TCU vai sugerir na terça-feira que Congresso não aprove recursos para corredor de ônibus Radial Leste
Publicado em: 5 de novembro de 2016
São 15 obras embargadas em todo país com recomendação de bloqueio. Outras 79 terão de mudar editais e cronogramas
ADAMO BAZANI
Conforme adiantou o Diário do Transporte na edição de 20 de outubro de 2016, o TCU – Tribunal de Contas da União vai recomendar que o Congresso não aprove a liberação de recursos federais para a construção do Trecho 1 do corredor de ônibus da Radial Leste, que enfrenta problemas desde 2015. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/10/20/tcu-mantem-parecer-a-bloqueio-de-recursos-federais-para-corredor-de-onibus-radial-leste-em-sao-paulo/
O relatório final do TCU será votado na próxima terça-feira, 8 de novembro, e encaminhado para a Comissão Mista de Orçamento.
Esta a comissão é que dará a decisão definitiva sobre a paralisação do projeto até a regularização dos pontos destacados pelo órgão de contas.
Ao todo, o Tribunal de Contas da União vai pedir que em 2017 sejam bloqueados recursos para 15 obras que contariam com financiamentos federais, como do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento.
Ao longo de 2015, o TCU realizou auditoria em 126 obras com orçamento total de R$ 34,7 bilhões e constatou irregularidades em ao menos 94 intervenções. Mas em 79 delas, recomendou correções nos editais. Nas 15 bloqueadas, entre as quais o corredor de ônibus, os problemas foram considerados mais graves e os editais e cronogramas terão de ser totalmente refeitos.
Descumprimento de prazos, custos mais altos do que de mercado e erros ou até mesmo ausência de projetos são os principais problemas encontrados pelo TCU nestas obras.
CORREDOR RADIAL LESTE 1:
O Ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, recomendou que o colegiado do órgão mantenha o parecer ao bloqueio de verbas federais para o financiamento da construção de parte do corredor de ônibus Radial Leste, considerado um dos projetos mais importantes para mobilidade na região.
A primeira decisão que voltou pelo entendimento de que o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal não destinem recursos para o Trecho 1 do corredor de ônibus da Radial ocorreu em 8 de outubro de 2015. Agora, segundo parecer do ministro de 11 de outubro deste ano, a Siurb – Secretária Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo não teria feito todos os ajustes recomendados pelo TCU.
O Corredor de ônibus – Radial Leste está dividido em 3 trechos. O trecho 1 possui 12 km de extensão, com um traçado que parte do Terminal Parque Dom Pedro II até a Rua Joaquim Marra (800 m após a estação Vila Matilde do Metrô/SP), por meio da Avenida Alcântara Machado (Radial Leste). O trecho 2, por sua vez, tem 5 km de extensão e dá continuidade ao Trecho 1 até a Estação Artur Alvim do Metrô/SP, seguindo o percurso da Av. Radial Leste.
Já trecho 3 tem extensão de 9,5 km e se inicia no encontro da Avenida Águia de Haia com a Avenida Radial Leste (denominada de Av. José Pinheiro Borges em outro trecho) e segue pela extensão da Av. Radial Leste. Mais adiante, o traçado segue pela Av. José Pinheiro Borges, a qual se transforma em Rua Copenhague, nas imediações do CEU Jambeiro. Finalmente, o trecho 3 termina na confluência da Rua Copenhague com a Rua Capitão Pucci, perto do Viaduto Antônio Sylvio Cunha Bueno, a cerca de 600 m da estação Guaianases da CPTM.
A recomendação pela permanência de bloqueio dos recursos federais é referente ao lote 1 que custaria R$ 438 milhões 978 mil 639 reais e 75 centavos.
A execução das obras é de responsabilidade Consórcio Mobilidade Urbana SP formado pela Construtora OAS S/A (líder do consórcio) e EIT Engenharia S/A.
Uma das possíveis irregularidades apontadas pelo TCU foi sobrepreço de 22% do valor da obra
“Corredor de ônibus Radial Leste – Trecho 1, localizado no município de São Paulo/SP, tendo sido estimado potencial dano ao erário de R$ 64.424.335,76 devido ao sobrepreço e à restrição à competitividade da licitação.” – diz acórdão de 27 de julho que foi incluído para análise do colegiado.
Somente com cimento, o sobrepreço, segundo o TCU, ficaria próximo de R$ 3 milhões:
“Considerando conservadorismo no consumo de cimento de 160 kg/m³, o sobrepreço do item passa a ser de R$ 2.730.953,19.”
Sobre o eventual prejuízo à concorrência na licitação, o TCU aponta eventuais vícios que podem levar à formação de conluio.
