Volksbus está em mais de 30 países e fabricante amplia ofensiva internacional: somente no México foram vendidos 320 chassis no primeiro semestre de 2026; Argentina tem produção local de ônibus e Paraguai recebeu nova encomenda para transporte urbano
ADAMO BAZANI
A Volkswagen Caminhões e Ônibus chega aos 45 anos de exportações com 200 mil veículos enviados para mercados internacionais e com os ônibus ocupando uma parcela relevante dessa história. Somente a família Volksbus já havia ultrapassado, em 2024, a marca de 40 mil chassis exportados, o equivalente a pelo menos 20% do atual volume acumulado de caminhões e ônibus vendidos ao exterior pela fabricante.
E o transporte de passageiros continua sendo uma das frentes de expansão internacional da empresa. Em 2026, a Volkswagen vendeu 320 chassis de ônibus apenas no México no primeiro semestre, fechou uma encomenda de 20 unidades para linhas urbanas de Assunção, no Paraguai, e começou a levar a outros mercados uma nova geração de Volksbus Euro V. Na Argentina, o chassi de ônibus também integra a produção realizada em Córdoba.
A marca de 200 mil veículos exportados foi anunciada pela VWCO nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, dentro das comemorações pelos 45 anos de operações internacionais.
A trajetória começou em 1981, mesmo ano de criação da Volkswagen Caminhões e Ônibus, com apenas 37 caminhões enviados para Chile, Paraguai e México. Atualmente, caminhões e ônibus da fabricante estão presentes em mais de 30 países da América Latina, África e Oriente Médio.
No caso específico dos ônibus, a internacionalização começou posteriormente, com o lançamento da família Volksbus em 1993. Em outubro de 2024, a empresa anunciou ter superado 40 mil chassis de ônibus exportados desde então, também para mais de 30 países.
Esse número permite dimensionar a participação do transporte de passageiros dentro dos 200 mil veículos que agora compõem o balanço histórico da empresa. Os 40 mil Volksbus já representariam 20% desse total, mas a participação acumulada atualmente é maior, uma vez que a marca dos 40 mil ônibus foi atingida há quase dois anos e novas vendas internacionais ocorreram desde então.
A Volkswagen não divulgou, no balanço dos 45 anos, uma atualização específica do total acumulado de chassis de ônibus exportados.
México é hoje principal mercado internacional da Volkswagen para ônibus
Entre os exemplos mais recentes da estratégia internacional para o transporte coletivo está o México.
Como mostrou o Diário do Transporte em 16 de setembro de 2026, a fabricante comercializou 320 chassis de ônibus naquele país apenas no primeiro semestre deste ano. O volume deu à Volkswagen participação de 19,5% no mercado mexicano e a segunda posição no segmento, segundo números divulgados pela empresa.
A própria VWCO classifica o México como seu principal mercado internacional para ônibus.
Os modelos oferecidos no país já atendem ao padrão Euro VI de emissões. Entre eles está o Volksbus 15.210 SCD, conhecido localmente como Huracán e desenvolvido especificamente para as características das operações mexicanas. A fabricante aponta o modelo como seu chassi de ônibus mais vendido naquele mercado.
A gama mexicana inclui ainda os Volksbus 9.180 OD, 11.180 OD, 15.210 OD, 17.230 OD e 18.320 OT, além do próprio 15.210 SCD.
Nova geração Euro V amplia oferta internacional
Ao mesmo tempo em que comercializa ônibus Euro VI no México, a Volkswagen iniciou em 2026 a introdução da nova geração internacional Volksbus Euro V em países cuja legislação ambiental ainda adota esse padrão.
São sete modelos:
Volksbus 9.180;
Volksbus 11.180;
Volksbus 15.210;
Volksbus 17.230;
Volksbus 17.260;
Volksbus 18.320 SL;
Volksbus 18.320 SH.
A introdução ocorre gradualmente, dependendo das normas de emissões e das características de cada mercado.
Entre as mudanças estão maior oferta de câmbio automático e suspensão pneumática. Nos modelos de motor dianteiro há opção de transmissão automática de oito velocidades para fretamento. Os ônibus de motor traseiro podem receber transmissão de seis velocidades na configuração de piso baixo e de oito velocidades no piso alto.
Na prática, a Volkswagen mantém portfólios com diferentes padrões ambientais de acordo com cada país: Euro VI no México, a nova geração Euro V em parte dos mercados internacionais e modelos Euro III em países que ainda adotam esta regulamentação.
Paraguai recebe volume equivalente a nove anos de vendas
Um exemplo dessa diversidade é o Paraguai.
Em setembro de 2026, a Volkswagen anunciou a venda de 20 chassis Volksbus 17.230 EOD Euro III para o Grupo La Santaniana. Os veículos serão utilizados em linhas urbanas de Assunção.
Apesar de numericamente pequeno diante de mercados como México e Argentina, o pedido tem peso para a operação paraguaia: sozinho, corresponde ao total de ônibus Volkswagen comercializados no país nos nove anos anteriores.
Paraguai, Chile e México têm ainda importância histórica para a fabricante porque foram justamente os três primeiros destinos das exportações da empresa, em 1981.
