O Rei dos gramados no rei das estradas

 

Quando Edson Arantes do Nascimento vinha ao mundo surgia também uma indústria profissionalizada de ônibus

Dia 23 de outubro é uma data marcante para a história do futebol Mundial. No ano de 1940, nasceu Edson Arantes do Nascimento, em Três Corações, Minas Gerais.

Se nos anos de 1940 nasceu aquele que viria a mudar os rumos do esporte mais popular no Brasil e em vários países, foi exatamente nesta década que surgiram empresas encarroçadoras de ônibus especializadas e profissionais que também seriam craques e mudariam a história dos transportes coletivos.

Enquanto Edson ainda não era Pelé, Nicola não era Marcopolo e Nielson não era Busscar, mas estas empresas começaram a surgir para dar um novo paradigma ao setor e atender ao crescimento urbano e populacional que mudava as relações pessoais e a forma de deslocamento nas cidades. A Caio surgia na mesma década de Pelé.

Como de corressem em paralelo, cada um em sua carreira, Edson e essas fabricantes de carrocerias de ônibus genuinamente brasileiros ganhavam destaque. Primeiro por aqui, depois no mundo.

Assim como o Futebol Brasileiro é um dos mais respeitados no Planeta, a indústria de ônibus do País tem também a mesma credibilidade.

Filho de Celeste Arantes e João Ramos do Nascimento, aos três anos de idade, Edson mudou com os pais para Bauru, no interior de São Paulo.

Foi aí que começou desde criança a brilhar nas quatro linhas.

Edson tinha um jargão, que adaptado criou uma verdadeira bandeira nos esportes mundiais.

Quando estava com o Vasco de São Lourenço gritava sempre para o goleiro Bile: “Defende, Bilé. Defende Bile”

Era quase todo o jogo a mesma coisa até que Bile virou apelido de Edson. Mas algumas crianças tinham dificuldades em dizer Bile e Pelé, logo pegou.

Em 1955, a indústria de ônibus já havia descoberto a eficácia, leveza, durabilidade, resistência e economia proporcionada pelas carrocerias metálicas, em substituição às carrocerias de madeira.

Foi neste ano o ex jogador Waldemar de Brito descobriu Pelé e o levou para o Santos. O futebol mundial nunca mais seria o mesmo.

Rei, Melhor Jogador do Mundo, Atleta do Século são alguns dos atributos dados à Pelé.

Foram 1281 gols e uma influência mundial ao ponto de ser recebido por três papas Pio 12, João Paulo II e Bento XVI, e até mesmo conseguir suspender a Guerra Civil no Congo em 1969.

Mas qual modelo seria o Pelé dos ônibus? (Aliás, Pelé significou sinônimo de excelência). Difícil responder, foram vários modelos que contribuiriam para o desenvolvimento não só da indústria, mas econômico, social e humano.

Mas um dos modelos marcantes certamente foi o Monobloco O 321 da Mercedes Benz. Não foi o primeiro Monobloco do País, em 1943 a GM já faria o seu, mas foi o modelo que consagrou o modelo integral de veículos, com motor, chassi e carroceria num bloco, uma peça só. Assim como depois de Pelé, o futebol não foi mais o mesmo, depois do Monobloco O 321, a forma de fabricar ônibus no Brasil, ônibus de verdade, não carrocerias sobre caminhão, mudou também.
Por isso, nestes 70 anos de aniversário de Edson Arantes do Nascimento, nada mais apropriado que a foto de um Rei, Pelé, ao lado de outro Rei, um Monobloco Mercedes Benz.

O veículo pertencia a Colsan, de Coleta de Sangue, uma das ações sociais que o Rei participou. Aliás, essa é uma das características de Pelé, que sempre participou de atos em prol do próximo.

Nenhum rei no entanto é perfeito. A história de Pelé é marcada por glórias. Edson, um ser humano comum, teve seus momentos controversos: o não reconhecimento da filha Silvia Regina e a acusação de envolvimento de seu filho Edinho em acusações de participação em esquemas de tráfico de drogas.

Cobrindo a matéria pela CBN, foi a oportunidade que tive de estar mais próximo dessa figura brasileira. Mas diante de mim, naquela sede de Polícia, não estava o Rei Pelé, e sim o pai Edson, que perguntava: “No que errei?”.

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