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Novo Terminal Luz substituirá Princesa Isabel: Governo de SP assina contrato de R$ 6 bilhões para centro administrativo e prevê mudança nos ônibus

Primeiras obras do terminal estão previstas para 2027, com entrega no segundo ano da concessão; equipamento será construído próximo à Estação da Luz e poderá modificar os deslocamentos de passageiros que utilizam ônibus, metrô e trens no Centro de São Paulo

ADAMO BAZANI

O Terminal Princesa Isabel, que atende linhas de ônibus municipais no Centro de São Paulo, será substituído pelo novo Terminal Luz, previsto para a região da Avenida Cásper Líbero, próximo à estação ferroviária e metroviária de mesmo nome. A construção faz parte do contrato de Parceria Público-Privada (PPP) do novo Centro Administrativo Campos Elíseos, assinado pelo Governo do Estado nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026. As intervenções no novo terminal estão previstas para começar no primeiro ano da concessão, com entrega programada para o segundo ano. O Governo Estadual estabeleceu que o equipamento deverá estar concluído antes da desativação do atual Terminal Princesa Isabel, para preservar a continuidade do atendimento aos passageiros.

O contrato foi firmado com a Concessionária Novo Centro SP, formada a partir do consórcio MEZ-RZK Novo Centro, vencedor do leilão realizado em fevereiro. A PPP prevê investimentos estimados em R$ 6 bilhões e duração de 30 anos, incluindo a construção de sete edifícios e dez torres para abrigar aproximadamente 22 mil servidores estaduais, atualmente distribuídos por quase 40 endereços da capital. Para o transporte coletivo, a principal intervenção será a transferência do terminal de ônibus para a região da Luz, aproximando o embarque e desembarque das conexões com o Metrô e os trens metropolitanos. A mudança também exigirá atenção aos acessos de pedestres, ao atendimento dos usuários que hoje desembarcam na Praça Princesa Isabel e à circulação dos ônibus durante as obras.

O novo Terminal Luz será construído próximo à Avenida Cásper Líbero e à Rua Brigadeiro Tobias, em uma área próxima à Estação da Luz.

O projeto prevê três plataformas de embarque e desembarque, além de uma conexão com a estação ferroviária por meio da estrutura de passagem subterrânea da CPTM.

A localização poderá reduzir os deslocamentos a pé para passageiros que precisam fazer conexão entre ônibus, metrô e trens, principalmente aqueles que utilizam o Terminal Princesa Isabel para chegar a outras regiões da cidade.

Atualmente, o Terminal Princesa Isabel fica na Alameda Glete, junto à Praça Princesa Isabel, nos Campos Elíseos.

A transferência representa uma mudança importante na organização do transporte coletivo da região central, porque aproxima o novo terminal de uma das principais estações de integração sobre trilhos da capital.

A Estação da Luz atende a Linha 1-Azul e a Linha 4-Amarela do Metrô, além das Linhas 7-Rubi, 10-Turquesa e 11-Coral da rede ferroviária metropolitana, consideradas as configurações operacionais previstas para a integração.

A mudança poderá facilitar deslocamentos para passageiros que precisam combinar ônibus com sistemas sobre trilhos, especialmente em viagens entre bairros periféricos, municípios metropolitanos e a região central.

Por outro lado, a nova localização também exigirá reorganização dos percursos de acesso para quem utiliza o terminal como destino final, principalmente passageiros que trabalham, estudam ou utilizam serviços próximos à Praça Princesa Isabel, à Avenida Rio Branco e aos Campos Elíseos.

Terminal Princesa Isabel somente deverá ser desativado após entrega do novo equipamento

Uma das condições previstas no planejamento do empreendimento é que o novo Terminal Luz seja construído antes da desmobilização do Terminal Princesa Isabel.

A exigência busca evitar que a transferência deixe as linhas sem uma instalação para embarque e desembarque durante o período de obras.

