Em visita à garagem da empresa nesta quinta-feira (5), reportagem mostra as novas poltronas, os retrovisores eletrônicos e um detalhe curioso: dois espelhos convencionais ficam guardados no bagageiro para eventual necessidade de substituição das câmeras
ADAMO BAZANI
O Diário do Transporte conheceu na manhã desta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, os novos ônibus rodoviários da Viação Santa Cruz, durante visita à garagem da empresa na capital paulista.
a empresa agora possui 100% da frota Euro 6 e idade média inferior a dois anos.
São 33 unidades do Marcopolo Paradiso G8 1200, da nova série G8 TEC, equipadas com chassis Scania K370, com motores da geração Euro 6. A reportagem teve acesso aos veículos e registrou em vídeo detalhes do interior, incluindo a nova configuração das poltronas, os acabamentos e os equipamentos eletrônicos de auxílio à condução.
A apresentação ocorre um dia depois de o Diário do Transporte anunciar a aquisição dos 33 ônibus e informar que a Marcopolo superou 200 unidades comercializadas da linha G8 TEC em menos de três meses após o lançamento, realizado na Lat.Bus 2026. Na visita desta quinta-feira, dois aspectos chamaram particularmente a atenção: a preocupação com a ergonomia e o conforto dos passageiros e a utilização de retrovisores eletrônicos, formados por câmeras que substituem os espelhos externos tradicionais. Os veículos contam também com dois retrovisores convencionais removíveis, guardados no bagageiro, para instalação caso seja necessário substituir o sistema digital.
A nova frota permite observar, em veículos destinados à operação comercial, as soluções que a Marcopolo apresentou ao mercado durante a Lat.Bus, em agosto.
O Diário do Transporte conheceu o G8 TEC antes de seu lançamento oficial e acompanhou as explicações da fabricante sobre a evolução da Geração 8, apresentada originalmente em 2021.
O objetivo da atualização é aprimorar aspectos relacionados ao conforto, à segurança, à aerodinâmica e aos custos de operação.
Mas há diferenças entre os equipamentos disponíveis na família G8 TEC e aqueles efetivamente presentes em cada configuração.
No caso da Santa Cruz, são ônibus Paradiso 1200, de um piso, e não os modelos de dois andares, conhecidos como Double Decker (DD).
Essa distinção é importante principalmente em relação aos componentes aerodinâmicos apresentados na feira, que terão incorporação posterior.
Poltronas e acabamento interno: mudanças que o passageiro percebe
Um dos principais pontos mostrados pelo Diário do Transporte no vídeo é o interior dos novos veículos.
A Marcopolo revisou o desenho e os acabamentos das poltronas da série G8 TEC, buscando melhorar a acomodação dos passageiros durante as viagens rodoviárias.
A nova configuração dá atenção à ergonomia, com alterações no formato dos assentos e encostos, nos revestimentos e na disposição dos elementos internos.
Entre as novidades da família G8 TEC está a evolução das poltronas semileito, com alterações destinadas a ampliar a área útil de acomodação e facilitar a utilização de determinados comandos.
Na visita à garagem da Santa Cruz, foi possível observar a padronização das poltronas e dos revestimentos adotada pela empresa.
A ergonomia é especialmente importante nos ônibus rodoviários porque os passageiros podem permanecer sentados durante várias horas.
O formato do encosto, o apoio do corpo e o espaço disponível para acomodação das pernas influenciam a experiência de viagem.
Também é necessário considerar a circulação pelo corredor, o acesso às poltronas e a facilidade de utilização dos equipamentos disponíveis.
A Marcopolo informa que a série G8 TEC recebeu novos padrões de tecidos e acabamentos, além de modificações na ambientação interna.
A fabricante desenvolveu ainda soluções opcionais de climatização, como o Duto Smart, voltado à distribuição mais uniforme do ar pelo salão de passageiros.
Outro recurso disponível na família são os vidros escurecidos na própria matéria-prima, com potencial de reduzir a incidência de calor proveniente das áreas envidraçadas.
Esses equipamentos variam conforme a configuração encomendada por cada operadora e não devem ser considerados automaticamente presentes em todos os ônibus da série.
Nos veículos da Santa Cruz, o destaque registrado pela reportagem está na organização do interior e nas modificações das poltronas, que podem ser observadas no vídeo.
Retrovisores eletrônicos: câmeras substituem os espelhos convencionais
Outra característica dos novos ônibus da Santa Cruz é a utilização de retrovisores eletrônicos.
O equipamento, denominado pela Marcopolo de ERV, sigla para Espelho de Reflexão Virtual, utiliza câmeras externas para captar imagens das laterais do veículo.
