Chamamentos públicos envolvem veículos convencionais e articulados, chassis, carrocerias, baterias e infraestrutura de recarga; autonomia mínima exigida é de 250 km. Cidade já opera modelos Eletra/Caio e Marcopolo, que transportaram mais de 2,8 milhões de passageiros em dois anos
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de Porto Alegre (RS) abriu nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, duas consultas públicas de preços direcionadas a fabricantes de ônibus elétricos, chassis, carrocerias, equipamentos de recarga e empresas de engenharia para definir as condições técnicas e comerciais de uma futura aquisição de até 100 ônibus elétricos e da infraestrutura necessária ao funcionamento da frota. Os interessados têm até 25 de novembro para apresentar propostas, que serão utilizadas na formação dos preços máximos das futuras contratações. O projeto conta com uma operação de financiamento de R$ 447,8 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e prevê ônibus convencionais pesados e articulados, com autonomia operacional mínima de referência de 250 quilômetros, inclusive com o ar-condicionado funcionando.
Os dois chamamentos foram publicados no Diário Oficial do Município e representam uma nova etapa do projeto E-BUS POA, que pretende ampliar a eletrificação do transporte coletivo da capital gaúcha. Porto Alegre já possui 12 ônibus elétricos das fabricantes Eletra/Caio e Marcopolo, que começaram a operar regularmente em agosto de 2024 e, segundo balanço divulgado pela Prefeitura em agosto de 2026, transportaram mais de 2,8 milhões de passageiros em aproximadamente 130 mil viagens. Agora, a administração municipal pretende conhecer os preços, a capacidade de produção, as características dos veículos, as garantias e as condições de implantação de um projeto de maior escala. As consultas são preparatórias e não representam uma licitação concluída ou a escolha dos fornecedores.
Os procedimentos são conduzidos pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), com participação da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), e foram divididos em dois chamamentos: o primeiro, destinado aos veículos e componentes industriais, e o segundo, à infraestrutura de carregamento.
A iniciativa faz parte do Programa Mais Transporte e está vinculada ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), na modalidade Mobilidade Urbana Sustentável – Renovação de Frota.
O financiamento de R$ 447.797.487 foi contratado com o BNDES em 10 de julho de 2026. Os recursos contemplam ônibus elétricos a bateria e equipamentos de recarga, novos, de fabricação nacional e habilitados no sistema de credenciamento Finame do banco.
Como funcionará a consulta aos fabricantes de ônibus elétricos
O primeiro procedimento, identificado como Chamamento Público Consulta de Preços 001/2026, tem como objetivo reunir propostas técnicas e comerciais que permitam à Prefeitura estabelecer valores de referência para a futura compra dos veículos.
A administração municipal adotou duas categorias principais: ônibus convencionais pesados e ônibus articulados.
O número de veículos de cada categoria ainda será definido nas próximas etapas, de acordo com o planejamento operacional, os custos apresentados e os instrumentos de contratação.
A consulta não exige que todos os participantes sejam fabricantes de ônibus completos.
Poderão apresentar propostas fabricantes de chassis ou plataformas elétricas, encarroçadoras, fabricantes de ônibus integrais, representantes comerciais formalmente autorizados, integradores e grupos empresariais organizados em consórcio ou parceria comercial.
Essa possibilidade considera a organização da indústria brasileira, na qual o chassi, os sistemas de propulsão elétrica, as baterias e a carroceria podem ser produzidos por empresas diferentes.
Os interessados poderão apresentar preços de veículos completos ou apenas dos componentes que fornecem.
Nos casos de propostas integradas, deverá ser identificada uma empresa responsável pela coordenação do fornecimento e pela integração dos sistemas.
A Prefeitura pretende comparar os valores dos veículos completos e, quando necessário, dos componentes apresentados separadamente, para estabelecer o custo referencial de cada configuração.
A futura aquisição, entretanto, deverá resultar em ônibus completos, homologados, operacionais e aprovados pelos órgãos municipais responsáveis.