O Governo Estadual também informou, na apresentação técnica do projeto, que a realocação foi planejada para não alterar os itinerários das linhas de ônibus.

Essa previsão, entretanto, deverá ser acompanhada na implantação, porque a mudança física do terminal envolve novos acessos, percursos de entrada e saída dos veículos e circulação de passageiros.

Mesmo que as linhas mantenham seus destinos e trajetos principais, a transferência dos pontos de embarque pode modificar o deslocamento a pé realizado pelos usuários.

Outra preocupação está relacionada ao Hospital da Mulher, localizado na região do atual terminal.

O planejamento prevê a instalação de um ponto de ônibus para manter o acesso por transporte coletivo ao equipamento de saúde.

A medida é importante especialmente para pacientes, acompanhantes, funcionários e pessoas com dificuldades de locomoção que utilizam as linhas municipais para chegar ao hospital.

A implantação também deverá considerar acessibilidade universal, orientação aos passageiros, travessias de pedestres, circulação de ônibus e organização das conexões com os sistemas sobre trilhos.

A Prefeitura de São Paulo e a SPTrans terão papel na organização das linhas municipais e na orientação aos usuários quando ocorrer a transferência operacional.

Novo terminal tem entrega prevista para o segundo ano da concessão

O cronograma apresentado pelo Governo do Estado estabelece uma implantação em etapas.

Com a assinatura do contrato, a concessionária inicia a fase de desenvolvimento dos planos, elaboração dos projetos básico e executivo, obtenção das licenças e cumprimento das providências necessárias às obras.

Ainda no primeiro ano estão previstas as primeiras intervenções para implantação do Terminal Luz, além do início das desapropriações incluídas no empreendimento.

A entrega do terminal está programada para o segundo ano da concessão, juntamente com a conclusão dos estudos e projetos executivos e das etapas previstas de desapropriação e reassentamento.

Como o contrato foi assinado em outubro de 2026, a previsão situa a implantação do novo terminal nos primeiros anos de execução da PPP. O cumprimento dependerá das etapas técnicas e administrativas previstas no cronograma.

O Governo Estadual informou que as obras do conjunto administrativo deverão avançar gradualmente a partir do terceiro ano, com as primeiras entregas dos edifícios no quarto ano e conclusão das demais quadras no quinto.

A transferência do terminal é uma das intervenções previstas para ocorrer antes da conclusão dos prédios administrativos.

Isso significa que a mudança na operação dos ônibus deverá acontecer em etapa anterior à transferência integral dos servidores para o novo complexo.

Obras podem interferir na circulação dos ônibus e no trânsito dos Campos Elíseos e da Luz

A construção do Terminal Luz e dos edifícios administrativos deverá ocorrer em uma região que já concentra circulação de ônibus, veículos particulares, pedestres, comércio e conexões com o transporte ferroviário.

Durante a execução das intervenções, poderão ser necessárias alterações temporárias na circulação viária, nos acessos e na organização de pontos de parada, dependendo dos projetos e das etapas de obra.

Essas mudanças precisam ser planejadas para evitar prejuízos à regularidade das linhas de ônibus.

Interdições e desvios podem aumentar o tempo de percurso, especialmente quando envolvem áreas com circulação intensa de veículos.

Para o transporte coletivo, o aumento no tempo de viagem tem reflexos operacionais.

Quando um ônibus demora mais para completar seu percurso, pode realizar menos viagens dentro da mesma jornada. Dependendo da extensão dos atrasos, a manutenção dos intervalos programados exige ajustes operacionais e, em alguns casos, disponibilidade de veículos adicionais.

Esse efeito pode aumentar o custo da operação e provocar períodos maiores de espera para os passageiros quando não há compensação adequada.

A concessionária responsável pelo novo centro administrativo terá a obrigação de realizar estudos voltados à mobilidade e ao tráfego do entorno.

O acompanhamento desses estudos será importante tanto para a fase de implantação quanto para a operação futura do complexo.

Além das obras, também será necessário avaliar o efeito da concentração de milhares de servidores estaduais em uma única região da cidade.