Essas imagens são transmitidas a telas instaladas no posto do motorista.
O sistema substitui a visualização realizada por meio dos espelhos convencionais.
Entre os objetivos da tecnologia estão ampliar as possibilidades de observação das laterais, reduzir pontos cegos e auxiliar o motorista em diferentes condições de circulação.
A substituição dos grandes conjuntos externos de espelhos por câmeras também modifica o desenho da carroceria, reduzindo elementos que ficam projetados para fora do veículo.
Segundo a Marcopolo, o sistema ERV é equipamento de série no Paradiso G8 TEC 1800 DD e pode ser instalado como opcional em outros modelos.
É justamente o caso dos Paradiso G8 TEC 1200 apresentados pela Santa Cruz, que receberam o recurso.
A tecnologia exige familiarização dos motoristas com a posição das telas e com a forma de visualização das imagens.
Também requer manutenção das câmeras, dos monitores e dos componentes eletrônicos.
E foi nesse ponto que a reportagem encontrou um detalhe interessante.
Dois espelhos convencionais são transportados no bagageiro para situações de contingência
Mesmo equipados com retrovisores eletrônicos, os novos ônibus da Santa Cruz levam dois espelhos convencionais portáteis.
Eles ficam guardados no bagageiro e possuem instalação prevista no veículo para situações em que seja necessário recorrer ao sistema tradicional.
Ou seja, caso ocorra algum problema com as câmeras ou com os equipamentos eletrônicos de retrovisão, existe a possibilidade de instalar os espelhos físicos, desde que sejam observados os procedimentos técnicos e as condições exigidas para a circulação segura.
O Diário do Transporte mostrou esses equipamentos no vídeo realizado na garagem.
O detalhe pode parecer simples, mas demonstra uma questão importante na adoção de novas tecnologias: os procedimentos previstos para situações de falha.
Um sistema eletrônico pode oferecer recursos diferentes dos equipamentos convencionais, mas a empresa precisa considerar também o que fazer quando há necessidade de manutenção ou substituição.
No transporte rodoviário, isso é particularmente relevante porque os veículos percorrem longas distâncias, circulam por rodovias e precisam manter condições adequadas de segurança.
A presença dos espelhos de reserva não dispensa a manutenção dos equipamentos eletrônicos nem autoriza a circulação em condições irregulares.
Trata-se de uma alternativa para contingências, que depende de instalação correta e das verificações necessárias.
O recurso também mostra uma preocupação que nem sempre aparece nas apresentações comerciais: a praticidade das soluções tecnológicas durante a operação cotidiana.
Chassis Scania K370 já atendem ao padrão Euro 6
As 33 unidades adquiridas pela Santa Cruz possuem chassis Scania K370, da geração Euro 6.
A plataforma utiliza motor traseiro, com potência de 370 cavalos, e integra a atual linha rodoviária da fabricante.
No Brasil, os motores Euro 6 atendem à fase P8 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, o Proconve.
A norma estabelece limites de emissão de poluentes mais rigorosos que os aplicados à geração anterior, especialmente para óxidos de nitrogênio e material particulado.
A tecnologia exige sistemas de controle e pós-tratamento dos gases de escapamento, além de procedimentos adequados de manutenção.
A redução das emissões locais de poluentes é uma das características da evolução dos motores a diesel.
Isso não significa que os veículos deixem de emitir dióxido de carbono, mas representa uma atualização dos padrões ambientais aplicáveis ao transporte rodoviário.
A associação entre a carroceria Marcopolo Paradiso G8 TEC 1200 e o chassi Scania K370 também envolve aspectos relacionados à distribuição de peso, suspensão, desempenho, consumo e manutenção.
Essas características precisam ser consideradas em conjunto na avaliação de um ônibus.
Além dos sistemas mecânicos, o ambiente de trabalho do motorista também tem importância.
A posição dos comandos, a visibilidade, o acesso ao posto de condução e as condições ergonômicas são fatores diretamente relacionados à operação e à segurança.
G8 TEC da Santa Cruz ainda não possui os aerofólios laterais apresentados na Lat.Bus
Uma informação importante para diferenciar os veículos apresentados nesta quinta-feira das novidades mostradas na Lat.Bus está no conjunto aerodinâmico.
Durante a feira, o Diário do Transporte mostrou os aerofólios laterais, também chamados de slats, desenvolvidos pela Marcopolo em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Os componentes foram projetados para reduzir a resistência do ar durante o deslocamento dos ônibus.
A solução foi apresentada principalmente para o Paradiso G8 TEC 1800 DD, modelo de dois andares.
