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Expresso do Sul terá embarques na Vila Sônia para viagens ao Rio de Janeiro a partir de 28 de outubro; ônibus de dois andares sairão às 21h35

Passagens já estão à venda. Novo ponto na zona oeste de São Paulo ficará na Avenida Eliseu de Almeida, próximo à integração com o Metrô, e terá serviços semileito e cama; iniciativa do Grupo JCA acompanha tendência de descentralização dos embarques rodoviários, também adotada por outras empresas

ADAMO BAZANI

A Expresso do Sul, empresa de transporte rodoviário de passageiros do Grupo JCA, vai iniciar na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, uma operação diária entre a Vila Sônia, na zona oeste da cidade de São Paulo, e a Rodoviária Novo Rio, na capital fluminense, com ônibus de dois andares nas categorias semileito e cama. O novo ponto de embarque e desembarque ficará no Auto Posto Master Eliseu, na Avenida Eliseu de Almeida, nº 2481, com partidas de São Paulo às 21h35 e viagens de retorno saindo do Rio de Janeiro às 22h30. A novidade permitirá que passageiros utilizem um local diferente dos terminais rodoviários tradicionais para viajar entre as duas capitais.

A iniciativa faz parte de uma tendência de descentralização do transporte rodoviário regular, com empresas passando a oferecer embarques e desembarques em shoppings, estabelecimentos privados e regiões conectadas aos sistemas urbanos e metropolitanos de mobilidade. Além da Expresso do Sul, o próprio Grupo JCA já adotou a estratégia com a Auto Viação 1001 e a Viação Cometa. Outras transportadoras, como Águia Branca, Guanabara e Penha, também apresentam experiências de ampliação dos locais de atendimento, em um mercado que enfrenta mudanças nos hábitos dos passageiros e a concorrência de plataformas e operadores como Buser e FlixBus.

A localização do novo ponto da Expresso do Sul pode beneficiar principalmente moradores da zona oeste paulistana e de municípios próximos que utilizam a rede de transporte metropolitano.

A Vila Sônia é atendida pela Linha 4-Amarela do Metrô, operada pela concessionária ViaQuatro, e conta com um terminal urbano que reúne linhas municipais e metropolitanas.

A estação Vila Sônia–Professora Elisabeth Tenreiro oferece integração entre o transporte sobre trilhos e diferentes serviços de ônibus. O posto escolhido pela Expresso do Sul fica na mesma avenida que atende a região, mas não dentro da estação ou do terminal, de modo que o passageiro deverá considerar o deslocamento até o endereço indicado na passagem.

A localização cria uma alternativa para quem, tradicionalmente, precisa seguir até o Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte, ou ao Terminal Rodoviário da Barra Funda, na zona oeste, para iniciar uma viagem interestadual.

No caso da ligação São Paulo–Rio de Janeiro, a nova operação terá saída noturna, com chegada prevista ao destino na manhã seguinte, conforme as condições do trajeto e a programação comercial da transportadora.

As passagens já estão à venda.

Os ônibus serão do tipo double-decker, com dois pavimentos, nas categorias semileito e cama.

O diretor da Unidade de Transporte de Passageiros do Grupo JCA, Anuar Helayel, explicou que a descentralização é uma estratégia para alcançar passageiros em diferentes regiões, oferecendo alternativas à concentração dos serviços nas rodoviárias tradicionais.

“A abertura do novo ponto de embarque na Vila Sônia reforça nossa estratégia de ampliar as possibilidades de acesso ao transporte rodoviário e oferecer mais conveniência ao passageiro. Ao descentralizar os locais de embarque, damos aos clientes mais flexibilidade para escolher onde iniciar ou concluir sua viagem, de acordo com a dinâmica dos seus deslocamentos pela cidade”, afirmou.

O executivo também relacionou a iniciativa às operações lançadas neste ano por outras empresas do grupo.

“Neste ano, já tivemos exemplos desse movimento em novas operações da Viação Cometa e da Auto Viação 1001. Agora, a Expresso do Sul também avança nessa direção”, acrescentou.

Serviço: nova operação Expresso do Sul entre Vila Sônia e Rio de Janeiro

  • Início das viagens: quarta-feira, 28 de outubro de 2026.

  • Empresa: Expresso do Sul, do Grupo JCA.

  • Percurso anunciado: Vila Sônia, em São Paulo, até a Rodoviária Novo Rio, no Rio de Janeiro.