Argentina passou de destino de exportações a base de produção
A Argentina ocupa outra posição estratégica.
Em 2025, foi o maior mercado externo da VWCO considerando conjuntamente caminhões e ônibus, com 2.182 veículos comercializados. México ficou em seguida, com 1.868 unidades; Chile recebeu 1.251; e Peru, 503.
No segmento de passageiros, o destaque argentino naquele ano foi o Volksbus 15.190 OD.
A operação ganhou uma nova característica com a implantação de uma linha de montagem no Centro Industrial da Volkswagen Group Argentina, em Córdoba.
O local recebe kits e monta tanto caminhões como chassis de ônibus. A VWCO informa que mais de 2.300 veículos já foram produzidos na unidade desde o início das atividades.
A operação argentina também mostra uma mudança no próprio conceito de internacionalização da empresa: parte dos veículos deixa de chegar ao mercado externo completamente montada no Brasil e passa a ter montagem final no país de destino.
Centro em Resende prepara veículos semidesmontados para outros países
Esse sistema ganhou estrutura própria em agosto de 2025, quando a Volkswagen inaugurou um Centro de Exportação próximo à fábrica de Resende (RJ).
A instalação concentra a preparação e o envio de veículos em SKD, sigla em inglês para “semi knocked down”, ou semidesmontados. Nessa modalidade, componentes e conjuntos produzidos no Brasil são enviados para outra unidade industrial, onde ocorre a montagem final.
Esse modelo permite adequar produção, logística e características técnicas às condições de cada país.
A Volkswagen já desenvolveu estruturas internacionais de montagem de chassis de ônibus em países como Argentina, México, África do Sul e Filipinas.
Ônibus brasileiros também chegaram à África, Ásia e Oriente Médio
A presença internacional do Volksbus não está restrita aos países vizinhos do Brasil.
Na África, chassis da marca já foram comercializados em mercados como Angola e Cabo Verde.
Em Cabo Verde, por exemplo, dez Volksbus 17.230 EOD fabricados no Brasil foram exportados em 2023 para a Solatlântico, para transporte urbano. O negócio elevou para 56 o número de chassis Volkswagen na frota da operadora.
Em Angola, a fabricante informou em 2026 novos fornecimentos que incluíram o Volksbus 17.230 EOD em configuração conhecida como Jungle Bus, preparada para terrenos mais severos.
O conceito de ônibus adaptados às condições locais não é recente. Versões do chamado Jungle Bus chegaram ao longo dos anos a países da América Latina e da África, para aplicações como transporte rural, mineração e operações em estradas de condições mais difíceis.
No Oriente Médio, a Volkswagen também desenvolveu versões de ônibus adaptadas a temperaturas próximas dos 50 graus Celsius e às operações de transporte de peregrinos na Arábia Saudita, com alterações em sistemas de arrefecimento, pneus e outros componentes.
A expansão chegou ainda à Ásia. Nas Filipinas, a estratégia incluiu montagem local de ônibus, enquanto caminhões continuaram sendo enviados prontos do Brasil.
Volksbus chega aos 200 mil chassis produzidos
O avanço nas exportações coincide com outro marco da fabricante.
Em 2026, a Volkswagen anunciou ter atingido 200 mil chassis Volksbus produzidos desde o lançamento da família, em 1993.
A linha começou com apenas um modelo, o VW 16.180 CO, e atualmente reúne mais de 50 variações destinadas a serviços urbanos, rodoviários, escolares, fretamento e turismo.
Assim, os números históricos colocados lado a lado mostram a dimensão internacional alcançada pela divisão de ônibus: 200 mil Volksbus produzidos desde 1993 e mais de 40 mil já exportados até 2024, além das vendas realizadas posteriormente.
Exportações começaram com apenas 37 veículos
A história internacional da Volkswagen Caminhões e Ônibus começou em 1981, quando 37 caminhões foram enviados ao Chile, Paraguai e México.
Quatro décadas e meia depois, a empresa informa ter alcançado 200 mil caminhões e ônibus embarcados para o exterior e presença comercial em mais de 30 países.
“Chegar aos 45 anos de exportações e à marca de 200 mil veículos embarcados é resultado de uma estratégia construída ao longo de décadas, baseada na proximidade com nossos clientes, no desenvolvimento de soluções adequadas a cada mercado e em uma visão consistente de crescimento internacional”, afirmou, em nota, o vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Ricardo Alouche.
Segundo o executivo, o resultado representa também a consolidação da fabricante em mercados considerados estratégicos pela companhia.
A empresa diz que a expansão internacional passou a receber novo impulso a partir de 2023, com escritórios regionais e uma estratégia de procura de novos mercados.
“A Argentina desempenha um papel fundamental em nossa estratégia internacional. A implantação da linha de montagem em Córdoba reforçou nossa competitividade, ampliou a proximidade com os clientes locais e abriu novas possibilidades de crescimento para a operação”, acrescentou Alouche.
Além de ampliar a produção fora do Brasil, a fabricante segue adaptando chassis, motores, padrões de emissões e configurações às legislações e características de cada mercado — movimento que atualmente coloca os ônibus como uma das frentes da expansão internacional da Volkswagen.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
