Financiamento será dividido em quatro operações, com prazo de dez anos para pagamento; recursos poderão atender intervenções urbanas, incluindo corredores e vias utilizadas pelo transporte público
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de São Paulo abriu uma chamada pública para selecionar instituições financeiras interessadas em conceder R$ 2,267 bilhões em empréstimos destinados a investimentos em infraestrutura urbana, drenagem, adaptação às mudanças climáticas e mobilidade. A medida consta da edição desta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, do Diário Oficial da Cidade, e faz parte da estratégia da administração municipal para ampliar os investimentos em obras, incluindo intervenções em vias e corredores que atendem ao transporte coletivo.
A operação será dividida em quatro subcréditos, três de R$ 600 milhões e um de aproximadamente R$ 467,48 milhões. O financiamento terá prazo total de 120 meses, com 12 meses de carência e 108 meses de amortização. A Prefeitura pretende contratar recursos no mercado financeiro nacional, mediante seleção da proposta que apresentar as condições mais vantajosas, observadas as exigências para operações de crédito com garantia da União.
A chamada foi publicada pela Secretaria Municipal da Fazenda e integra o planejamento de financiamento dos investimentos municipais. O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, traz em primeira-mão.
A medida ocorre em um momento em que São Paulo mantém projetos de corredores de ônibus, requalificação viária, intervenções para redução de alagamentos e adaptações da infraestrutura urbana às condições climáticas.
A drenagem tem relação direta com a mobilidade. Alagamentos em avenidas, corredores de ônibus, terminais e acessos viários podem provocar interrupções na circulação dos coletivos, alterações de itinerários e aumento dos tempos de viagem.
As intervenções previstas dentro das áreas contempladas pelo financiamento poderão contribuir para melhorar as condições de circulação e reduzir a vulnerabilidade da infraestrutura urbana a episódios de chuva intensa.
Financiamento será dividido em quatro subcréditos
A estrutura da operação foi organizada pela Secretaria da Fazenda para permitir contratações em parcelas.
| Subcrédito | Valor |
|---|---|
| A | R$ 600.000.000,00 |
| B | R$ 600.000.000,00 |
| C | R$ 600.000.000,00 |
| D | R$ 467.476.065,22 |
| Total | R$ 2.267.476.065,22 |
A chamada admite propostas de instituições financeiras individualmente ou organizadas em sindicato bancário, mediante as condições estabelecidas no edital.
As instituições interessadas deverão apresentar propostas que contemplem a integralidade da operação, mesmo que os contratos sejam formalizados em diferentes oportunidades.
O modelo também prevê critérios de comparação dos custos financeiros, considerando taxas de juros, componentes adicionais de remuneração e tarifas eventualmente cobradas pelas instituições.
Para uniformizar a avaliação das propostas, o edital utiliza uma projeção de referência da taxa DI/CDI de 13,65% ao ano. Esse percentual constitui um parâmetro para comparação financeira das ofertas, e não uma taxa de juros definitiva estabelecida para os empréstimos.
A contratação estará sujeita às etapas de análise e autorização dos órgãos federais responsáveis pelas operações de crédito de municípios, entre eles a Secretaria do Tesouro Nacional e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Prazos de pagamento e condições financeiras
Os empréstimos serão contratados em reais, na modalidade de crédito interno.
O prazo total previsto é de dez anos, distribuído em:
| Condição | Prazo |
|---|---|
| Carência | 12 meses |
| Amortização | 108 meses |
| Prazo total | 120 meses |
| Sistema de amortização | SAC |
| Garantia | União |
No sistema de amortização constante, conhecido como SAC, o valor do principal é reduzido progressivamente ao longo dos pagamentos, com incidência dos encargos financeiros sobre o saldo devedor.
O edital também estabelece condições para apresentação, validade e julgamento das propostas, além de regras sobre eventual participação conjunta de instituições financeiras.
Mobilidade urbana e necessidade de investimentos
A iniciativa se relaciona com o conjunto de obras previstas para a capital paulista, que enfrenta desafios relacionados à capacidade viária, à circulação de ônibus e aos impactos de chuvas intensas sobre a operação do transporte.
Corredores de ônibus dependem não apenas de faixas e pavimentos adequados, mas também de sistemas de drenagem, acessibilidade, sinalização, segurança e manutenção.
Problemas nessas estruturas podem comprometer a regularidade das viagens, elevar os custos operacionais das empresas e afetar os deslocamentos dos passageiros.
A abertura da chamada pública representa a etapa financeira de seleção das instituições interessadas em conceder os empréstimos. A destinação dos recursos aos empreendimentos será vinculada aos projetos e às condições de execução estabelecidos pela administração municipal.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