  • Embarque e desembarque em São Paulo: Auto Posto Master Eliseu, Avenida Eliseu de Almeida, nº 2481, Vila Sônia.

  • Embarque e desembarque no Rio de Janeiro: Rodoviária Novo Rio.

  • Saídas de São Paulo: diariamente, às 21h35.

  • Saídas do Rio de Janeiro: diariamente, às 22h30.

  • Tipo de ônibus: dois andares, conhecido como double-decker.

  • Categorias oferecidas: semileito e cama.

  • Acesso por transporte coletivo em São Paulo: região atendida pela Linha 4-Amarela do Metrô e por linhas de ônibus municipais e metropolitanas, com necessidade de deslocamento até o posto de embarque.

Os passageiros devem conferir no bilhete o endereço completo e a antecedência recomendada pela empresa. Como as partidas de São Paulo ocorrerão às 21h35, é importante considerar o horário de funcionamento do transporte coletivo utilizado para chegar à Vila Sônia.

Quem viajar com crianças, idosos, pessoas com deficiência ou bagagens maiores também deve consultar previamente as condições de acesso e atendimento no local de partida.

O endereço de embarque é um posto de combustíveis, e não uma rodoviária convencional. Assim, não se deve presumir que estarão disponíveis todos os serviços normalmente encontrados em grandes terminais, como guarda-volumes, áreas cobertas de espera ou atendimento presencial durante toda a madrugada.

A compra deve ser feita pelos canais oficiais da transportadora ou por plataformas autorizadas, com conferência do local de partida antes da conclusão da reserva.

Cometa e 1001 ampliaram atendimento em shoppings do Rio de Janeiro em 2026

A estratégia da Expresso do Sul se soma a investimentos realizados neste ano por outras marcas do Grupo JCA, que reúne empresas tradicionais do transporte rodoviário, como Viação Cometa, Auto Viação 1001, Catarinense e Rápido Ribeirão.

Em janeiro de 2026, a Viação Cometa iniciou operações diárias com embarques e desembarques no Shopping Aerotown, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Os serviços passaram a ligar essa região às cidades de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Campinas, no interior paulista.

A utilização de um centro comercial como ponto de partida permite que passageiros da Barra da Tijuca e de bairros vizinhos tenham alternativas às viagens que exigem deslocamento até a Rodoviária Novo Rio.

No caso da Auto Viação 1001, a expansão foi ainda mais abrangente.

A empresa passou a oferecer ligações entre três regiões distintas do Rio de Janeiro e o Terminal Rodoviário do Tietê, na capital paulista.

Os locais são o Shopping Aerotown, na Barra da Tijuca; o Américas Shopping, no Recreio dos Bandeirantes; e o Shopping Via Brasil, em Irajá.

O atendimento a Irajá foi anunciado em agosto de 2026, conforme noticiou o Diário do Transporte em 25 de agosto.

Na implantação, a empresa ofereceu passagens a partir de R$ 99,99, nas categorias semileito e cama, em ônibus de dois andares.

A programação inicial previa partidas do Shopping Via Brasil às 10h, de segunda a quinta-feira; às 12h, às sextas-feiras e aos domingos; e às 23h, diariamente.

No sentido contrário, as saídas do Terminal Rodoviário do Tietê estavam previstas para 12h e 23h20.

Os horários e preços podem sofrer alterações e precisam ser conferidos antes da viagem.

O uso de diferentes pontos no Rio de Janeiro demonstra que o grupo procura captar passageiros de regiões que apresentam características distintas de deslocamento.

Enquanto a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes concentram grandes empreendimentos residenciais e comerciais, Irajá está conectado a uma extensa rede de deslocamentos urbanos e metropolitanos na zona norte carioca.

Em todos os casos, a empresa procura reduzir a necessidade de uma etapa adicional até a rodoviária principal.

Águia Branca aposta no Shopping Metrô Itaquera e na Barra da Tijuca

Outra iniciativa acompanhada pelo Diário do Transporte envolve a Viação Águia Branca, que ampliou sua presença comercial e operacional na ligação São Paulo–Rio de Janeiro.

Em 23 de janeiro de 2026, a transportadora anunciou a instalação de um quiosque de atendimento no Shopping Metrô Itaquera, na zona leste da capital paulista.

O ponto comercial foi instalado no segundo piso do empreendimento, com venda de passagens e atendimento presencial.