Fabricantes deverão apresentar informações técnicas, preços e capacidade de produção
Para participar, os fornecedores deverão utilizar o formulário padrão disponibilizado pela Prefeitura, apresentando uma proposta específica para cada modelo, categoria e modalidade de fornecimento.
O documento deverá identificar a empresa responsável, o fabricante e o modelo do chassi ou plataforma elétrica, a carroceria, as características do veículo e a situação dos componentes no Credenciamento Finame do BNDES.
Também deverão ser informados a capacidade de transporte de passageiros, a autonomia, as condições de recarga, os prazos de entrega, as garantias, a rede de assistência técnica e os preços.
As propostas deverão ser acompanhadas de catálogos, fichas técnicas, desenhos dimensionais, plantas ou layouts preliminares, memoriais descritivos e informações sobre acessibilidade.
Os fabricantes também precisarão apresentar metodologia de avaliação da autonomia e do consumo de energia, curvas de carregamento, plano de manutenção, condições de garantia e estratégia de gerenciamento das baterias durante sua vida útil.
A Prefeitura solicita ainda informações sobre reciclagem, reaproveitamento e destinação final dos componentes, além de possibilidades de recompra e avaliação do valor residual dos veículos.
Outro ponto importante é a capacidade industrial.
Os fornecedores deverão informar quantos ônibus conseguem produzir mensalmente e quais os prazos necessários para engenharia, homologação, fabricação, encarroçamento, licenciamento, entrega e entrada em operação.
O cronograma deverá distinguir o prazo de fornecimento do primeiro ônibus, dos lotes seguintes e da quantidade total prevista.
Também será necessário informar possíveis dificuldades relacionadas ao fornecimento de componentes, integração entre fabricantes e obtenção de registros e aprovações técnicas.
A consulta permitirá à Prefeitura avaliar não apenas os preços dos ônibus, mas também a capacidade de cada fabricante de atender a uma encomenda de maior volume.
Propostas deverão ter validade mínima de 180 dias
O chamamento estabelece que as propostas comerciais tenham validade mínima de 180 dias.
Os preços deverão considerar os custos finais de fornecimento, incluindo tributos, transporte, seguros e outras despesas aplicáveis.
Os fabricantes poderão apresentar valores diferentes conforme as faixas de volume, permitindo avaliar possíveis economias de escala.
Garantias estendidas, peças de reposição, ferramentas de diagnóstico, licenças, treinamento adicional e serviços de operação assistida deverão ser cotados separadamente.
O procedimento não exige, nesta etapa, toda a documentação de habilitação normalmente apresentada em uma licitação.
Os participantes deverão comprovar sua identificação jurídica, representação, experiência compatível com os produtos oferecidos e referências de fornecimentos anteriores.
A habilitação jurídica, fiscal, trabalhista, econômico-financeira e técnica completa será disciplinada na futura etapa de contratação pelas empresas operadoras.
As propostas serão analisadas pela SMMU e pela EPTC, que poderão solicitar esclarecimentos, documentos complementares, demonstrações técnicas, visitas, reuniões e simulações comerciais.
A Prefeitura também poderá solicitar a revisão ou o detalhamento de preços, separando componentes, categorias, baterias, garantias e lotes de fornecimento.
O objetivo é construir uma base de comparação entre soluções equivalentes, sem que a participação na consulta assegure preferência ou direito à contratação.
Como os fabricantes devem encaminhar suas propostas
Os interessados deverão enviar os formulários preenchidos e os documentos técnicos por correio eletrônico.
O endereço estabelecido pela Prefeitura é gs_smmu@portoalegre.rs.gov.br.
Para propostas de ônibus e componentes, o assunto da mensagem deverá ser:
PROPOSTA Chamamento e-bus 001/2026
Para dúvidas sobre o procedimento, o assunto indicado é:
DÚVIDA Chamamento e-bus 001/2026
O prazo termina em 25 de novembro de 2026.
Os formulários e documentos complementares estão disponibilizados pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana.
As empresas poderão identificar informações consideradas sigilosas ou estratégicas, apresentando a justificativa correspondente.