“ Na verdade, o Edital de pré-qualificação trouxe exigências que, em conjunto, restringiram a competitividade da licitação: (i) implantação ou readequação de corredor de ônibus (restrição do tipo de obra); (ii) execução de seis serviços em único contrato ou em contratos simultâneos; (iii) execução de cada serviço a partir de uma determinada quantidade; e (iv) vedação a que uma mesma licitante se sagrasse vencedora em mais de uma obra, não obstante tenham sido feitas 15 pré-qualificação simultâneas.
A vedação a que uma mesma licitante pudesse se sagrar vencedora não foi justificada pela Siurb/SP, principalmente considerando que a abertura das propostas de preços das concorrências dos 15 empreendimentos não foi integralmente simultânea.
Por exemplo, enquanto a licitação para o Corredor Radial Leste – Trecho 1 teve suas propostas entregues em 20/2/2013 (peça 105), a licitação do Corredor Leste – Itaquera, no qual o Consórcio Mobilidade Urbana SP também foi pré-qualificado (peça 142, p. 2), teve sua abertura em 5/4/2013 – cerca de 2 meses depois da licitação do Corredor Radial Leste – Trecho 1, quando já se sabia que esse consórcio havia se sagrado vencedor, haja vista que o julgamento das propostas ocorreu em 26/2/2013 (peça 94).
Portanto, a vedação a que uma mesma licitante se sagre vencedora de mais de um certame, associada ao conhecimento prévio das participantes propiciado pela pré-qualificação, elevou o risco de ocorrência de conluio no caso concreto.”
PARALISAÇÃO PODE PREJUDICAR COFRES FEDERAIS:
Após respostas da Sirub, o TCU fez novas vistorias ao canteiro de obras e verificou que a paralisação da construção do corredor também pode representar custos maiores aos cofres federais.
“Convém trazer à baila que, no caso concreto, a paralisação das obras, além dos evidentes prejuízos sociais, também importou em risco de danos ao erário federal, uma vez que, embora as obras estivessem paralisadas, os pagamentos de Administração Local e de Manutenção do Canteiro de Obras foram mantidos em sua integralidade com pagamentos fixos mensais, causando distorções e desequilíbrios no cronograma físico-financeiro da obra…. a obra pouco avançou em sua execução física (avanço físico de 1%). Não obstante, os pagamentos de Administração Local, no momento da execução da fiscalização, já totalizavam acumuladamente 19,44% dessa rubrica.. Portanto, no caso concreto, além do risco de não contar com os recursos federais assumidos pelo compromissário, havia o risco de que o erário federal custeasse uma distorção financeira ocorrida no contrato da obra acarretada por sua paralisação, na medida em que a documentação dos autos deixa claro que a Prefeitura de São Paulo/SP espera ser ressarcida pelas despesas já incorridas.”
O TCU destacou que a obra em si não foi bloqueada pelo órgão. A recomendação é que os recursos federais não sejam liberados. Com verbas próprias ou de outras fontes, a cidade poderia continuar a construção do trecho do Corredor, o que, na prática, é muito difícil devido à situação financeira dos cofres municipais e pela crise econômica,
“Importante destacar que, por se tratar de objeto licitado e contratado pelo município de São Paulo anteriormente à celebração do Termo de Compromisso 0425.745-96/2013, tal medida não constitui interferência na autonomia do ente municipal, que pode, se assim o desejar, dar prosseguimento à avença, desde que não se utilize de recursos federais.”
A Prefeitura de São Paulo sempre negou sobrepreço nas obras e também cerceamento da concorrência.
Sobre a diminuição no ritmo das obras, o poder público municipal alega que necessita justamente dos recursos do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal, para dar continuidade à construção do trecho do corredor de ônibus Radial Leste 1.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Amigos, bom dia.
Esta matéria comprova que o motor do Brasil FUNDIU mesmo.
O TCU deve ter seu nome alterado TCEU – Tribunal de Contas e ENGENHARIA da União.
Quanto absurdo; o meu comentário, foi censurado por mim mesmo em respeito ao site e aos leitores.
Diante desse CAOS, deletem tudo e façam o Corredor Radial Leste sob o Metro Vermelho ou melhor já façam um outro metro; afinal o buzão já era.
Será que ninguém dos Poderes tem vergonha de como os Poderes trabalham de forma arcaica, errônea e incompativel com a era ZAP ZAP ???
Depois dessa até a esperança morreu.
Meus pêsames.
Att,
Paulo Gil
Esse corredor me da ansiedade, quero ver esse trio formado por trem, metrô e BRT funcionando, muito interessante, só que tem que sair.
voces viram a foto ai em cima , a fila de ônibus parado. SPTRANS, Prefeitura, TCU, e etc. não andam de ônibus, então que se lixem paulistanos.
Olha, se na próxima gestão as obras forem liberadas da mesma forma que foram apresentadas agora, vamos ter a certeza absoluta que o TCU só está de implicância com Haddad.
Tem horas que acho que o Haddad deveria pegar o pessoal do TCU e falar: “vão lá e façam vocês mesmos”.