O shopping também passou a concentrar embarques e desembarques vinculados à nova operação interestadual.

A localização tem uma característica importante: a integração com a estação Corinthians-Itaquera, atendida pela Linha 3-Vermelha do Metrô, pela Linha 11-Coral dos trens metropolitanos e por linhas de ônibus urbanos.

A operação está relacionada à autorização concedida pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) em dezembro de 2025 para uma ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro, com atendimento ao Terminal Rodoviário Novo Rio e ao Via Parque Shopping, na Barra da Tijuca.

O modelo atende a uma questão recorrente nas viagens interestaduais: o passageiro pode estar mais próximo de um terminal urbano integrado do que da rodoviária principal de sua cidade.

Para moradores da zona leste paulistana e de municípios vizinhos, a utilização de Itaquera pode representar uma alternativa ao deslocamento até o Terminal Rodoviário do Tietê.

A Águia Branca também participa de uma associação empresarial com o Grupo JCA na BusCo, empresa voltada ao mercado rodoviário e à comercialização digital.

Em janeiro de 2026, o Diário do Transporte noticiou a integração comercial da BusCo com o Outlet de Passagens, plataforma do Grupo JCA.

Essa atuação mostra que os grandes grupos estão procurando combinar novos pontos de embarque, canais digitais de venda e diferentes modalidades de oferta.

Penha, do Grupo Comporte, aposta em Campo Grande, no Rio de Janeiro

A Expresso Nossa Senhora da Penha, pertencente ao Grupo Comporte, também passou a ampliar suas possibilidades de atendimento em regiões diferentes dos terminais tradicionais.

Em 29 de maio de 2026, o Diário do Transporte mostrou que a ANTT havia concedido à transportadora uma autorização para a ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro, passando por Campo Grande, na zona oeste da capital fluminense.

Posteriormente, em agosto, a agência emitiu outra autorização envolvendo a ligação Rio de Janeiro–São Paulo via Campo Grande.

Em 8 de outubro, a ANTT publicou uma retificação para esclarecer expressamente que Campo Grande, nesse caso, é o bairro pertencente ao município do Rio de Janeiro, e não a capital de Mato Grosso do Sul.

A Penha já apresentava viagens entre Campo Grande e o Terminal Rodoviário do Tietê nos sistemas de comercialização consultados durante a cobertura do Diário do Transporte.

O atendimento à região representa uma alternativa para moradores de uma área populosa e distante da Rodoviária Novo Rio.

A transportadora também recebeu autorização para uma ligação entre Embu das Artes, na Grande São Paulo, e o Rio de Janeiro.

Esses movimentos demonstram que a descentralização não depende exclusivamente da utilização de shoppings.

A criação de linhas com origens e destinos em diferentes regiões de uma área metropolitana também pode aproximar o transporte rodoviário dos passageiros.

É necessário, entretanto, distinguir a autorização regulatória da implantação efetiva de um serviço. A concessão de um termo pela ANTT não significa, automaticamente, que todos os horários e pontos previstos já estejam disponíveis para compra.

Guanabara e Itapemirim mostram que descentralização não começou agora

Embora tenha ganhado força com novas plataformas digitais e mudanças na concorrência, a estratégia de aproximar os ônibus rodoviários dos bairros já apresenta antecedentes no mercado brasileiro.

Em abril de 2022, a ANTT autorizou o Consórcio Federal de Transportes, integrado pelas empresas Brisa Ônibus e Rápido Federal, do Grupo Guanabara, a utilizar o Shopping Independência, em Juiz de Fora, Minas Gerais, como terminal adicional.

A autorização envolveu embarques e desembarques na ligação entre Juiz de Fora e o Rio de Janeiro, operada pela Brisa.

A experiência mostra que o aproveitamento de empreendimentos comerciais como estruturas de atendimento já era utilizado por transportadoras regulares antes da expansão recente desse modelo.

Na mesma época, outras empresas também buscaram autorização para operar em estruturas alternativas.

A Transportes Única Petrópolis, por exemplo, recebeu autorização para utilizar o Shopping Independência como terminal adicional em serviços entre Juiz de Fora e destinos fluminenses, como Petrópolis e Cabo Frio.

Outro exemplo envolve a marca Itapemirim.

Em junho de 2024, o Diário do Transporte noticiou que a Nova Itapemirim, então operada pela Suzantur, retomou a venda de passagens e anunciou partidas de ônibus a partir da comunidade da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro.

