Pacotão de novidades a bordo

 

Rio de Janeiro e São Bernardo recebem ônibus novos, Júlio Simões com pintura diferenciada e motoristas em Mauá recebem treinamento para articulado moderno. Confira os flagrantes de estradas

Ficar a beira de uma estrada para o jornalista que cobre área de transporte é o mesmo que ficar com uma mesinha ao lado da sala do delegado pra quem cobre polícia ou ter um sofá no camarim do artista pra quem faz cobertura da área de cultura. Poucas horas de estrada foram possíveis adiantar várias novidades. Uma delas é para os cariocas.

A Gire, novo nome a Erig Transportes do Sistema Municipal do Rio de Janeiro, trouxe um lote de ônibus novos Neobus Mega OF 1722 M , da Mercedes Benz.

O ônibus foi flagrado por este repórter em Fazenda Rio Grande, no Paraná, num posto de descanso dos motoristas. O nome na lataria está Gire, que é Erig ao contrário. De acordo com o pesquisador de transportes do Rio de Janeiro, Marcelo Malaquias, essa foi uma solução encontrada por algumas empresas com débitos tributários e judiciais participarem da mais recente licitação do sistema da capital fluminense.

Muitas mudaram a razão social e, mesmo com os carros, garagens e funcionários sem nenhuma alteração, são consideradas novas viações e, com novo nome.

Segundo Malaquias, esse expediente foi usado por outras companhias em situação complicada também, mas que não querem deixar o filão lucrativo dos transportes na cidade do Rio de Janeiro.

A Transportes Amigos Unidos se transformou em Translitorânea, a Ocidental, que até teve linhas caçadas, em Rotas Rio, a Oeste em Algarve e a Erige, em Gire.

De acordo com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a licitação previa a operação por 20 anos, com ônibus de suspensão a ar, motor traseiro, câmbio automático e direção hidráulica.

Por mais novo que seja este ônibus flagrado pela reportagem, o veículo é motor dianteiro, com câmbio manual e sem os demais atributos.

Além disso, o prefixo do veículo e a pintura não seguem a padronização do novo sistema do Rio de Janeiro, embora que isso possa ser explicado pelo fato de o ônibus ter sido encomendado antes da definição da nova pintura e da reorganização dos prefixos.

Ocorre que, por conta do aumento da demanda, e a paralisação temporária da Busscar, outras encarroçadoras ficaram sobrecarregadas. Uma encomenda que era entregue em no máximo 2 meses, hoje pode demorar até seis meses.

Isso revela uma fragilidade do setor de carrocerias. Por mais modernos que sejam os processos produtivos, a ausência de uma fábrica, no caso a Busscar, pode causar filas e filas de encomendas nas demais encarroçadoras. E o mercado é bem concentrado Existem poucas fábricas de carroceria de ônibus:

– A Busscar que ficou meses parada e que só agora retoma aos poucos a produção
– A Comil que é vista como uma das esperanças do setor
– A Caio que lidera o ramo de urbanos, está abarrotada de encomendas, mas que ainda não tem muita expressão no setor rodoviário
– A Irizar que não atua no segmento urbano com produtos diferenciados de alto padrão
– A Marcopolo que produz a toque de caixa os urbanos Torino e Senior Midi na planta da Ciferal do Rio de Janeiro e tem encomendas gigantes de rodoviários
– A Mascarello que tem crescido mas ainda precisa maior expansão para atender a demanda
– A Metalbus (Maxibus) que tem pouca participação no mercado, apesdar de registrar crescimento; Neobus que, apesar de ter veículos rodoviários, tem corrido para dar conta da demanda de urbanos.

O Rio de Janeiro tem 6 áreas de operação. Cinco foram licitadas e a do centro, por ser uso comum de todo o sistema, é gerenciada de perto pelo poder público.

No setor de fretamento, a novidade fica por conta da Júlio Simões.

Também em Fazenda Rio Grande, no Paraná, este repórter flagrou um lote de ônibus novos Marcopolo Ideale 770, com pintura diferenciada da empresa Júlio Simões.

O veículo chamou a atenção. De início, pela pintura bem diferente do atual padrão de fretamento, nem era possível perceber que era da Júlio Simões.

Os ônibus são diferenciados. Além das cores vermelha, amarela e verde, os veículos possuem um giroflex na frente.

Isso por conta do tipo de serviço que vão prestar. Eles circularão na mineradora Vale do Rio Doce e será necessária esta sinalização a mais no veículo para garantir segurança.

Já a cidade de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, recebeu 20 ônibus novos Caio Apache Vip II, OF 1722 M – Mercedes Benz. Os investimentos do Consórcio SBCTrans, que opera com exclusividade os transportes em São Bernardo, foram de R$ 5,5 milhões de reais. Os ônibus têm motorização dianteira eletrônica.

Com a aquisição destes veículos, a frota municipal de Sapo Bernardo do Campo sobe para 377 ônibus. A previsão da Prefeitura é colocar nas ruas mais 30 ônibus novos até 2011. Com computador de bordo, que permoite comunicação entre motorista e garagem, os ônibus têm capacidade para 75 passageiros e seguem as normas de acessibilidade. Até agora 62 micro–ônibus foram colocados em circulação. Todos 0 Km.

Em Mauá, na Grande São Paulo, a novidade fica por conta da nova empresa na cidade, Leblon Transporte de Passageiros. Este repórter, em parceria com o analista de qualidade da empresa, Diego Viera, que também é busólogo com orgulho, anunciou em primeira mão a chegada do Marcopolo Viale Volvo B 12M, inédito no ABC Paulista. O veículo possui os mais avançados sistemas de tecnologia, tanto de operação, manutenção e comunicação. Suspensão hidráulica com controle eletrônico, freio ABS, computador de bordo integrado com parte elétrica, motor e até mesmo com inclinações da carroceria e 4 portas largas para acesso dos passageiros são algumas das inovações.

Além de ser bom de volante, o motorista para operar este veículo de 18 metros de comprimento tem de estar atualizado com estas tecnologias.

Por isso que nesta semana já começaram os cursos, testes e capacitações ministrados em parceria entre a empresa Leblon e a fabricante Volvo.

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