Motiva amplia capacitação interna para preencher cargos ligados a drones, análise de dados, inspeção de trilhos e automação
YURI SENA
A incorporação de novas tecnologias às operações metroferroviárias vem criando funções que combinam conhecimentos técnicos tradicionais com ferramentas digitais e inteligência artificial. Diante da dificuldade encontrada por empresas brasileiras para contratar profissionais especializados em tecnologia, a Motiva tem priorizado a capacitação de colaboradores que já atuam nas linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda.
Segundo levantamento “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências”, encomendado pela Ford e realizado pelo Datafolha em abril de 2026, 98% das empresas brasileiras consultadas enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados na área de tecnologia.
No setor metroferroviário, a expansão tecnológica levou à criação de funções relacionadas à operação de drones, análise de dados coletados por sistemas embarcados, inspeção automatizada de trilhos e operação de equipamentos de monitoramento.
De acordo com a Motiva, mais de dez novas funções foram incorporadas às áreas de manutenção e operação das quatro linhas. Entre elas estão operador de drone, ultrassonografista de via, operador de carro-controle e profissionais responsáveis pela análise de dados produzidos por ferramentas de inteligência artificial.
Operadores de drones
Nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, seis colaboradores passaram a atuar como operadores de drones no fim de agosto. Os profissionais foram selecionados internamente e participaram de uma capacitação de cinco dias, conduzida por profissionais do mercado e operadores que já trabalhavam nos ramais.
Os seis novos operadores chegaram à empresa como agentes de atendimento e segurança (AAS). Com a formação, a equipe dedicada às operações com drones passou a contar com dez profissionais.
Os equipamentos são utilizados no monitoramento das vias e estações, apoiando áreas como segurança e manutenção. Entre as aplicações estão a identificação de acessos indevidos à via, possíveis furtos de cabos e anomalias estruturais que possam exigir intervenção.
Andressa Oliveira é uma das profissionais que mudou de função. Antes agente de atendimento e segurança, passou a atuar como agente líder do Núcleo de Inteligência das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, coordenando os operadores na definição de rotas, escalas de voo e atendimento às demandas de outras áreas.
Nas linhas 4-Amarela e 5-Lilás, dez profissionais também foram capacitados para operar drones, sendo cinco de cada linha. Eles já trabalhavam nas equipes de manutenção de equipamentos fixos e manutenção civil e passaram por quatro dias de treinamento.
A utilização dos equipamentos nessas áreas permite ampliar o mapeamento de estruturas e agilizar a identificação de problemas em locais como fachadas, para-raios e subestações de energia.
Inspeção automatizada dos trilhos