Os dados não protegidos por sigilo poderão ser utilizados pela Prefeitura para formar os preços de referência das futuras aquisições.
O chamamento não determina a contratação de todos os participantes nem estabelece uma classificação competitiva de propostas como ocorreria em uma licitação.
Autonomia mínima de 250 quilômetros deverá considerar ar-condicionado ligado
Uma das principais exigências técnicas para os novos ônibus é a autonomia operacional mínima de referência de 250 quilômetros, com o sistema de ar-condicionado funcionando.
A condição é importante porque a climatização aumenta o consumo de eletricidade e interfere na distância que o ônibus consegue percorrer entre carregamentos.
O desempenho também depende de fatores como lotação, velocidade média, intensidade do trânsito, relevo, temperatura e características das linhas.
Por isso, a autonomia real de um ônibus elétrico pode ser diferente daquela anunciada em testes realizados em condições ideais.
A Prefeitura exige informações sobre capacidade energética útil das baterias, metodologia de medição do consumo e curvas de desempenho.
Os veículos também deverão contar com sistemas de monitoramento, diagnóstico e gerenciamento energético.
Entre os requisitos estão climatização instalada no teto, equipamentos de acessibilidade, compatibilidade com o padrão municipal de ônibus e atendimento às normas técnicas aplicáveis.
A largura externa máxima prevista é de 2,60 metros, enquanto a altura máxima é de 3,54 metros, considerando a suspensão em posição normal de circulação.
Os ônibus deverão ser compatíveis com carregadores de padrão CCS2 e com a infraestrutura que será implantada nas garagens.
Baterias terão garantia mínima de oito anos e retenção de 80% da capacidade
A consulta também estabelece condições de garantia que deverão ser consideradas na formação dos preços.
A proposta-base deverá contemplar garantia integral do ônibus por pelo menos três anos ou 200 mil quilômetros, prevalecendo o que ocorrer primeiro.
Para as baterias de tração, a garantia mínima exigida será de oito anos, com preservação de pelo menos 80% da capacidade energética útil inicial homologada.
Essa exigência procura limitar os riscos associados à degradação das baterias, que perdem capacidade de armazenamento ao longo de sua utilização.
A redução da capacidade pode comprometer a autonomia e exigir adaptações na programação operacional.
Os fornecedores deverão apresentar as condições de garantia, procedimentos de manutenção e responsabilidades relacionadas à substituição dos componentes.
A consulta também considera uma vida útil referencial de 16 anos para o veículo, exigindo informações sobre disponibilidade de peças, substituição de sistemas, suporte tecnológico e manutenção ao longo desse período.
Os fabricantes precisarão indicar as condições de assistência técnica, incluindo suporte aos sistemas elétricos, eletrônicos e de alta tensão.
Treinamento de motoristas, mecânicos e equipes responsáveis pela manutenção elétrica também integra as informações exigidas.
A Prefeitura solicita ainda propostas de logística reversa, reciclagem e alternativas de segunda vida das baterias, incluindo possíveis aplicações estacionárias após o encerramento de sua utilização nos ônibus.
O objetivo é avaliar os custos do equipamento durante toda a vida útil, e não apenas o preço inicial de aquisição.
Segunda consulta envolve carregadores rápidos de 240 kW e 320 kW
O segundo procedimento, Chamamento Público Consulta de Preços 002/2026, é direcionado aos fornecedores da infraestrutura de recarga.
Poderão participar fabricantes de equipamentos, integradores de sistemas, empresas de engenharia, consórcios e outros fornecedores com capacidade para executar projetos completos.
A Prefeitura estabeleceu como referência carregadores rápidos em corrente contínua, com potências nominais de 240 kW e 320 kW.
Cada estação deverá contar com dois conectores CCS2, permitindo o carregamento simultâneo de dois ônibus.
Durante essa operação simultânea, cada conector deverá fornecer potência mínima de 120 kW.
Os sistemas também deverão permitir gerenciamento da potência disponível, monitoramento do consumo de energia e comunicação com as plataformas responsáveis pela gestão da frota.
