Com baterias do tipo Blade, que são mais leves e têm melhor rendimento, chassi foi mostrado em primeira mão pelo Diário do Transporte ainda em outubro de 2025; modelo pretende ampliar opções no mercado nesta faixa de segmento
ADAMO BAZANI
Já está pronto o primeiro “micrão” elétrico, ônibus do tipo midi, no padrão SPTrans (São Paulo Transporte), de acordo com as exigências da capital paulista, com carroceria Caio e chassi, motor, baterias e tecnologia BYD.
A conclusão do veículo encarroçado foi divulgada nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, pelo representante da encarroçadora, Gildo Vendramini, que confirmou ao Diário do Transporte que o veículo será utilizado para demonstração junto a operadores e à gerenciadora da prefeitura.
A carroceria é do modelo e-Millennium, tradicional no processo de eletrificação da frota da cidade, e o chassi é o BC10LE BYD.
A unidade está configurada com carroceria de 11 metros, na categoria básico.
O Diário do Transporte esteve em outubro de 2025 na fábrica da BYD em Campinas e revelou o chassi em primeira mão.
Na ocasião, o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conversou com o diretor de vendas de veículos comerciais da BYD no Brasil, Bruno Paiva, que explicou para a reportagem que o modelo atende aos padrões operacionais da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema da capital paulista, o que significa que tem aplicação para diversas cidades brasileiras, já que boa parte delas se baseia nas exigências de São Paulo.
Além das dimensões, voltadas para o segmento de ônibus menores para áreas de difícil acesso e linhas alimentadoras, o modelo BC10LE traz mais novidades com relação à tecnologia embarcada.
Uma das principais delas é o controlador integrado 6×1, que reúne seis elementos da parte elétrica que são fundamentais para que os ônibus deste tipo funcionem: 2 unidades de controle de motor elétrico; 1 unidade de controle de direção; 1 unidade de compressor de ar; 1 conversor DC-DC; e 1 unidade distribuidora de potência.
Somente esta tecnologia permite que haja um ganho de espaço suficiente para a implementação de mais bancos na parte traseira, o que faz toda a diferença para o passageiro, operador de transporte e gestor público. Todos os seis equipamentos ficavam atrás, quase até o teto. Agora, ocupam um espaço bem reduzido, permitindo até a inserção do vidro traseiro. Essa substituição faz com que haja também uma redução de peso de 120 kg, aproximadamente, dependendo da configuração.
Além dessa novidade, todos os midis de 10 metros já contam com baterias Blade, que possuem tamanho reduzido e maiores autonomias, entre 275 e 300 km. Conforme a operação, o tempo de recarga total é menor, caindo pela metade e sendo possível em cerca de uma hora e meia. Assim, a segurança foi ampliada, funcionando mesmo quando submetidas a impactos.
Juntamente com o controlador 6×1, a Blade permite uma redução de peso de 1,5 tonelada por ônibus, o que, num midi de PBT (Peso Bruto Total) de 10 metros, significa nada mais, nada menos que um veículo 15% mais leve. Isso se traduz em maior espaço interno, menor consumo de energia e menos gastos com desgaste de pneus e outros componentes.
Ônibus midis normalmente são utilizados em vias estreitas, com valetas, lombadas e buracos, como boa parte dos itinerários do lote Distribuidor Local de São Paulo, as chamadas linhas de bairro, operadas por empresas que surgiram de cooperativas.
Relembre:
Chassi BYD BC10LE e carroceria Caio e-Millennium
O BC10LE tem dois motores elétricos e suspensão pneumática com controle eletrônico e ajoelhamento. A plataforma é oferecida para ônibus de até 11 metros, comprimento da unidade que será demonstrada aos operadores.
