostentação é um dos pontos importantes da vida, o que mexe até com sua cabeça e relacionamento com as demais pessoas; e a violência, com a série de assaltos e sequestros que as pessoas com mais visibilidade e destaque financeiro estão mais sujeitas.

Vargas brilhou Palmeiras entre 1980 e 1984, quando foi para o São Bernardo.
Paulinho de Almeida, Fedato e Rubens Minelli foram os seus comandantes nessa passagem pelo verdão.

O time que mais o destacou era formado por João Marcos, Vargas, Luiz Pereira, Nenê Santana, Nenê, Rocha, Carlos Alberto Borges, Jorginho, Barbosa, Carlos Alberto Seixas e Carlos Henrique.

Prematuramente, aos 45 anos de idade, no dia 7 de fevereiro de 2009, Vargas deixou os gramados da vida jogando futebol. Em Cotia, na Grande São Paulo, ele participava de um jogo de Várzea quando foi vítima de um infarto fulminante.

Fica a homenagem à família, à torcida do Palmeiras e a lembrança de uma época na qual as coisas eram mais simples, até no dia a dia dos boleiros.

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