Contratação abrange estações Recife e Joana Bezerra e serviços das linhas Sul elétrica e diesel; iniciativa acompanha modernização da bilhetagem, que também avança no Metrô de São Paulo
ADAMO BAZANI
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) abriu uma licitação para contratar serviços de comercialização e troca de bilhetes e cartões no sistema de trens metropolitanos do Recife, incluindo operações com Pix, cartões de crédito e débito, dinheiro e tecnologias Smart Card e QR Code. A contratação abrangerá as estações Recife, Joana Bezerra e as estações atendidas pelas linhas Sul elétrica e diesel, além de serviços de conferência da arrecadação e apoio à fiscalização das bilheterias.
O aviso foi publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, com abertura das propostas marcada para 16 de novembro. A iniciativa ocorre em meio à modernização das formas de pagamento no transporte coletivo brasileiro. Em São Paulo, por exemplo, todas as máquinas de autoatendimento da Linha 1-Azul do Metrô passam a receber Pix nesta quinta-feira (22), com ampliação prevista para as linhas 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata até 30 de outubro.
A futura contratada também deverá atuar na conferência dos valores arrecadados e no suporte à fiscalização das bilheterias abrangidas pela contratação.
O fornecimento de materiais necessários ao atendimento das demandas da CBTU integra o objeto da concorrência.
A contratação procura reunir serviços operacionais necessários à manutenção das atividades de bilheteria, que continuam sendo importantes mesmo com a ampliação dos canais digitais de pagamento.
O aviso de licitação não estabelece, por si só, que todos os meios de pagamento já estejam disponíveis em todas as estações.
Também não significa que o Pix será aceito diretamente nas catracas.
É necessário distinguir o pagamento de uma passagem na bilheteria ou equipamento de venda do uso de um cartão ou bilhete para liberar a entrada na estação.
Os detalhes da operação serão definidos pelas especificações contratuais e pela implantação dos serviços.
O Smart Card é um cartão eletrônico que armazena ou permite consultar informações necessárias à utilização do sistema de transporte.
Dependendo da tecnologia, pode funcionar com créditos, produtos tarifários e mecanismos de validação nas estações.
Já o QR Code é um código bidimensional que pode ser utilizado para identificar uma passagem ou autorizar o acesso, conforme as características do sistema.
Essas tecnologias podem coexistir com pagamentos por Pix, cartões bancários e dinheiro.
O passageiro, por exemplo, pode pagar uma passagem por meio digital e receber um bilhete com QR Code para apresentá-lo ao equipamento de validação.
Também pode utilizar um cartão eletrônico de transporte, conforme as modalidades disponíveis.
As possibilidades específicas para os usuários da CBTU dependerão das regras e dos equipamentos utilizados na operação.
Essa distinção evita confundir o meio de pagamento com a tecnologia empregada para validar a passagem.
Recife e Joana Bezerra são pontos importantes da operação
As estações Recife e Joana Bezerra possuem papel relevante na circulação de passageiros do sistema metroferroviário pernambucano.
A estação Recife atende a região central da capital e funciona como ponto de conexão com diferentes deslocamentos urbanos.
Joana Bezerra possui importância nas integrações entre o transporte sobre trilhos e os deslocamentos realizados na Região Metropolitana.
A contratação também alcança o atendimento das estações da Linha Sul elétrica e dos serviços ferroviários diesel definidos pela CBTU.
A estrutura de bilheteria é importante tanto para passageiros habituais quanto para usuários ocasionais, que podem não possuir cartões de transporte ou precisar de assistência para adquirir passagens.
A ampliação dos meios de pagamento pode reduzir a dependência de dinheiro em espécie e oferecer alternativas de aquisição.
Ao mesmo tempo, a manutenção do atendimento presencial é relevante para quem não utiliza aplicativos bancários ou enfrenta dificuldades com serviços digitais.
São Paulo amplia Pix no Metrô a partir desta quinta-feira
A modernização das formas de pagamento também avança no Metrô de São Paulo.
Conforme anunciado pelo Diário do Transporte na quarta-feira, 21 de outubro, todas as máquinas de autoatendimento da Linha 1-Azul passam a aceitar Pix nesta quinta-feira (22).
A implantação começou na terça-feira (20), com previsão de expansão para as demais linhas administradas diretamente pelo Metrô.
Na Linha 2-Verde, a habilitação está prevista para 23 e 26 de outubro.
Na Linha 3-Vermelha, a implantação está programada para 27 e 28 de outubro.
Na Linha 15-Prata, de monotrilho, a atualização dos equipamentos deverá ocorrer em 29 e 30 de outubro.
A conclusão da implantação nas quatro linhas está prevista para 30 de outubro.
Em São Paulo, o usuário poderá efetuar o pagamento por Pix na máquina de autoatendimento e receber um bilhete unitário impresso com QR Code.
Esse bilhete deverá ser utilizado no leitor da catraca para permitir a entrada.
A modalidade é diferente do pagamento diretamente nas catracas por cartões bancários de aproximação, smartphones ou relógios inteligentes.
Bilhetagem digital amplia alternativas, mas exige integração
A evolução dos sistemas de bilhetagem representa uma mudança importante na forma como as pessoas utilizam o transporte coletivo.
Durante décadas, os sistemas dependeram de bilhetes físicos específicos, fichas, cartões magnéticos e venda presencial.
Posteriormente, os cartões eletrônicos permitiram ampliar o controle da arrecadação, organizar benefícios tarifários e desenvolver mecanismos de integração entre linhas e modalidades.
Mais recentemente, a adoção de QR Code, aplicativos, carteiras digitais e cartões bancários por aproximação ampliou as alternativas disponíveis.
O Pix acrescenta outra possibilidade de pagamento, especialmente para passageiros que preferem utilizar o saldo de contas bancárias em vez de carregar dinheiro ou utilizar cartões físicos.
Entretanto, a modernização não depende apenas da disponibilidade dos meios de pagamento.
Também exige equipamentos confiáveis, comunicação entre sistemas, segurança das transações, atendimento em caso de falhas e procedimentos adequados para conferência financeira.
Nos sistemas integrados, é necessário considerar ainda as regras de transferência entre ônibus, trens e metrô, que nem sempre são reproduzidas automaticamente em bilhetes avulsos.
A coexistência de diferentes opções pode facilitar a utilização do transporte, desde que as tecnologias sejam implantadas com informações claras para os passageiros.
Licitação terá abertura em novembro
A contratação da CBTU está identificada como Pregão Eletrônico SRP nº 90009/GOLIC/2026.
A documentação foi disponibilizada a partir de 21 de outubro, com sessão pública prevista para 16 de novembro de 2026, às 10h.
O procedimento envolve a Superintendência de Trens Urbanos do Recife.
A vencedora deverá prestar os serviços conforme as condições estabelecidas na contratação, abrangendo os canais de venda e as atividades de apoio previstas.
Para os passageiros, o principal interesse está na ampliação das possibilidades de pagamento e no funcionamento das bilheterias, com alternativas para quem utiliza meios digitais e para quem ainda depende de atendimento presencial.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
