Aditivo eleva contrato ligado à Teotônio Vilela em R$ 4,63 milhões, para R$ 31,96 milhões; publicação sobre Graúna–Gaivotas formaliza prorrogação de apoio aos projetos dos acessos à ligação sobre a Billings
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de São Paulo publicou alterações em contratos ligados a duas intervenções para os deslocamentos na zona Sul: a ligação Graúna–Gaivotas, que inclui uma nova travessia sobre a Represa Billings, e a duplicação de um trecho da Avenida Senador Teotônio Vilela, utilizado no acesso a bairros e terminais do extremo sul. Na Teotônio Vilela, o contrato com a SPObras recebe acréscimo de R$ 4,63 milhões e passa a R$ 31,96 milhões, com revisão do orçamento e da programação dos serviços. Na Graúna–Gaivotas, foi formalizada uma prorrogação dos serviços de apoio aos levantamentos e projetos dos acessos.
Os aditivos constam do Diário Oficial desta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, e integram empreendimentos com funções diferentes: a Graúna–Gaivotas pretende criar uma alternativa de ligação entre os distritos de Grajaú e Cidade Dutra, enquanto a intervenção na Teotônio Vilela busca reduzir um afunilamento em aproximadamente 825 metros da avenida, com prioridade para ônibus e melhorias para pedestres e ciclistas. A íntegra dos documentos também exige uma distinção de datas: a prorrogação da Graúna–Gaivotas é de seis meses contados de fevereiro de 2025, apesar de o termo ter sido assinado em setembro de 2026.
Os dois instrumentos foram firmados entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, a SIURB, e a São Paulo Obras, a SPObras.
A empresa municipal participa da contratação, do acompanhamento e da fiscalização dos serviços relacionados aos empreendimentos. Os aditivos precisam ser entendidos dentro desse conjunto de contratos, projetos e obras, porque seus prazos e valores se referem a objetos específicos.
Teotônio Vilela: contrato aumenta R$ 4,63 milhões e passa a R$ 31,96 milhões
A alteração relacionada à Avenida Senador Teotônio Vilela adota uma nova planilha orçamentária e acrescenta R$ 4.626.936,12 ao contrato entre a Prefeitura e a SPObras.
O valor passa de R$ 27.334.458,31 para R$ 31.961.394,43. A diferença equivale a aproximadamente 16,9% do montante anterior.
| Contrato ligado à Teotônio Vilela | Valor |
|---|---|
| Antes deste aditivo | R$ 27.334.458,31 |
| Acréscimo | R$ 4.626.936,12 |
| Após o aditivo | R$ 31.961.394,43 |
O termo registra acréscimos de serviços de 18,89% e reduções de 1,97% sobre o valor inicial, apresentados separadamente, sem compensação.
Essa separação permite identificar o aumento e a retirada de itens, em vez de mostrar apenas o saldo final da alteração.
Para atender às despesas do aditivo, o documento informa a emissão de uma nota de empenho de R$ 5 milhões, vinculada ao orçamento vigente.
O empenho é a etapa em que a administração compromete recursos para uma obrigação. O pagamento depende das etapas seguintes, incluindo a verificação do que foi executado.
Os R$ 5 milhões empenhados e os R$ 4,63 milhões acrescentados ao contrato são informações distintas. O valor do empenho não deve ser somado novamente ao acréscimo como se representasse outro aumento contratual.
O aditamento também adota um novo cronograma físico-financeiro.
Duplicação abrange 825 metros em um eixo utilizado para chegar a Parelheiros, Varginha e Grajaú
A intervenção na Avenida Senador Teotônio Vilela começa próximo à Rua José Nicolau de Lima e segue até as proximidades da Rua Satélite Ariel.
Embora tenha extensão relativamente curta, o trecho concentra conexões importantes para a circulação regional. O objetivo anunciado pela Prefeitura é reduzir o afunilamento e melhorar o acesso aos terminais Parelheiros e Varginha e ao terminal e à estação Grajaú.
No anúncio de início das obras, em maio de 2024, a administração apresentou um investimento de R$ 21,9 milhões e previsão de conclusão para março de 2025.
Esse valor histórico anunciado para a obra e os R$ 31,96 milhões do contrato agora alterado são referências de momentos e instrumentos diferentes. A comparação precisa considerar o escopo e as alterações de cada contratação.
O aditivo publicado nesta quinta-feira está ligado aos serviços de contratação, gerenciamento e fiscalização da execução da duplicação.
