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Santiago, no Chile: Alfa e Omega, do grupo Metropol, pedem reorganização semelhante à recuperação judicial com dívidas de R$ 256,7 milhões

Operadoras buscam evitar falência; outras empresas apoiam serviços da Red Movilidad, e proposta prevê possível transferência da concessão da Alfa

ADAMO BAZANI

As empresas Buses Alfa e Buses Omega, integrantes do grupo argentino Metropol e operadoras do transporte público de Santiago, no Chile, solicitaram reorganização judicial para renegociar dívidas e evitar a falência. Os passivos somam 48,775 bilhões de pesos chilenos, equivalentes a aproximadamente R$ 256,7 milhões, e a crise mobilizou apoio de outras empresas nos serviços da Red Movilidad.

O Diário do Transporte está no Chile e teve contato com a imprensa local que destaca essa possibilidade de falência. Revendedores e fornecedores de veículos estão acompanhando atentamente a está situação das empresas e temem prejuízo em mais companhias.

O procedimento tem finalidade semelhante à recuperação judicial brasileira, buscando preservar a atividade e reestruturar os compromissos financeiros. A proposta apresentada prevê a possibilidade de transferir a concessão da Alfa a outro operador, mediante autorização da autoridade de transporte, enquanto a Omega continuaria operando. A transferência depende da análise do processo.

Reorganização busca renegociar dívidas e preservar a operação

A notícia sobre os pedidos foi publicada pelo jornal La Tercera em 30 de setembro de 2026. Os passivos informados correspondem ao fechamento de agosto deste ano.

A Buses Alfa acumula 26,702 bilhões de pesos chilenos em obrigações, aproximadamente R$ 140,5 milhões. Já a Buses Omega registra 22,073 bilhões de pesos, cerca de R$ 116,2 milhões.

As conversões utilizam a cotação consultada nesta sexta-feira, 2 de outubro, de aproximadamente R$ 0,005263 por peso chileno. Os valores em reais servem como referência para o leitor brasileiro e variam conforme o câmbio.

Entre os principais credores das operadoras aparecem a distribuidora de combustíveis Copec, a seguradora Suramericana e a Inversiones Kaufmann Chile.

Na legislação chilena, a reorganização concursal é um procedimento judicial destinado à reestruturação dos ativos e das dívidas de uma empresa considerada viável. Sua finalidade se aproxima da recuperação judicial no Brasil, embora cada país tenha regras próprias.

A apresentação do pedido não significa que a renegociação já foi aprovada. O processo busca construir uma saída para a crise financeira e preservar a atividade das companhias.

Empresas atribuem dificuldades à demanda e aos custos

As operadoras apontam a diferença entre o movimento de passageiros previsto na licitação e o efetivamente registrado, além do aumento dos custos, como fatores da crise.

Nas manifestações relatadas pelo La Tercera, as companhias afirmam que a demanda ficou 22% abaixo das projeções e que os custos de mão de obra cresceram 18%. Também mencionam pressões relacionadas ao combustível e ao câmbio.

Segundo as empresas, as mudanças provocadas pela pandemia alteraram as condições consideradas na contratação dos serviços.

As manifestações também apontam evasão tarifária — embarques sem pagamento da passagem —, vandalismo e problemas relacionados às condições dos ônibus e terminais recebidos.

Esses fatores são apresentados pelas companhias como justificativas para a necessidade de renegociar suas obrigações.

Outras operadoras apoiam o atendimento aos passageiros PAESE Chileno

O Diario Financiero informou em 1º de outubro que Subus, Voy Santiago e Conecta estavam apoiando serviços da Metropol.

Consultado pelo jornal, o Diretório de Transporte Público Metropolitano (DTPM), responsável pela administração dos contratos do sistema, afirmou que a empresa seguia operando e que utilizaria ônibus de apoio e planos de contingência para evitar prejuízos aos passageiros.

A Metropol declarou ao veículo que escolheu a reorganização para ordenar os passivos, cumprir compromissos e preservar o atendimento, os trabalhadores e o sistema de transporte.

A atuação de outras empresas integra, portanto, as medidas para manter as viagens durante a crise.

Plano contempla transferência da concessão da Alfa

Segundo o Diario Financiero, a proposta apresentada contempla a cessão da concessão da Alfa a um terceiro, com autorização do poder público.

Nesse desenho, a Omega permaneceria operando e utilizaria receitas de seu contrato também para pagar dívidas da Alfa.

O DTPM explicou que a transferência é uma possibilidade prevista contratualmente, mas deve ser analisada no procedimento de reorganização pelo responsável por acompanhar o processo e pelos credores.

O futuro das operações depende, assim, das negociações financeiras e das decisões necessárias para executar uma eventual mudança de concessionária.

Linha B13 liga Valle Grande ao metrô

Entre os serviços associados à Metropol está a linha B13, que conecta Valle Grande, no município de Lampa, à estação Lo Cruzat, da Linha 3 do metrô de Santiago.

A extensão até Valle Grande começou a operar em 9 de dezembro de 2023, segundo a Red Movilidad. O trajeto também oferece acesso à estação Plaza Quilicura, ampliando a ligação dos moradores com o transporte sobre trilhos.

Durante a reorganização, a continuidade dessas conexões é uma das questões centrais para os passageiros que dependem diariamente dos ônibus. Os planos de apoio buscam preservar o atendimento enquanto são discutidas a renegociação das dívidas e a proposta de transferência da concessão.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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