A tabela reúne as especificações publicadas pela BYD para o chassi. As dimensões da estrutura do chassi são diferentes das medidas externas do ônibus depois de encarroçado.
| Item | Especificação do chassi |
|---|---|
| Fabricante e modelo | BYD BC10LE 19.410 |
| Configuração | 4×2, piso baixo |
| Aplicação | Urbano, para veículos de até 11 metros |
| Comprimento da estrutura do chassi | 10.280 mm |
| Entre-eixos | 5.420 mm |
| Motores | Dois BYD TZ290XSE, síncronos de ímãs permanentes |
| Potência máxima conjunta | 300 kW, aproximadamente 408 cv |
| Potência nominal conjunta | 220 kW, aproximadamente 299 cv |
| Torque máximo | 600 Nm por motor |
| Baterias | BYD Blade, de fosfato de ferro-lítio — LFP |
| Capacidade das baterias | 300 kWh |
| Conector de recarga | CCS Combo 2 |
| Potência de recarga | 160 kW ou 120 kW, conforme equipamento e corrente |
| Tempo de recarga indicado na página atual do produto | Até 2 horas a 160 kW ou até 2h30 a 120 kW |
| Suspensão | Pneumática integral, com controle eletrônico ECAS e ajoelhamento |
| Direção | Eletro-hidráulica |
| Freios | A disco, com ABS, EBS e regeneração de energia |
| Peso Bruto Total | 19.500 kg |
| Capacidade do eixo dianteiro | 7.500 kg |
| Capacidade do eixo traseiro | 12.000 kg |
| Pneus | 295/80 R22,5 |
Os tempos de recarga dependem da temperatura, da curva de carregamento e da rede de energia, segundo a BYD.
No encarroçamento, a Caio utiliza a família e-Millennium, desenvolvida especificamente para plataformas elétricas. A tabela abaixo distingue a configuração de 11 metros das medidas gerais de catálogo da carroceria.
| Item | Carroceria Caio e-Millennium |
|---|---|
| Fabricante | Caio |
| Modelo | e-Millennium |
| Aplicação | Transporte urbano elétrico |
| Chassi da unidade apresentada | BYD BC10LE |
| Comprimento da unidade apresentada | 11 metros |
| Categoria da unidade apresentada | Básico |
| Piso do conjunto apresentado | Baixo |
| Largura externa de catálogo | 2.550 mm |
| Altura externa da família | Até 3.650 mm, conforme plataforma e configuração |
| Altura interna da família | De 2.130 mm a 2.630 mm, conforme configuração |
| Iluminação externa de catálogo | Conjuntos ópticos em LED |
| Para-brisa de catálogo | Bipartido, fixado com borracha |
| Portas de catálogo | Tipo fole |
| Revestimento do piso de catálogo | Taraflex |
| Acomodação dos componentes elétricos | Compartimentos próprios para baterias e central elétrica |
| Vidro traseiro | Configuração aberta ou fechada, conforme chassi |
As alturas de catálogo abrangem diferentes versões da família e-Millennium e não representam uma medição específica deste demonstrador.
Outras opções para linhas de bairro
O segmento de ônibus elétricos menores reúne projetos com características diferentes. Há veículos de piso alto, como os conjuntos Eletra/Mercedes-Benz/Caio e Blu Electric/Volkswagen/Caio, e modelos integrais importados, como os da Higer e da Ankai.
Comprimento, capacidade de passageiros, posição das baterias e condições de acesso precisam ser considerados conforme a linha. Um veículo de aproximadamente nove metros, por exemplo, atende a uma faixa de porte diferente da unidade BYD/Caio de 11 metros, embora ambos possam ser avaliados para serviços de distribuição local.
Eletra/Mercedes-Benz/Caio
A Eletra oferece o e-BUS Midi de aproximadamente 10 metros, com base Mercedes-Benz OF 1721L, carroceria Caio e-Millennium e equipamentos elétricos WEG. O modelo tem piso alto e suspensão pneumática.
O Diário do Transporte mostrou o veículo em julho de 2023. Na ocasião, a Eletra explicou que a escolha do piso alto considerava as condições mais severas das vias atendidas por linhas alimentadoras.
| Item | Eletra e-BUS Midi 10 m |
|---|---|
| Base do chassi | Mercedes-Benz OF 1721L |
| Carroceria | Caio e-Millennium |
| Tração e integração | Eletra |
| Motor e baterias | WEG |
| Comprimento | Aproximadamente 9,96 m |
| Largura | 2,55 m |
| Altura | 3,58 m |
| Piso | Alto |
| PBT | 17.000 kg |
| Lotação da configuração pesquisada pelo ICCT | 57 passageiros |
| Baterias | LFP, 330 kWh |
| Autonomia declarada no levantamento | 200 a 250 km |
| Potência de recarga registrada | 130 kW |
Higer Azure A9 BR e o A10 BR anunciado
A Higer tem o Azure A9 BR, um veículo integral de piso baixo com 8,82 metros, comercialmente identificado pela fabricante como mini. É uma opção menor para serviços locais. Em junho de 2025, o Diário do Transporte noticiou sua chegada para demonstração na Transunião, em São Paulo.