Segundo a Marcopolo, os ensaios e testes realizados com o conjunto aerodinâmico indicaram potencial de redução de até 3,5% no consumo de combustível, dependendo das condições de operação.
Entretanto, os 33 ônibus Paradiso G8 TEC 1200 da Santa Cruz ainda não possuem esses aerofólios laterais.
A incorporação do conjunto completo está prevista inicialmente como opcional para os modelos DD a partir de 2027.
Portanto, o percentual de economia anunciado nos testes do sistema aerodinâmico não pode ser atribuído automaticamente aos ônibus apresentados pela Santa Cruz.
O fato de o Paradiso 1200 ainda não contar com esses componentes também não significa que ele deixe de fazer parte da série G8 TEC.
A nova família reúne diferentes atualizações de produto, que podem variar de acordo com o modelo e com a configuração adquirida pela operadora.
Os veículos da Santa Cruz já incorporam recursos da nova série, como a atualização do interior e os retrovisores digitais.
Tecnologia embarcada vai além dos retrovisores
A nova linha G8 TEC foi desenvolvida com um conjunto de equipamentos voltados à segurança, à conectividade e ao gerenciamento da operação.
Entre as soluções oferecidas pela Marcopolo está o DMS, sigla em inglês para Driver Monitoring System, sistema que utiliza visão computacional para identificar sinais de fadiga, distração e sonolência do motorista.
Quando identifica comportamentos que podem representar risco, o equipamento pode emitir alertas visuais e sonoros.
Outro recurso disponível é o sistema de câmeras com visão de 360 graus, destinado a auxiliar manobras e ampliar a observação do entorno do veículo.
A fabricante também desenvolveu soluções de registro e armazenamento de imagens operacionais, além de atualizações no conjunto de iluminação externa.
Na área de proteção contra incêndios, a série incorpora um sistema de atuação nos estágios iniciais de um princípio de incêndio no compartimento do motor.
Esses recursos fazem parte da evolução tecnológica apresentada pela Marcopolo.
Entretanto, é importante diferenciar os equipamentos oferecidos para a linha daqueles cuja instalação foi efetivamente constatada nos ônibus da Santa Cruz.
Na visita desta quinta-feira, o Diário do Transporte destacou especialmente os retrovisores eletrônicos, os espelhos convencionais de reserva e a configuração interna dos veículos.
A presença de outros opcionais depende da especificação adotada pela empresa.
Santa Cruz está entre as compradoras da nova série, que já ultrapassou 200 ônibus comercializados
A apresentação dos 33 ônibus ocorre em um momento de ampliação das vendas do G8 TEC.
Na quarta-feira, 4 de novembro, a Marcopolo anunciou ter ultrapassado 200 unidades comercializadas da nova linha desde sua apresentação, em agosto de 2026.
Os negócios abrangem empresas de diferentes regiões brasileiras e clientes de outros países da América do Sul, incluindo Argentina, Chile, Colômbia e Peru.
A Santa Cruz está entre as operadoras que adquiriram a nova série.
A compra também representa um exemplo da necessidade de conciliar modernização dos veículos com as condições econômicas do transporte rodoviário.
Novos ônibus exigem investimentos de aquisição e manutenção, mas também podem incorporar equipamentos destinados a melhorar a operação, a segurança e a experiência dos passageiros.
O setor busca oferecer viagens mais confortáveis e, ao mesmo tempo, controlar despesas com combustível, componentes, manutenção e indisponibilidade da frota.
No transporte rodoviário, esses fatores possuem relação direta com a competitividade das empresas.
As operadoras disputam passageiros com outras empresas de ônibus e com diferentes alternativas de deslocamento, inclusive o transporte aéreo em determinados trajetos.
O conforto e a tecnologia, entretanto, precisam ser acompanhados de regularidade, segurança, manutenção e atendimento.
A renovação dos veículos é parte desse processo, mas não substitui os demais aspectos da prestação do serviço.
Veja no vídeo os detalhes dos novos ônibus
A visita do Diário do Transporte à garagem da Viação Santa Cruz permitiu conhecer os 33 novos ônibus Paradiso G8 TEC 1200 com chassis Scania K370 Euro 6 e observar detalhes que vão além das características anunciadas no lançamento industrial.
O vídeo mostra o interior dos veículos, a padronização das poltronas, os retrovisores eletrônicos e os dois espelhos convencionais transportados como alternativa para situações de contingência.
Também permite identificar a configuração externa dos ônibus de um piso, que ainda não possuem os aerofólios laterais apresentados pela Marcopolo para a versão de dois andares.
São diferenças importantes para compreender como as novas tecnologias chegam à operação e quais recursos estão efetivamente presentes nos veículos adquiridos pelas empresas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
