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CatSul adota bilhetagem digital na travessia entre Porto Alegre e Guaíba e integra vendas, pagamentos e controle de lotação

Sistema desenvolvido pela ONBOARD entrou em operação em setembro de 2026 e reúne bilheteria, comércio eletrônico, pagamento por aproximação e Cartão TEU. No primeiro mês, cerca de 500 passageiros se cadastraram espontaneamente nos canais digitais

ALEXANDRE PELEGI

A CatSul, responsável pela travessia hidroviária entre Porto Alegre e Guaíba, no Rio Grande do Sul, passou a operar, desde 4 de setembro de 2026, com um novo sistema de bilhetagem digital desenvolvido pela empresa brasileira ONBOARD. A plataforma integra os diferentes canais de comercialização de passagens, incluindo bilheterias físicas, comércio eletrônico, pagamentos por aproximação nas catracas e Cartão TEU, utilizado no transporte metropolitano.

A mudança permite que todas as modalidades de venda compartilhem, em tempo real, as informações sobre a disponibilidade de lugares nas embarcações, evitando a comercialização de passagens acima da capacidade permitida.

Entre 4 de setembro e 7 de outubro, período inicial de funcionamento da plataforma, aproximadamente 500 passageiros realizaram cadastros espontâneos nos canais digitais, mesmo sem campanhas de divulgação dos novos serviços.

A implantação também atende à necessidade de adequação da operadora às exigências fiscais relacionadas ao Bilhete de Passagem Eletrônico para o transporte metropolitano (BP-e TM).

Mudança de sistema após mais de 12 anos

Durante mais de 12 anos, a CatSul utilizou um sistema de bilhetagem tradicionalmente empregado no transporte rodoviário, responsável pela venda de passagens, controle de acesso, gestão da lotação e embarque de passageiros.

A necessidade de substituição surgiu com a obrigatoriedade de emissão do BP-e TM, funcionalidade que não estava disponível na plataforma anterior.

A empresa decidiu aproveitar a mudança para ampliar as possibilidades de comercialização de passagens, incluindo pagamentos com cartão diretamente nas catracas, Pix, comércio eletrônico, integração com WhatsApp e conexão com novos parceiros comerciais por meio de interfaces de programação de aplicações (APIs).

Outro objetivo foi reduzir a dependência de diferentes fornecedores para atividades relacionadas à bilhetagem e à gestão das vendas.

Anteriormente, a utilização de sistemas distintos dificultava a identificação e a solução de problemas operacionais. Com a nova plataforma, bilhetagem, canais de venda e informações sobre os embarques passaram a ser administrados em um mesmo ambiente.

Processo de seleção considerou experiência em operações aquaviárias

A escolha da ONBOARD ocorreu após um processo formal de consulta ao mercado, conhecido como RFP (Request for Proposal), no qual a CatSul avaliou diferentes fornecedores de sistemas de bilhetagem.

Segundo as informações do projeto, um dos principais critérios adotados foi a existência de soluções já utilizadas comercialmente, em vez de funcionalidades que ainda dependeriam de desenvolvimento.

Entre as empresas avaliadas, a ONBOARD foi identificada como a única que já reunia experiência operacional em bilhetagem aquaviária e integração com sistemas de cartões de terceiros.

Nas demais propostas, essas funcionalidades exigiriam etapas adicionais de desenvolvimento, condição considerada pela CatSul na avaliação dos riscos de implantação.

Operação exige controle simultâneo de capacidade e vendas

A travessia entre Porto Alegre e Guaíba apresenta características que exigem sincronização entre os sistemas de venda e embarque.

A CatSul utiliza embarcações com capacidades de 122 e 172 passageiros. Como não é permitido transportar pessoas em pé, a quantidade de passagens comercializadas precisa corresponder ao número de assentos disponíveis em cada viagem.

O sistema deve impedir tanto a venda acima da capacidade quanto o bloqueio indevido de lugares disponíveis, situação que pode representar perda de receita para a operadora.

A programação compreende 30 travessias diárias, sendo 15 em cada sentido, realizadas entre 5h45 e 20h.

Nos primeiros horários de saída de Guaíba, mais de 500 passageiros embarcam em um intervalo reduzido, principalmente trabalhadores que se deslocam para Porto Alegre.

Nessas condições, eventuais falhas na bilhetagem podem afetar centenas de usuários em poucos minutos.

Outra particularidade da operação é o atendimento ao Pontal, ponto que recebe viagens provenientes tanto de Porto Alegre quanto de Guaíba.

A plataforma precisa identificar corretamente a origem de cada embarque para evitar conflitos entre viagens que utilizam o mesmo local.

Além disso, diferentes meios de pagamento — Cartão TEU, cartões de crédito e débito, Pix e QR Code — precisam obedecer às mesmas regras de disponibilidade de lugares.

Com a integração, quando uma embarcação atinge sua capacidade máxima, a venda de passagens é interrompida simultaneamente em todos os canais.

Cartão TEU e bilheterias concentram a maior parte das transações

A implantação da plataforma preservou a utilização de sistemas e equipamentos já existentes na operação, incluindo o Cartão TEU, os dispositivos de pagamento das bilheterias e os mecanismos de emissão fiscal.

Os dados do primeiro mês mostram que os canais tradicionais continuam concentrando a maior parte dos embarques e das transações, enquanto as novas modalidades digitais começam a ser utilizadas pelos passageiros.

Participação informada por canal no primeiro mês

Cartão TEU

49,5%

Bilheteria

48,4%

E-commerce

1,9%

Aproximação na catraca

0,2%

Fonte: dados do projeto CatSul/ONBOARD. O Cartão TEU corresponde à participação nos embarques; os demais percentuais foram informados sobre o volume de transações.