A movimentação diária de trabalhadores, prestadores de serviços e visitantes poderá modificar a demanda de ônibus, metrô e trens nos horários de entrada e saída dos expedientes.

O planejamento deverá considerar não apenas o transporte até o centro administrativo, mas também os deslocamentos de pedestres entre estações, terminais, edifícios e equipamentos públicos.

Projeto prevê R$ 6 bilhões em investimentos e concentração de 22 mil servidores

O novo Centro Administrativo Campos Elíseos deverá reunir secretarias e outros órgãos estaduais atualmente distribuídos por aproximadamente 40 endereços da cidade.

Segundo o Governo de São Paulo, o complexo terá sete edifícios e dez torres, incluindo instalações destinadas ao gabinete do governador, áreas administrativas, auditórios, teatro e espaços para atividades institucionais.

Também estão previstos o restauro de 17 imóveis tombados, a ampliação em mais de 40% das áreas verdes do Parque Princesa Isabel e a implantação de aproximadamente 25 mil metros quadrados para comércio e serviços.

O investimento estimado é de R$ 6 bilhões.

A concessão terá duração de 30 anos, período durante o qual a empresa contratada será responsável pela operação e manutenção das instalações previstas, incluindo limpeza, segurança e conservação.

O consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu o leilão realizado em 26 de fevereiro de 2026, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

A proposta vencedora apresentou desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública mensal máxima, estabelecida em R$ 76,6 milhões.

O contrato foi estruturado pela Secretaria de Parcerias em Investimentos, com apoio técnico da Companhia Paulista de Parcerias.

A elaboração do projeto arquitetônico ficou vinculada à proposta escolhida em concurso organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento de São Paulo, vencido pelo escritório Ópera Quatro Arquitetura.

O Governo Estadual estima que a implantação do empreendimento poderá gerar cerca de 38 mil postos de trabalho durante a execução das obras e 2,8 mil empregos formais nas atividades comerciais e de serviços associadas ao complexo.

Esses números são projeções divulgadas pela administração estadual e não correspondem a contratações já realizadas.

Mudança do terminal já havia sido anunciada em fevereiro

A substituição do Terminal Princesa Isabel pelo Terminal Luz não foi anunciada pela primeira vez com a assinatura do contrato nesta quinta-feira.

Em 26 de fevereiro de 2026, o Diário do Transporte informou que o projeto vencedor da PPP previa a retirada do terminal atual e a construção de outro equipamento próximo à Estação da Luz.

Na ocasião, o Governo de São Paulo apresentou o novo terminal como parte das intervenções de mobilidade associadas ao centro administrativo.

O projeto já previa a utilização da conexão subterrânea da CPTM para facilitar o acesso aos trens e ao Metrô.

Também foi informado que a concessionária responsável pela PPP teria de realizar estudos específicos para melhorar a mobilidade e a circulação no entorno.

RELEMBRE: Terminal Princesa Isabel, no Centro de São Paulo, será substituído por Terminal Luz em planos do Governo do Estado no Novo Centro Administrativo

A formalização do contrato representa a passagem para a etapa de elaboração dos projetos executivos, licenciamento e preparação das intervenções.

Para os passageiros, o principal ponto a acompanhar será a definição de quando as linhas deixarão de utilizar o Terminal Princesa Isabel, como funcionarão os novos acessos e quais serão as orientações para os embarques e desembarques.

Também será necessário verificar se os projetos garantirão a continuidade do atendimento às pessoas que utilizam o transporte coletivo para chegar às unidades de saúde, ao comércio e aos serviços existentes na região.

A proximidade do futuro terminal com a Estação da Luz poderá facilitar a integração física com o transporte sobre trilhos, mas os resultados dependerão da organização dos acessos, da acessibilidade e da operação das linhas.

Até a transferência, o Terminal Princesa Isabel permanece como referência para os serviços que atualmente utilizam suas instalações.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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