A eficiência mínima exigida para os carregadores é de 95% em carga nominal.
Os fornecedores deverão apresentar informações sobre curvas de potência, segurança, condições ambientais de operação, medição individualizada de energia e compatibilidade com ônibus de diferentes fabricantes.
O edital também solicita informações sobre atualização tecnológica, substituição de componentes, manutenção e continuidade de funcionamento ao longo da vida útil.
Empresas deverão oferecer solução completa para a recarga
A consulta prevê soluções de infraestrutura no modelo conhecido como turnkey, ou projeto chave na mão.
Nesse formato, o fornecedor ou grupo contratado deverá assumir a responsabilidade pela entrega da instalação completa, desde os projetos até a entrada em funcionamento.
O fornecimento poderá abranger engenharia, carregadores, transformadores, subestações, quadros de proteção, cabos, sistemas de automação, obras civis, instalações elétricas, integração com os ônibus, testes e treinamento.
Também deverão ser considerados os procedimentos de conexão à distribuidora de energia elétrica e as autorizações necessárias.
A proposta terá de apresentar o cronograma de cada etapa, incluindo engenharia, fabricação, fornecimento, obras, energização, testes e operação assistida.
O edital permite a participação de consórcios, desde que seja indicada uma empresa líder responsável pela coordenação da solução.
Diferentemente da simples aquisição de carregadores, a proposta deverá demonstrar que todos os componentes funcionarão de maneira integrada.
O fornecedor também terá de identificar as responsabilidades de cada participante e eventuais dependências de terceiros.
A Prefeitura admite soluções alternativas, desde que os preços, benefícios, limitações e riscos sejam apresentados separadamente.
Essa possibilidade permite comparar diferentes configurações de infraestrutura antes da definição das futuras contratações.
Prefeitura quer evitar dependência de um único fabricante ou fornecedor
Um dos pontos técnicos relevantes do chamamento de infraestrutura é a preocupação com a interoperabilidade.
Os sistemas de carregamento deverão ser compatíveis com diferentes fabricantes de ônibus e permitir integração com plataformas de gestão energética e operacional.
A Prefeitura exige informações sobre protocolos de comunicação, acesso aos dados e possibilidade de substituição futura de softwares, integradores ou prestadores de manutenção.
O objetivo é evitar que a operação fique permanentemente dependente de uma tecnologia proprietária sem alternativas de manutenção ou atualização.
Os fornecedores também precisarão apresentar planos de assistência técnica, atendimento remoto e presencial, disponibilidade de peças críticas e capacitação dos profissionais.
A propriedade, o acesso e a exportação dos dados operacionais e energéticos deverão ser assegurados ao Município e às operadoras, conforme as condições que serão definidas nos instrumentos posteriores.
Essas exigências são importantes porque a infraestrutura de recarga deverá funcionar durante vários anos, acompanhando eventuais mudanças tecnológicas nos ônibus e nos sistemas de gerenciamento.
Obras nas garagens terão custos separados dos equipamentos financiados
A segunda consulta estabelece que os fornecedores discriminem os valores dos equipamentos que poderão ser financiados pelo BNDES e os custos que precisarão ser suportados pelas empresas operadoras.
A operação de financiamento contempla os equipamentos elegíveis, mas não significa que todas as despesas de implantação das garagens serão pagas com recursos públicos.
Obras civis, reforços de infraestrutura e outros itens não aceitos como financiáveis deverão ser custeados pelas operadoras participantes.
As propostas precisarão separar os valores de carregadores, transformadores, subestações, instalações elétricas, obras civis, sistemas de gerenciamento, testes, treinamento e manutenção.
Custos associados a reforços externos da rede, taxas cobradas pela distribuidora de energia, retirada de equipamentos, reciclagem e eventual recomposição das instalações também deverão ser informados separadamente.
A distinção permite avaliar quanto será necessário investir em cada garagem e identificar as despesas que ficarão sob responsabilidade privada.
A Prefeitura poderá solicitar novos detalhamentos ou reuniões técnicas para comparar soluções com diferentes configurações.
