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SPTrans contrata segurança por R$ 1,33 milhão para lotes da antiga Transwolff, ainda à espera de nova concessão em São Paulo

Contrato atende unidades operacionais dos D10 e D11 por 12 meses; Prefeitura mantém estrutura após desistência da Sancetur e prevê redistribuir parte das linhas antes da licitação

ADAMO BAZANI

A SPTrans contratou serviços de vigilância e segurança patrimonial por R$ 1,33 milhão para as unidades utilizadas na operação dos lotes D10 e D11, anteriormente concedidos à Transwolff, na zona Sul de São Paulo. O contrato foi publicado nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, enquanto a administração municipal continua responsável por sustentar a estrutura de atendimento dessas linhas.

A contratação integra a sequência de serviços necessários à manutenção da operação após a intervenção iniciada em 2024 e a desistência da Sancetur de assumir os lotes, em janeiro de 2026. A solução definitiva prevê nova concessão, precedida de reorganização da malha e transferência de parte dos itinerários para empresas que já atuam na região, conforme explicou o prefeito Ricardo Nunes ao Diário do Transporte.

Avanzzo prestará vigilância nas unidades utilizadas pela SPTrans

A contratada é a Avanzzo Segurança e Vigilância Patrimonial Ltda., inscrita no CNPJ 29.313.317/0001-60.

O serviço contempla vigilância e segurança patrimonial com fornecimento de mão de obra residente nas unidades operacionais utilizadas pela SPTrans nos dois lotes.

Informação Contrato
Valor R$ 1.329.992,16
Base dos preços Setembro de 2026
Assinatura 25 de setembro de 2026
Prazo 12 meses a partir da assinatura
Registro 2026/0347-01-00

O extrato não discrimina os endereços atendidos, a quantidade de vigilantes ou a distribuição dos postos.

Em agosto, durante os esclarecimentos da licitação, a SPTrans informou que seria sua primeira contratação direta desse serviço para os D10 e D11. A publicação atual registra a formalização do contrato.

Operação Fim da Linha levou à intervenção em abril de 2024

A Prefeitura interveio na Transwolff em 9 de abril de 2024, quando o Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Fim da Linha, que também atingiu a UPBus.

A investigação apura suspeitas de ligação de integrantes do setor de transporte coletivo com lavagem de dinheiro relacionada ao PCC, Primeiro Comando da Capital. A Transwolff nega ligação institucional com atividades criminosas.

A intervenção colocou equipes da SPTrans na administração da operação para preservar a continuidade do serviço aos passageiros.

Em dezembro de 2025, a Prefeitura decretou a caducidade dos contratos D10 e D11, alegando descumprimentos contratuais. A medida foi contestada judicialmente. A cobertura do Diário do Transporte registrou decisão provisória na esfera cível suspendendo seus efeitos, enquanto permaneciam decisões criminais relacionadas ao afastamento de dirigentes.

A investigação criminal, a discussão judicial dos contratos e a responsabilidade de manter os ônibus circulando são frentes distintas.

Sancetur assinou contrato emergencial e desistiu dois dias depois

A tentativa de transferência para a Sancetur — Santa Cecília Turismo Ltda. — chegou à assinatura de contrato emergencial em 26 de janeiro de 2026.

A operação então apresentada pela Prefeitura abrangia 133 linhas, cerca de 1.100 ônibus em serviço e aproximadamente 555 mil passageiros por dia. A previsão era que a empresa assumisse a partir de fevereiro.

Em 28 de janeiro, entretanto, a Sancetur comunicou que não tinha condições de assumir plenamente os dois lotes. O Diário do Transporte revelou a desistência em primeira mão.

A estrutura da antiga Transwolff envolvia a administração central, trabalhadores contratados e proprietários de veículos oriundos do modelo cooperativo. Esse arranjo esteve entre as dificuldades relatadas durante a tentativa de transferência.

Nova malha deverá ter menos linhas nos lotes, com repasse de itinerários a atuais operadoras

Em junho, o Diário do Transporte revelou o encaminhamento de proposta de edital ao Tribunal de Contas do Município.

Na entrevista publicada em 22 de junho, o prefeito Ricardo Nunes explicou que a futura concessão deveria considerar uma rede reorganizada. Os estudos trabalhavam com aproximadamente 111 linhas, redução de cerca de 20% no conjunto vinculado aos novos lotes e diminuição da frota de aproximadamente 1.200 para cerca de 800 ônibus.

Segundo o prefeito, parte dos itinerários seria transferida antes da licitação para operadoras que já atendem trajetos semelhantes, entre elas Mobibrasil, Viação Grajaú e Viação Metrópole Paulista.

A redução anunciada se refere à estrutura dos lotes a conceder. A Prefeitura afirmou que a reorganização não significaria corte equivalente de atendimento à população.

Os números de janeiro e junho retratam momentos e configurações diferentes. Não devem ser apresentados como uma mesma base operacional.

A edição desta terça-feira não publica o edital da nova concessão nem a relação definitiva das linhas a redistribuir. O contrato de segurança atende à estrutura mantida pela SPTrans enquanto essa solução permanece pendente.

Contratações de apoio acompanham a permanência da gestão pública

Além da vigilância, o Diário do Transporte acompanhou procedimentos para contratar manutenção dos ônibus, peças, recapagem de pneus e assistência médica dos trabalhadores.

Essas atividades normalmente integram a estrutura de uma concessionária. Com a operação sob responsabilidade municipal, precisam ser providenciadas pela SPTrans para sustentar o funcionamento dos lotes.

Relembre a cobertura:

Desistência da Sancetur, revelada em 28 de janeiro

Resposta de Nunes sobre redução da malha e transferência de linhas

Esclarecimentos da primeira contratação de vigilância para os lotes

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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