Protesto iniciado no domingo (25) afeta cerca de 20 mil passageiros; trabalhadores também denunciam falta de benefícios e problemas com repasses de valores descontados em folha
ARTHUR FERRARI
Cerca de 80 funcionários da empresa São José interromperam as atividades em Belém (PA) desde domingo (25), após denunciarem atrasos de dois meses no pagamento dos salários. Segundo os trabalhadores, também estão pendentes os depósitos do vale-alimentação e de encargos trabalhistas.
A paralisação afeta duas linhas de ônibus operadas pela empresa: Canudos–Praça Amazonas e Canudos–Presidente Vargas. A estimativa é de que aproximadamente 20 mil passageiros sejam prejudicados pela suspensão dos serviços.
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Belém, a categoria já interrompeu as atividades cerca de dez vezes nas últimas semanas. Segundo ele, os trabalhadores decidiram retomar o movimento porque os acordos firmados em meados de outubro não teriam sido cumpridos.
Além dos salários e benefícios em atraso, os funcionários apontam problemas relacionados a valores descontados diretamente dos pagamentos. Entre as denúncias está a retenção de quantias destinadas à pensão alimentícia: embora os descontos sejam realizados nos contracheques, os recursos não estariam sendo repassados à Justiça.
O sindicato relata situação semelhante com os empréstimos consignados. Nesse caso, as parcelas são descontadas dos salários, mas, conforme a entidade, os valores não chegam aos bancos responsáveis pelos financiamentos.
A paralisação ocorre em meio à cobrança dos trabalhadores pelo cumprimento dos compromissos assumidos pela empresa e pela regularização dos pagamentos e repasses pendentes.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte
