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WEG compra terreno por R$ 44 milhões na Índia e fecha acordo de US$ 11 milhões por negócio nos Estados Unidos

Fabricante catarinense tem produção em 17 países além do Brasil, onde fornece motores, inversores e conjuntos de baterias para ônibus elétricos em parceria com a Eletra

ADAMO BAZANI

A WEG anunciou nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, a compra de um terreno de 400 mil metros quadrados em Dharmapuri, no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, por US$ 8 milhões, cerca de R$ 44 milhões. A área fica a 95 quilômetros do parque fabril de Hosur e eleva para mais de 625 mil metros quadrados a área total da fabricante brasileira no país, onde a companhia tem cinco unidades e cerca de 2 mil funcionários.

Nos Estados Unidos, a WEG assinou em 26 de outubro um contrato de US$ 11 milhões, cerca de R$ 55 milhões, para adquirir a divisão de sistemas de controle para geração de energia da L&S Electric, em Rothschild, no estado de Wisconsin. Os dois negócios mostram frentes distintas da expansão da multinacional de Jaraguá do Sul (SC). Na Índia, a empresa comprou espaço para ampliar a produção. Nos Estados Unidos, o acordo envolve tecnologia e uma carteira de clientes do setor hidrelétrico. No Brasil, parte da atuação da WEG em equipamentos elétricos chega ao transporte coletivo por meio dos motores, inversores e conjuntos de baterias fornecidos para ônibus com tecnologia da Eletra.

Terreno na Índia amplia espaço para produção

A WEG fabrica na Índia desde 2011. As unidades indianas produzem motores elétricos, geradores, reguladores de tensão, sistemas de excitação e inversores de frequência para aplicações industriais. A proximidade entre Dharmapuri e Hosur permite planejar a expansão em torno de um polo onde o grupo já tem produção e mão de obra.

Os US$ 8 milhões correspondem à compra do terreno. O anúncio trata de uma ampliação gradual da capacidade nos próximos anos. O investimento em instalações e equipamentos e a data de início da produção em Dharmapuri ainda não foram divulgados.

Acordo nos Estados Unidos envolve controles para hidrelétricas

O contrato em Wisconsin abrange a divisão Power Controls Solutions, da L&S Electric. A unidade fornece reguladores de velocidade e sistemas de excitação para geradores, equipamentos que ajudam a controlar a rotação das turbinas e a tensão elétrica na geração. Segundo a WEG, a divisão teve receita operacional líquida de US$ 9,6 milhões em 2025 e tem equipamentos instalados em mais de 1.200 unidades geradoras hidrelétricas. Entre os clientes estão concessionárias dos Estados Unidos e do Canadá.

A operação foi anunciada como contrato assinado. A incorporação do negócio deve complementar a atuação da REIVAX North America, empresa do grupo WEG que já fornece sistemas de controle para usinas na região.

Em setembro, a companhia também anunciou um plano de US$ 165 milhões para ampliar a produção de geradores na América do Norte, com foco em aplicações como o fornecimento de energia para centros de dados. A primeira etapa, de US$ 24 milhões, prevê a montagem de geradores em Atotonilco de Tula, no México, a partir do segundo trimestre de 2027. Outros US$ 141 milhões estão previstos para duas instalações industriais na América do Norte, em local ainda a definir, com conclusão projetada para 2030.

Onde a WEG tem produção fora do Brasil

Uma apresentação da WEG de outubro de 2026, divulgada pela publicação portuguesa EVMag, relaciona 69 parques fabris em 18 países. São 19 no Brasil e 50 distribuídos pelos outros 17 países. O terreno recém-adquirido em Dharmapuri é uma área para expansão futura e fica fora dessa contagem.

Região Países com produção e número de unidades
América do Norte Estados Unidos (10), México (4) e Canadá (1)
América do Sul, além do Brasil Argentina (3) e Colômbia (2)
Europa e Turquia Alemanha (3), Itália (2), Turquia (2), Áustria (1), Espanha (1), Países Baixos (1) e Portugal (1)
Ásia e Oceania China (6), Índia (5) e Austrália (1)
África África do Sul (6) e Argélia (1)

A estrutura comercial é mais ampla que a industrial. O perfil corporativo da WEG registra filiais em 44 países no encerramento de 2025. A companhia informa presença comercial em mais de 135 mercados, alcance que inclui vendas e distribuição. Dos R$ 40,8 bilhões de receita líquida de 2025, 59% vieram de vendas realizadas fora do Brasil.