O Cartão TEU, utilizado no sistema de transporte metropolitano, é lido diretamente nas catracas, com registro dos embarques na nova plataforma. No primeiro mês, respondeu por aproximadamente 49,5% dos embarques.

Nas bilheterias físicas, a venda passou a ser realizada por meio de um aplicativo de Rede de Venda integrado aos terminais de pagamento (PinPad), permitindo transações com cartões de crédito e débito. Esse canal representou 48,4% do volume total de transações no período.

O pagamento por aproximação é realizado diretamente no Dispositivo de Bilhetagem Digital (DBD), equipamento que reúne funcionalidades de bilhetagem, rastreamento e processamento da operação.

Nessa modalidade, o passageiro aproxima seu cartão de crédito ou débito do dispositivo instalado na catraca. A participação foi de 0,2% das transações no primeiro mês.

O comércio eletrônico, por sua vez, respondeu por 1,9% das transações, utilizando a mesma disponibilidade de lugares das bilheterias e das catracas.

A emissão do BP-e TM também passou a ocorrer de forma integrada à comercialização das passagens.

A arquitetura do sistema permite que futuras vendas realizadas por WhatsApp ou por outros canais digitais sejam incorporadas ao mesmo controle de capacidade, sem a criação de estoques separados de passagens.

Novos canais registram adesão espontânea

Entre 4 de setembro e 7 de outubro de 2026, a operação funcionou integralmente na nova plataforma.

A CatSul optou por priorizar a estabilização do sistema antes de iniciar ações de divulgação dos novos canais de atendimento e comercialização.

Mesmo assim, aproximadamente 500 passageiros realizaram cadastros espontâneos no ambiente digital.

Esses registros permitem à empresa identificar usuários e desenvolver ações comerciais específicas, incluindo a oferta de tarifas promocionais.

Também foram registradas vendas pelo comércio eletrônico e por aproximação diretamente nas catracas, sem campanhas para estimular a utilização dessas modalidades.

Segundo as informações do projeto, passageiros passaram a reconhecer o símbolo de pagamento por aproximação nos equipamentos e a utilizar o recurso por iniciativa própria.

A adoção desses canais pode contribuir para reduzir a demanda por atendimento presencial nas bilheterias, especialmente nos horários de maior movimento.

A transição entre os sistemas ocorreu sem interrupção das vendas, com as bilheterias e o Cartão TEU funcionando desde o primeiro dia de implantação.

Plataforma reúne informações operacionais em nuvemO sistema adotado pela CatSul utiliza o BDOS, plataforma de gestão em nuvem desenvolvida pela ONBOARD.

O ambiente concentra regras tarifárias, controle de lotação por viagem e informações sobre vendas e embarques em tempo real.

Nas catracas, os Dispositivos de Bilhetagem Digital (DBDs) permitem a leitura de QR Codes e cartões de crédito e débito por aproximação.

Os equipamentos autorizam o embarque de acordo com a capacidade disponível em cada viagem. A leitura à distância também permite validar bilhetes sem a necessidade de contato físico com o dispositivo.

Nas bilheterias, o aplicativo de Rede de Venda foi adaptado à rotina de atendimento da CatSul e integrado aos equipamentos de pagamento.

O comércio eletrônico permite a compra de passagens mediante cadastro do passageiro, utilizando o mesmo estoque de lugares disponível nos demais canais.

Outra funcionalidade incorporada foi a possibilidade de estabelecer tarifas diferenciadas por horário.

Com isso, a CatSul passou a aplicar preços promocionais em viagens específicas, recurso que não estava disponível no sistema anterior.

A plataforma também envia aos equipamentos instalados nas catracas as informações sobre a programação de viagens, horários e configurações operacionais.

Próxima etapa prevê ampliação dos canais de comercialização

Após a implantação da bilhetagem digital, a CatSul pretende ampliar sua rede de distribuição de passagens, incorporando novos canais e parceiros comerciais.

A estratégia busca permitir que os usuários adquiram passagens por diferentes meios, sem depender exclusivamente das bilheterias físicas ou dos canais próprios da operadora.

Segundo Alex Dutra, gerente de Tecnologia da Informação e Head de PMO da CatSul, a possibilidade de integração com outros sistemas representa uma das principais mudanças introduzidas pela nova plataforma.

“Antes, a possibilidade de integrar a CatSul com outros canais era zero. Com o sistema novo, a gente consegue conectar outros players e vender passagem em qualquer lugar, porque onde mais eu tiver vendendo, melhor. O produto tem um grande potencial de crescimento.”

A ampliação dos canais deverá manter o controle centralizado de disponibilidade de lugares, de forma que as passagens comercializadas por diferentes parceiros sejam registradas na mesma base operacional.

ONBOARD atua em mais de dez estados brasileiros

A ONBOARD é uma empresa brasileira de tecnologia voltada à mobilidade, especializada em sistemas de bilhetagem baseada em conta, conhecidos pela sigla ABT (Account-Based Ticketing).

Segundo dados da companhia, sua plataforma atende operações de ônibus, trens, metrôs e ferryboats em mais de dez estados brasileiros, incluindo quatro capitais.

A empresa informa processar aproximadamente cinco milhões de transações por mês.

Entre os produtos oferecidos estão o Bipay, aplicativo destinado aos passageiros, e o DBD, equipamento embarcado que integra funções de bilhetagem, rastreamento e processamento operacional.

A implantação na CatSul representa a aplicação dessas tecnologias à operação hidroviária metropolitana, com integração entre meios de pagamento, gestão de capacidade e diferentes canais de comercialização de passagens.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

 

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