Projeto da avenida inclui faixa para ônibus, novas paradas, ciclovia e redes enterradas
O desenho divulgado para a Teotônio Vilela prevê, em cada sentido, uma faixa exclusiva para ônibus e duas faixas para veículos em geral.
Também contempla novas paradas, pavimento de concreto nas áreas de parada e superguias, que aproximam a área de embarque da altura de acesso ao coletivo.
O conjunto inclui ciclovia no canteiro central, passeios mais largos, drenagem, sinalização, paisagismo e enterramento de redes de energia, com retirada de postes.
| Intervenção prevista | Função |
|---|---|
| Faixa exclusiva para ônibus | Dar prioridade ao transporte coletivo |
| Novas paradas e superguias | Melhorar as condições de embarque |
| Pavimento de concreto nas paradas | Suportar a circulação e a parada de veículos pesados |
| Calçadas mais largas | Melhorar a circulação e a acessibilidade |
| Ciclovia | Criar espaço para deslocamentos por bicicleta |
| Drenagem e redes enterradas | Reorganizar a infraestrutura da avenida |
Para quem utiliza ônibus, a utilidade da duplicação depende de como a prioridade ao transporte coletivo será implantada e operada. O alargamento precisa ser acompanhado por condições adequadas nos cruzamentos, acessos e pontos de parada.
Gerenciamento e fiscalização acompanham a execução, as medições e a compatibilidade com os projetos
O gerenciamento organiza as diferentes frentes do empreendimento, acompanha sua programação e trata das interfaces entre serviços.
A fiscalização verifica o atendimento às exigências contratuais e técnicas, como qualidade dos materiais, execução prevista nos projetos e quantidades utilizadas nas medições.
Essas funções são relevantes em uma avenida que precisa continuar atendendo deslocamentos durante as intervenções. Pavimentação, drenagem, redes de serviços públicos, acessos e circulação precisam ser compatibilizados.
Uma nova planilha de orçamento registra os itens e valores revisados do contrato. Já o cronograma físico-financeiro relaciona etapas de execução e programação de recursos ao longo do tempo.
No caso da Teotônio Vilela, o termo assinado em 28 de setembro formaliza a revisão desses instrumentos, com referência a uma autorização publicada em 9 de setembro de 2026.
Graúna–Gaivotas prevê uma ligação de seis quilômetros, incluindo ponte de 960 metros sobre a Billings
A Graúna–Gaivotas, também apresentada pela Prefeitura como Ponte Grajaú, é um empreendimento mais amplo que a travessia sobre a água.
A configuração divulgada em setembro de 2026 reúne aproximadamente seis quilômetros de ligação viária, com implantação e requalificação de acessos nos dois lados da Represa Billings.
A ponte terá 960 metros sobre o braço do Cocaia, duas faixas de circulação por sentido, ciclovia e calçadas acessíveis.
O investimento informado pela Prefeitura é de R$ 347,5 milhões. A programação municipal prevê a ponte em funcionamento em fevereiro de 2028 e a conclusão do conjunto de intervenções em novembro daquele ano.
A administração estima redução de até 64% no tempo de viagem entre a Rua Mâncio Lima e a Avenida Presidente João Goulart. Trata-se de uma projeção, que deverá ser verificada quando a ligação estiver operando.
Nova travessia pretende reduzir os contornos impostos pela represa e ampliar as conexões do Grajaú
A Billings condiciona os caminhos disponíveis entre bairros da região. A nova ponte pretende criar uma alternativa de circulação entre os lados Graúna e Gaivotas, conectando o sistema viário de Cidade Dutra ao de Grajaú.
O projeto alcança áreas como Jardim das Gaivotas, Chácara das Gaivotas, Parque Cocaia, Jardim Toca e Cantinho do Céu.
A ligação se articula com vias que conduzem aos demais eixos da zona Sul e ao Terminal Grajaú, onde há conexão com a Linha 9-Esmeralda.
A abertura de um novo caminho pode permitir mudanças no planejamento das linhas de ônibus e reduzir a necessidade de contornos. Para transformar essa possibilidade em benefício ao passageiro, a operação deverá considerar trajetos, frequência, localização das paradas e conexões.
A ponte e seus acessos também precisam funcionar como um conjunto: a capacidade de atravessar a represa depende das condições de chegada e saída da estrutura.
Aditivo dos projetos abrange dois segmentos de acessos que somam 3,81 quilômetros
O contrato alterado na publicação desta quinta-feira contempla assistência técnica e fornecimento de informações para levantamentos de campo, serviços geotécnicos e elaboração dos projetos básico e executivo dos segmentos 1 e 3.
| Segmento no contrato técnico | Extensão |
|---|---|
| Segmento 1 | 1,42 km |
| Segmento 3 | 2,39 km |
| Total | 3,81 km |
Esses 3,81 quilômetros são a soma dos trechos identificados no objeto contratual. Não correspondem à extensão da ponte nem ao conjunto completo da ligação.
