Personagem em triste história na Ditadura Militar

Os ônibus foram envolvidos num dos episódios mais tristes e marcantes da história da luta estudantil brasileira. No conflito da Rua Maria Antônio em que um estudante foi morto, veículos foram depredados.

Não é de hoje que é possível saber que a história dos ônibus pode servir para entender e até mesmo explicar fatos marcantes da história das cidades, estados e do País. Por que não dizer do mundo? Por ser um setor extremamente inserido na sociedade, inclusive dependendo e prestando serviços a outros segmentos, a imagem dos ônibus aparecer inserida em várias ocasiões.

Nesta foto, de outubro de 1968, do Jornal Folha de São Paulo, guardada pelo pesquisador Roberto Zulkiewicz, é possível ver vários ônibus que serviam a Capital Paulista neste ano. Em primeiro plano, de traseira, um Grassi Argonauta, mais a frente Monoblocos Mercedes Benz O 321, além de veículos da Caio e da extinta Metropolitana.

A cena é entre a Avenida São João e o Vale do Anhangabaú, em meio a uma passeata e protesto motivado pelo Conflito da Rua Maria Antônia.
No dia 31 de outubro, é dia de eleições no Brasil, apesar da anti-democracia do voto obrigatória e da não consideração dos votos válidos, que literalmente levam palhaços ao poder, é um momento que ainda o País pode senão escolher seus rumos, já que as políticas são tão opostas nas campanhas porém tão semelhantes na prática, pelo menos pode ter opções para mais tarde saber cobrar.

Em 1968, época dessa foto, não era assim.

Todos sabem, mesmo que pelas páginas dos livros da história, como era difícil pensar ou expressar esse pensamento no chumbo da Ditadura Militar, que manchou a história política brasileira entre 1964 e 1985.

Muitas vezes, no entanto, os ânimos não davam para ser contidos e ações até mesmo irracionais aconteciam.

Os estudantes eram diferentes de hoje. Eram mais críticos e mais politizados, o que não significa que era o perfil de jovens perfeitos, muitas vezes, tais estudantes eram usados como massas de manobra da direita e da esquerda.

São famosos os relatos de estudantes contra o regime, mas havia os favoráveis, que eram cativados com os discursos anti-comunistas, pregados pelos que se mantinham no poder. Os revoltosos contra o sistema também eram usados de certa maneira, apesar de todos, terem sim um posicionamento político.

Exemplo desta mistura de massa de manobra consciente foi justamente o Conflito da Rua Maria Antônio, que durou 36 horas, e terminou com os prédios da Mackenzie e Faculdade de Filosofia da USP parcialmente destruídos, ônibus e carros danificados e um estudante morto, José Guimarães.

Muitos devem logo imaginar que o conflito ocorreu entre polícia e os estudantes. Mas desta vez, mesmo responsável pela situação política da época, o Regime Militar viu estudantes se enfrentarem.

O conflito que iniciou no dia 2 de outubro por volta das 10 h da manhã tratou-se de um confronto entre estudantes do Mackenzie e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Os estudantes do Mackenzie se revoltaram contra o fato de os alunos da USP estarem cobrando uma espécie de pedágio na rua para arrecadar fundos para movimentos contra o regime. O Mackenzie abrigava os alunos pró regime e movimentos como CCC _ Comando de Caça aos Comunistas, FAC – Frente Anticomunista e MAC – Movimento Anticomunista. A briga começou com ovos sendo atirados uns contra os outros e terminou com gás lacrimogênio, bombas de ácido, técnicas de guerrilha e tiros. Morto, José Guimarães, não pertencia a nenhuma das faculdades. Contra o regime, cursava o 3º ano do Ensino Médio do Colégio Marina Cintra.

Muitos aproveitaram a ocasião para darem entrevistas muitas vezes não muito felizes.

Uma delas, destacada pela Veja na época foi de José Dirceu, que segundo a revista disse: “As violências da direita estão sendo respondidas pela violência organizada do povo e estudantes”

Hoje o conflito pode acontecer sim, mas no campo das idéias. Basta agora, tê-las.

3 comentários em Personagem em triste história na Ditadura Militar

  1. obrigado pela pesquisa beijossssssssssssssssss.

  2. jõao rafael é mais ou mesno bonito né.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: