Prefeito diz que poder público vai garantir andamento de troca de frota e que apurações contra o crime organizado não vão interferir no ritmo de troca de troca dos veículos. Viações locais cancelaram pedidos
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, avalia decretar a caducidade do contrato com a empresa Transunião, que opera na Zona Leste da capital paulista, transportando mais de 262 mil passageiros em cerca de 50 ônibus. A declaração foi dada nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, durante a entrega de 250 ônibus elétricos para a cidade de São Paulo, que alcançou a marca de 2 mil coletivos com esta tecnologia.
De acordo com o Ricardo Nunes, as investigações sobre a infiltração do crime organizado no primeiro comando da capital não vão interferir o ritmo de eletrificação da frota da cidade de São Paulo, já que a prefeitura vai garantir os pagamentos a fornecedores e aos bancos credores.
“A prefeitura está garantindo que os investimentos feitos, os ônibus adquiridos… A prefeitura vai honrar os pagamentos dos fornecedores, vai honrar os colaboradores… O que eu quero passar para vocês é que o sistema vai funcionar normalmente, independente de qualquer operação que aconteça, a nossa principal função, minha, do Celso, do Vitor, da administração pública, é fazer o sistema funcionar;” – disse Nunes.
“Aí tem o trabalho da polícia, que não compete a gente, a gente não tem possibilidade de fazer quebra de sigilo, de fazer quebra de sigilo telefônico, bancário, isso cabe aos órgãos de investigação, que vai ter sempre a colaboração, lembrando que inclusive nas ações que correm na Justiça, a Prefeitura de São Paulo, ela é assistente de acusação.”, completou o prefeito.
Entretanto, a diretora de infraestrutura do BNDES, Luciana Costa, afirmou que o banco monitora as operações contra o crime organizado na cidade de São Paulo. Segundo ela, uma das medidas para evitar que o dinheiro vá para suspeitos é o financiamento direto ao fornecedor dos ônibus. Luciana Costa disse que o banco está acompanhando atentamente a todas as investigações.
“Hoje, o estado de São Paulo e a cidade de São Paulo são um dos maiores clientes do BNDES. A gente já financiou cerca de 14 bilhões de reais em metrôs, linha 6, TIC, tudo isso é financiado com o BNDES. E o BNDES tem um detalhe, a gente financia esses ônibus produzidos no Brasil, a Eletra está aqui, a gente não financia importado, aqui se combina infraestrutura, mobilidade para a população e geração de emprego local.
É muito importante a gente gerar emprego no Brasil para que as pessoas possam se desenvolver. Eu agradeço muito. Outra coisa, quando a gente libera o pagamento desses ônibus, o pagamento vai direto para o fornecedor de ônibus.
Teve uma operação, o crime organizado ele tenta se infiltrar no estado, o PCC tentou se infiltrar e a gente, com as nossas regras de integridade e compliance, a gente ajuda a combater o crime no momento em que o dinheiro vai direto para a empresa.”
A Transunião foi alvo de uma operação do Ministério Público em junho de 2026. No dia 25, a prefeitura decretou a intervenção sobre a empresa.
“Fizemos lá a nossa intervenção na Transwolff por uma determinação judicial e eu fiz a intervenção na UpBus por uma determinação minha, como eu fiz a intervenção na Transunião por determinação minha. E a UpBus já não está mais no sistema, a Transwolff já não está mais no sistema, a Transunião estou avaliando muito possivelmente será decretada a caducidade, estou conversando com a nossa equipe técnica, porque eu nunca vou tomar também nenhuma atitude irresponsável. Agora, todo mundo já sabe que na nossa gestão não vai ter de forma nenhuma nenhum tipo de comportamento diferente daquilo que a sociedade deseja, que é a rigidez da exigência do seu contrato.”, disse Ricardo Nunes.
Em relação aos outros ônibus elétricos do subsistema local que operam nos bairros e cujas empresas são o foco dos trabalhos do Ministério Público, as investigações apontam para a possibilidade de envolvimento de outras companhias. O Diário do Transporte obteve informação de que algumas delas, diante do quadro de insegurança por causa das apurações, cancelaram ou adiaram os pedidos.
Já sobre a Transunião, a empresa foi alvo de uma operação do Ministério Público, mas era investigada desde 2020, a partir do assassinato de Adalto Jorge, que era presidente da companhia. As autoridades de investigação quiseram reunir elementos, mostrando que a concessionária era usada pelo PCC para lavar dinheiro.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Arthur Ferrari