De uma fábrica de motores em Jaraguá do Sul a um grupo industrial brasileiro com produção no exterior

A WEG nasceu em 16 de setembro de 1961, em Jaraguá do Sul (SC), com o nome Eletromotores Jaraguá. Os fundadores reuniram três especialidades. O eletricista Werner Ricardo Voigt desenvolveu o protótipo do motor que deu origem à empresa. O administrador Eggon João da Silva cuidou da gestão, e o mecânico Geraldo Werninghaus assumiu a produção. As iniciais dos três deram origem ao nome WEG.

Em 1964, a empresa começou a produzir no primeiro parque fabril. Quatro anos depois, criou o CentroWEG para formar mão de obra técnica. As exportações começaram em 1970, com vendas para Guatemala, Uruguai, Paraguai, Equador e Bolívia. As ações passaram a ser negociadas em bolsa em 1971 e, em 1973, os motores da fabricante já chegavam a 20 países.

A partir dos anos 1980, a WEG passou a produzir também componentes eletroeletrônicos, equipamentos de automação, transformadores, tintas e vernizes para isolamento elétrico. A diversificação permitiu à companhia fornecer sistemas completos para instalações industriais e de energia, além dos motores que haviam dado origem ao negócio.

Em 1991, a fabricante abriu escritório próprio na Flórida, nos Estados Unidos. A produção fora do Brasil ganhou escala a partir dos anos 2000, com a compra de fábricas no exterior, entre elas a operação mexicana. A WEG instalou-se em Portugal em 2002 e começou a fabricar na Índia em 2011.

Uma das maiores operações dessa trajetória foi anunciada em 2023, com o acordo de US$ 400 milhões pelos negócios de motores industriais e geradores da Regal Rexnord, envolvendo as marcas Marathon, Cemp e Rotor. O pacote abrangia dez fábricas nos Estados Unidos, México, Canadá, China, Índia, Itália e Países Baixos. Em 2024, a WEG anunciou outro acordo, de US$ 88 milhões, pela fabricante de motores Volt Electric Motor, na Turquia.

Assim como Marcopolo e Petrobras, em setores diferentes, a WEG integra o grupo de companhias brasileiras que construíram operações próprias no exterior. Para a fabricante catarinense, essa presença se tornou parte do negócio de origem. A maior parcela das vendas já vem de fora do Brasil, e alguns dos investimentos mais recentes ampliam a capacidade em mercados que a empresa já atendia.

Onde a WEG entra nos ônibus elétricos da Eletra

Em setembro de 2023, o Diário do Transporte acompanhou a apresentação de um lote de 50 ônibus elétricos para o sistema municipal de São Paulo (SP), com carroceria Caio eMillennium, sistema de eletrificação da Eletra e plataforma Mercedes-Benz e Scania. O lote reunia veículos de 12,1 metros para a Transwolff, de 15 metros para a Transppass e a Ambiental, e um articulado de 21,5 metros para a Campo Belo.

Nesse projeto, a WEG ficou responsável pelos motores e inversores dos sistemas de tração e auxiliares, além dos conjuntos de baterias de íons de lítio. A Eletra respondeu pela integração do sistema elétrico ao ônibus. O motor movimenta o veículo, o inversor controla a energia entregue ao motor, e os conjuntos de baterias armazenam a eletricidade usada na operação.

A participação da WEG nesse mercado envolve, portanto, mais do que o fornecimento do motor. Para as empresas de ônibus, o desempenho em serviço depende de como bateria, inversor e motor trabalham juntos em uma jornada com partidas, frenagens e paradas frequentes. Essa integração afeta o consumo de energia e ajuda a determinar quantas viagens o veículo consegue cumprir entre recargas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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