A comercialização ocorreu por meio de uma parceria com a BusPay e uma casa lotérica na Rua Via Ápia, nº 26.

Entre os destinos anunciados estavam Campina Grande, Caruaru, Feira de Santana, Fortaleza, Juazeiro do Norte, Petrolina, Salgueiro, Teresina e Vitória.

As operações deveriam ser implantadas gradualmente, com as primeiras partidas previstas para junho daquele ano.

Os ônibus também passariam pela Rodoviária Novo Rio.

Na ocasião, a própria empresa explicou que se tratava da retomada de um atendimento realizado anteriormente pelas antigas administrações da Itapemirim e da Kaissara.

Isso indica que a descentralização pode atender a necessidades regionais específicas, inclusive em bairros de elevada concentração populacional.

O histórico da Itapemirim exige ainda considerar as disputas judiciais e as mudanças nas condições de exploração de suas linhas. A experiência de 2024 não deve ser confundida com uma confirmação da situação operacional atual dessas viagens.

Reação à Buser e à FlixBus? Concorrência passou a envolver também os locais de embarque

A expansão dos pontos de embarque também pode ser analisada como uma resposta à transformação do mercado de transporte rodoviário, mas não há elementos suficientes para atribuir a iniciativa da Expresso do Sul exclusivamente à concorrência com a Buser ou a FlixBus.

O crescimento dessas plataformas e operadoras mudou a maneira como parte dos passageiros pesquisa, compara e compra viagens.

A Buser ganhou espaço inicialmente com o modelo de fretamento colaborativo intermediado por aplicativo, oferecendo viagens realizadas por empresas parceiras.

Um dos elementos associados ao formato é a utilização de pontos de embarque fora das rodoviárias tradicionais, como estacionamentos e locais previamente definidos em áreas urbanas.

O modelo, porém, tem diferenças regulatórias importantes em relação ao transporte regular, que exige autorizações específicas para a exploração dos serviços.

A Buser também passou a buscar participação direta no mercado regular.

Em abril de 2026, o Diário do Transporte revelou que a plataforma havia conquistado acesso a 27 mercados interestaduais por meio das empresas Transportes Santa Maria, de São Bernardo do Campo, e Expresso JK, do Distrito Federal.

A FlixBus, por sua vez, ampliou sua atuação no Brasil com uma estrutura comercial baseada em tecnologia e parcerias operacionais, além de autorizações para exploração de serviços regulares.

As empresas tradicionais passaram a enfrentar, portanto, concorrentes que utilizam diferentes combinações de preço, tecnologia, comercialização e organização das viagens.

A reação inclui descontos, categorias de maior conforto, serviços com ônibus de dois andares, plataformas próprias de venda e alternativas de embarque.

Nesse cenário, a localização passou a integrar a disputa pelo passageiro.

Uma passagem vendida por preço inferior pode deixar de ser economicamente vantajosa se o usuário precisar gastar valores elevados com transporte individual para chegar ao ponto de embarque.

Da mesma maneira, um serviço com tarifa ligeiramente superior pode ser mais atraente quando permite iniciar a viagem próximo à residência ou ao trabalho.

A concorrência deixa, assim, de envolver somente a tarifa rodoviária e passa a considerar o custo total do deslocamento.

Mas há outros fatores que explicam a tendência.

As grandes cidades cresceram, os deslocamentos urbanos ficaram mais complexos e nem sempre as rodoviárias tradicionais estão localizadas nas regiões de maior demanda.

Além disso, o passageiro que utiliza aplicativos de mobilidade, metrô e ônibus urbanos passou a considerar diferentes combinações de transporte para organizar sua viagem.

A descentralização pode representar uma adaptação a esse comportamento, independentemente de qual empresa ou plataforma tenha estimulado inicialmente a mudança.

Em reportagem especial publicada em 7 de fevereiro de 2026, o Diário do Transporte já havia abordado esse movimento no setor.

Na ocasião, o advogado e consultor especializado em regulação e operação do transporte rodoviário de passageiros, Ilo Löbel da Luz, destacou que a localização dos terminais passa a influenciar diretamente a capacidade das empresas de atrair clientes.

“Essa autorização evidencia que a disputa pelo passageiro começa antes da viagem em si. Não é apenas o preço da passagem que está em jogo, mas o tempo e o esforço que o usuário precisa fazer para acessar o serviço”, avaliou.