Na ficha atualmente apresentada pela Higer Brasil, o A9 aparece com duas alternativas de motorização, Dana ou Prestolite, e baterias CATL de 266,61 kWh.
| Item | Higer Azure A9 BR |
|---|---|
| Construção | Integral, com chassi e carroceria formando um conjunto |
| Comprimento | 8,82 m |
| Largura | 2,44 m |
| Altura | 3,26 m |
| Piso | Baixo |
| Capacidade anunciada | 43 passageiros, mais motorista |
| Motor | Dana MD100F ou Prestolite |
| Potência máxima | Dana: 200 kW, aproximadamente 272 cv; Prestolite: 260 kW, aproximadamente 354 cv |
| Torque máximo | Dana: 2.450 Nm; Prestolite: 2.800 Nm |
| Baterias | CATL LFP |
| Capacidade das baterias | 266,61 kWh |
| Autonomia anunciada | 270 km |
| Tempo de recarga anunciado | Até 1h30 |
| Conector | CCS2 |
| Suspensão | Pneumática, com ajoelhamento |
| Acessibilidade | Piso baixo e rampa manual |
| Freios | Sistema Wabco, com ABS e EBS |
| Velocidade máxima | 70 km/h |
A fabricante também relaciona o Azure A10 BR Midi em seu portfólio, identificado como “em breve”. Assim, a ficha do A9 não deve ser usada como se fosse a do A10: são modelos diferentes.
Ankai OE-10
A Ankai oferece o OE-10, de 10,5 metros, com construção integral e motor Dana. A marca chegou ao mercado brasileiro por meio do Grupo SHC, que também atua com a JAC Motors.
O levantamento técnico do Conselho Internacional de Transporte Limpo, ICCT, registra versões de piso alto e baixo para o modelo.
| Item | Ankai OE-10 |
|---|---|
| Construção | Integral |
| Comprimento | 10,50 m |
| Largura | 2,55 m |
| Altura | 3,35 m |
| Piso | Alto ou baixo, conforme versão |
| PBT | 18.000 kg |
| Motor | Dana MD130B-E |
| Potência nominal | 145 kW, aproximadamente 197 cv |
| Potência máxima | 245 kW, aproximadamente 333 cv |
| Torque máximo | 3.329 Nm |
| Baterias | CATL LFP |
| Capacidade registrada no levantamento | 338,4 kWh |
| Autonomia declarada | 250 a 350 km |
| Potência de recarga registrada | 180 kW |
Blu Electric/Volkswagen/Caio de piso alto
Outra alternativa é o micrão de piso alto com plataforma Volkswagen, eletrificação Blu Electric e carroceria Caio eApache Vip. O conjunto utiliza uma base originalmente concebida para motorização a diesel, que recebe o sistema de tração elétrica.
O Diário do Transporte mostrou essa solução no Arena ANTP de 2025, ao lado das opções da Eletra e da BYD. Na configuração de 9,8 metros apresentada pela Blu Electric, a capacidade anunciada é de 57 passageiros.
| Item | Blu Electric/Volkswagen/Caio |
|---|---|
| Plataforma | Volkswagen |
| Sistema de tração elétrica | Blu Electric |
| Carroceria | Caio eApache Vip |
| Comprimento | 9,8 m |
| Piso | Alto |
| Capacidade anunciada | 57 passageiros |
| Distribuição de lotação divulgada | 27 sentados e 30 em pé, com espaço para cadeira de rodas |
| Motor, inversor e baterias | Desenvolvimento Blu Electric |
| Autonomia anunciada | 280 km |
| Velocidade máxima | 70 km/h |
| Rampa máxima anunciada | 20% |
| Portas | Três, com elevador na porta central |
| Acessibilidade | Plataforma elevatória |
| Ar-condicionado | Elétrico |
| Recarga | Na garagem |
As autonomias são declaradas pelos fabricantes e variam com lotação, relevo, trânsito, uso do ar-condicionado e condições de condução. As configurações de carroceria e lotação também podem mudar conforme as exigências de cada sistema.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