Como será formado o preço máximo das futuras contratações
As informações recebidas nos dois chamamentos serão utilizadas na elaboração dos Termos Referenciais de Preços.
Esses documentos estabelecerão os valores máximos para os ônibus, equipamentos e soluções de infraestrutura que vierem a ser contratados.
No caso dos veículos, a Prefeitura poderá comparar preços de ônibus completos com propostas apresentadas separadamente por fabricantes de chassis e carrocerias.
Na infraestrutura, serão avaliados preços unitários, configurações de carregadores, módulos, instalações e soluções completas.
Os preços deverão considerar configurações tecnicamente equivalentes, evitando que diferenças de escopo comprometam as comparações.
As futuras contratações não poderão ultrapassar os limites estabelecidos nos termos referenciais.
Caso uma solução não possa ser contratada dentro dos valores definidos, será necessária revisão formal anterior dos preços.
Os editais também proíbem a transferência artificial de custos entre componentes, opcionais ou contratos como forma de superar os limites estabelecidos.
Descontos, bonificações e outras vantagens comerciais deverão reduzir o valor efetivo da contratação e ser refletidos nos documentos fiscais e nos pagamentos.
A SMMU e a EPTC poderão utilizar as informações para preparar os instrumentos de contratação e orientar as empresas operadoras participantes do projeto.
Operadoras contratarão ônibus e Prefeitura pagará diretamente aos fornecedores
O modelo financeiro previsto no projeto estabelece que as empresas operadoras participantes serão responsáveis pelas futuras contratações dos ônibus e da infraestrutura.
Antes disso, será necessária a formalização dos aditivos contratuais e dos respectivos termos de adesão ao programa.
A parcela subvencionada dos veículos e equipamentos elegíveis será paga diretamente pela Prefeitura aos fornecedores, por conta e ordem das operadoras adquirentes.
Assim, os recursos públicos destinados aos bens financiáveis não serão simplesmente transferidos para as contas das empresas de ônibus.
Os fornecedores deverão aceitar essa sistemática de pagamento e apresentar os documentos fiscais e comprovantes exigidos.
Também deverão observar as condições de elegibilidade do financiamento e as regras relacionadas à destinação e reversibilidade dos bens.
A contratação privada não poderá ultrapassar os preços máximos estabelecidos pela Prefeitura.
O financiamento de R$ 447,8 milhões representa o valor da operação de crédito destinada ao conjunto do projeto, e não o preço já definido dos ônibus ou da infraestrutura.
A quantidade definitiva de veículos, a distribuição entre convencionais e articulados, os fornecedores e os prazos de entrega dependerão das etapas seguintes.
Porto Alegre já possui ônibus elétricos Eletra/Caio e Marcopolo
A abertura das consultas representa uma nova etapa de uma experiência que começou antes da atual operação de financiamento.
Em 2023, a Prefeitura realizou um chamamento para conhecer soluções tecnológicas disponíveis no mercado e avaliar a utilização de ônibus elétricos nas condições do transporte coletivo da cidade.
Em dezembro daquele ano, foram apresentados dois modelos para testes: o Marcopolo Attivi Integral e o Caio eMillennium, com tecnologia elétrica da Eletra.
Os veículos começaram a transportar passageiros em caráter experimental em 5 de fevereiro de 2024, na linha 520.3 – Triângulo/24 de Outubro/Auxiliadora.
O percurso foi escolhido por reunir características que permitiam avaliar o comportamento dos ônibus em situações variadas, incluindo subidas, descidas, trânsito e diferentes condições de demanda.
O Marcopolo Attivi Integral apresentado para os testes possui 12,95 metros de comprimento, capacidade para até 81 passageiros e autonomia anunciada de até 280 quilômetros. A capacidade das baterias é de 396,8 kWh.
O Caio eMillennium com tecnologia Eletra possui 12,1 metros de comprimento, capacidade para 70 passageiros, autonomia informada de 200 a 250 quilômetros e baterias de 360 kWh.
Os testes contribuíram para avaliar consumo energético, desempenho, manutenção e adequação dos veículos à operação municipal.
Posteriormente, as empresas operadoras adquiriram 12 ônibus elétricos, sendo oito Marcopolo Attivi Integral e quatro Caio eMillennium com tecnologia Eletra.
Os quatro ônibus Eletra/Caio foram destinados à empresa Sudeste, enquanto os oito veículos Marcopolo foram adquiridos pelas operadoras Nortran e VTC.
A operação regular começou em agosto de 2024.
Ônibus elétricos já transportaram mais de 2,8 milhões de passageiros
O balanço divulgado pela Prefeitura de Porto Alegre em 20 de agosto de 2026 apresentou os resultados dos dois primeiros anos de funcionamento da frota elétrica.
Segundo a administração municipal, os 12 ônibus transportaram mais de 2,8 milhões de passageiros, realizaram aproximadamente 130 mil viagens e percorreram 1,3 milhão de quilômetros.
A operação começou com três linhas integralmente elétricas: E178 – Praia de Belas, E378 – Integradora e E703 – Vila Farrapos.
A Prefeitura também informou a utilização dos veículos nas programações das linhas 110 – Restinga Nova via Tristeza e 165 – Cohab.
No primeiro ano, a administração municipal havia divulgado economia aproximada de R$ 1 milhão em combustível.
Os dados permitem comparar a experiência inicial com a expansão agora planejada.
A operação de uma frota maior exigirá planejamento de recarga, distribuição dos ônibus entre garagens e linhas, disponibilidade de energia elétrica e organização da manutenção.
Também será necessário compatibilizar a autonomia dos veículos com as escalas de circulação e os horários de maior demanda.
A cidade mantém ainda uma condição específica de integração para passageiros das linhas elétricas. Usuários do cartão TRI podem realizar uma segunda viagem gratuita em outra linha dentro de 30 minutos após o desembarque, conforme as regras estabelecidas para o benefício.
Consultas abrem oportunidade para fabricantes brasileiros de ônibus e equipamentos elétricos
A abertura dos chamamentos representa uma oportunidade comercial para a indústria brasileira de ônibus e para os fabricantes de equipamentos destinados à eletrificação do transporte coletivo.
A consulta contempla diferentes modelos de organização industrial e permite a participação de empresas que fornecem veículos completos, chassis, carrocerias e componentes.
Fabricantes como Eletra e Marcopolo, que já possuem veículos em operação em Porto Alegre, integram o universo de empresas com experiência no mercado brasileiro de ônibus elétricos.
A participação de qualquer fabricante dependerá, entretanto, do atendimento às condições técnicas e comerciais estabelecidas nos chamamentos.
A experiência anterior não assegura preferência às empresas que já fornecem ônibus à cidade.
A possibilidade de participação de diferentes fornecedores também abre espaço para fabricantes de plataformas elétricas, encarroçadoras, integradores e empresas especializadas em infraestrutura de recarga.
A exigência de fabricação nacional e de credenciamento dos bens financiáveis no BNDES é outro componente importante para a cadeia produtiva.
Além do fornecimento dos ônibus, o projeto envolve assistência técnica, peças de reposição, manutenção de baterias, sistemas de monitoramento, treinamento e serviços de engenharia.
Para os passageiros, a ampliação da frota elétrica poderá representar mais viagens com ônibus climatizados, menor ruído e ausência de emissões locais de poluentes pelo escapamento.
Os benefícios operacionais dependerão da disponibilidade dos veículos, da organização das garagens, da confiabilidade dos equipamentos e da capacidade de manter a oferta de transporte.
Com a abertura das duas consultas, a Prefeitura passa a reunir os preços e as informações técnicas necessários para estruturar as próximas contratações.
O prazo para os fornecedores apresentarem propostas termina em 25 de novembro de 2026.
Após o recebimento e a análise das contribuições, a SMMU e a EPTC poderão consolidar os valores referenciais, detalhar as condições de fornecimento e avançar na formalização das aquisições pelas empresas operadoras participantes.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