Rodoviárias tradicionais continuam importantes, mas modelo exige discussão regulatória

A ampliação dos pontos alternativos não significa necessariamente o enfraquecimento imediato dos terminais rodoviários convencionais.

Essas estruturas continuam relevantes para a concentração de diferentes empresas, integração de linhas, prestação de informações, fiscalização e atendimento aos usuários.

Grandes rodoviárias também oferecem infraestrutura específica para a movimentação de passageiros e veículos, incluindo plataformas, sanitários, áreas de espera, acessibilidade e outros serviços.

O próprio Grupo JCA continua investindo nessas instalações.

Em agosto de 2025, o grupo inaugurou uma nova estrutura de atendimento no Terminal Rodoviário do Tietê, na capital paulista, com seis guichês, incluindo uma unidade adaptada para acessibilidade.

A estrutura foi voltada principalmente ao atendimento da ligação São Paulo–Rio de Janeiro, operada por marcas como Auto Viação 1001, Expresso do Sul e Catarinense.

Essa combinação mostra que a estratégia das transportadoras pode envolver simultaneamente melhorias nas rodoviárias tradicionais e a criação de pontos descentralizados.

Sob o aspecto regulatório, o transporte regular interestadual permanece sujeito às exigências da ANTT, inclusive quanto aos mercados autorizados, à identificação dos serviços e aos locais utilizados para atendimento.

A operação em um shopping, estacionamento ou estabelecimento privado não dispensa o cumprimento das normas aplicáveis.

Também é necessário considerar as condições municipais de trânsito e de utilização dos espaços.

Ônibus rodoviários de dois andares, especialmente os de maior comprimento, exigem locais adequados para manobras, estacionamento e movimentação de bagagens.

Outro ponto é a qualidade da infraestrutura oferecida.

Uma rodoviária tradicional costuma concentrar serviços que podem não existir em pontos alternativos, principalmente durante a madrugada.

Por isso, a expansão dessas operações precisa ser acompanhada de informações claras sobre acessibilidade, segurança, áreas de espera e procedimentos de embarque.

Há ainda uma discussão econômica.

Os terminais rodoviários convencionais possuem despesas de funcionamento e manutenção que, dependendo do modelo de exploração, são custeadas por tarifas de utilização, receitas comerciais e contratos de concessão.

A expansão de estruturas alternativas pode modificar a distribuição dos passageiros e das receitas, exigindo uma análise sobre equilíbrio econômico e igualdade das condições concorrenciais.

Por outro lado, limitar os embarques exclusivamente aos terminais tradicionais pode impor percursos adicionais aos usuários e restringir a oferta de alternativas.

O desafio é equilibrar essas questões sem impedir a diversificação dos serviços.

Passageiro deve considerar o custo total da viagem e a infraestrutura oferecida

Para o consumidor, a principal consequência da descentralização é a possibilidade de escolher não apenas a empresa e o horário, mas também a localização de início e término da viagem.

A economia pode envolver o valor da passagem, a tarifa do transporte urbano, eventuais corridas por aplicativo e o tempo necessário para chegar ao ponto de partida.

Entretanto, não basta que o embarque esteja geograficamente mais próximo.

O passageiro também precisa avaliar se o local possui acesso seguro, se está próximo de linhas de transporte coletivo em funcionamento no horário previsto e se oferece condições adequadas de espera.

No caso da Expresso do Sul, a partida da Vila Sônia às 21h35 permite que o usuário organize o deslocamento pela região oeste da capital antes de iniciar a viagem ao Rio de Janeiro.

Na volta, a utilização do ponto da Avenida Eliseu de Almeida deverá ser considerada na programação do deslocamento final dentro de São Paulo.

Essas informações fazem parte do planejamento de uma viagem e podem influenciar a escolha entre duas transportadoras, mesmo quando as tarifas são semelhantes.

Com a nova operação da Expresso do Sul, o Grupo JCA passa a ampliar ainda mais sua presença em pontos de embarque descentralizados, enquanto outras empresas também procuram adaptar a oferta à distribuição dos passageiros nas regiões metropolitanas.

O resultado dessa estratégia dependerá da demanda, das condições regulatórias, da qualidade das estruturas e da capacidade de oferecer viagens regulares sem transferir ao consumidor dificuldades que antes eram resolvidas nos terminais rodoviários convencionais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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