Na organização do empreendimento, os segmentos 1 e 3 estão associados aos acessos nos lados da travessia. O segmento intermediário contempla a conexão sobre o braço do Cocaia.
Os documentos de planejamento apresentam vias como Manoel Alves Soares, Irmã Dulce e Presidente João Goulart no lado Graúna e, no lado Gaivotas, conexões pela Estrada Canal do Cocaia, Rua Rubens de Oliveira e Rua Pedro Escobar em direção à Avenida Dona Belmira Marin.
Prorrogação publicada agora é de seis meses contados de fevereiro de 2025
A leitura da íntegra do aditivo permite esclarecer o prazo.
O documento estabelece a prorrogação por mais seis meses, contados de 16 de fevereiro de 2025, com adoção de cronograma físico-financeiro. Também faz referência a um despacho autorizatório publicado em 19 de maio de 2025.
As assinaturas dos representantes da SPObras ocorreram em setembro de 2026, e a assinatura do secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras foi registrada em 28 de setembro. A publicação ocorreu em 1º de outubro.
Assim, o período prorrogado é referido a 2025. O termo não concede quinze meses adicionais a partir da publicação de outubro de 2026: os quinze meses apresentados no quadro do extrato são uma informação distinta da cláusula que estabelece a extensão de seis meses.
Essa diferença evita atribuir ao projeto uma nova data de conclusão que não está estabelecida nesse aditamento.
Levantamentos e estudos geotécnicos definem condições para construir os acessos
Os levantamentos de campo identificam as condições reais da área, como relevo, edificações, vias, drenagem e interferências.
Os serviços geotécnicos investigam características do solo e do subsolo, necessárias para dimensionar pavimentos, fundações, contenções e outras estruturas.
O projeto básico desenvolve as soluções de engenharia. O executivo detalha os elementos necessários à construção e compatibiliza as diferentes disciplinas.
Na Graúna–Gaivotas, esses trabalhos precisam considerar os acessos, a proximidade da represa, as estruturas e a ocupação existente.
O empreendimento passou pela análise ambiental do EIA/RIMA, o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental. Em outubro de 2024, o Conselho Municipal do Meio Ambiente aprovou o parecer técnico referente à ponte e ao sistema viário de acesso.
Ponte está em obras; apoio aos projetos dos acessos é uma frente contratual específica
Em atualização divulgada em 9 de setembro de 2026, a Prefeitura informou trabalhos de fundações e estruturas da ponte, com frentes nos lados Graúna e Gaivotas e apoio náutico na represa.
Portanto, o empreendimento reúne atividades de construção e contratos técnicos com objetos próprios.
A publicação do aditivo de apoio aos projetos dos segmentos 1 e 3 deve ser situada nesse conjunto. Ela não representa, por si só, uma nova contratação de toda a ponte ou uma alteração geral de todos os prazos da obra.
Projetos têm histórico de preparação anterior às publicações desta quinta-feira
A Graúna–Gaivotas possui uma trajetória de projetos, estudos ambientais e contratação das obras. A Teotônio Vilela também passou por elaboração de projetos antes do anúncio de início da duplicação.
| Ano | Marco |
|---|---|
| 2018 | Licitação anunciada para o projeto da ponte Graúna–Gaivotas |
| 2021 | Licitação dos projetos dos segmentos 1 e 3 da ligação e dos projetos da Teotônio Vilela |
| 2022 | Contratos relacionados aos projetos e ao apoio técnico da Graúna–Gaivotas |
| Maio de 2024 | Anúncio de início da duplicação da Teotônio Vilela |
| Outubro de 2024 | Análise ambiental e licitação das obras da Graúna–Gaivotas |
| Setembro de 2026 | Atualização municipal sobre as obras da ponte e assinatura dos aditivos |
| Outubro de 2026 | Publicação dos termos relativos às duas intervenções |
Os históricos mostram a necessidade de acompanhar separadamente preparação técnica, contratos, construção e entrada em funcionamento.
Para os moradores, os resultados esperados são caminhos mais diretos, ônibus menos sujeitos a afunilamentos e melhores condições de acesso aos terminais. A execução deverá ser acompanhada tanto pelos valores e prazos como pelas condições de circulação, acessibilidade e serviço entregues à população.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
