Feira internacional começou nesta terça-feira (22) e segue até sexta (25), com cerca de 180 estreias mundiais; Brasil participa com 105 organizações
ADAMO BAZANI
Com informações de Renata Veríssimo
A InnoTrans 2026 começou nesta terça-feira, 22 de setembro, em Berlim, na Alemanha, com mais de 3.100 expositores e cerca de 180 estreias mundiais. A edição deste ano reforça a presença de inteligência artificial, automação ferroviária, novas formas de propulsão e sistemas voltados à eficiência energética, manutenção e experiência dos passageiros.
A feira, considerada uma das principais vitrines internacionais de tecnologia para transportes, segue até sexta-feira (25) no complexo Messe Berlin. Entre os destaques estão locomotivas híbridas, trens a bateria, sistemas automatizados de inspeção, condução assistida, soluções para manutenção e demonstrações de ônibus com propulsão alternativa e tecnologias de recarga.
Inteligência artificial ganha espaço na operação e na manutenção
Segundo a vice-diretora da InnoTrans, Lena Ritter, 750 empresas participam da feira pela primeira vez, indicando uma ampliação da base de expositores e dos temas tecnológicos tratados no evento. A inteligência artificial aparece com mais força tanto nos produtos apresentados quanto na programação paralela.
Entre os exemplos está uma solução desenvolvida pela Downer em parceria com a Future Maintenance Technologies para inspeção automatizada de trens.
O sistema utiliza equipamentos robotizados e sensores para identificar possíveis falhas, enquanto a inteligência artificial processa os dados coletados. A proposta é reduzir o tempo necessário para inspeções e permitir intervenções de manutenção antes que os problemas se agravem.
Outro exemplo vem da Knorr-Bremse.
O sistema LEADER Flow utiliza informações de trens que circulam à frente para recomendar ao maquinista uma forma mais eficiente de condução. Segundo os resultados apresentados pela empresa, os testes indicaram economia média de energia superior a 10%.
Hidrogênio e baterias ampliam alternativas de propulsão
As novas tecnologias de propulsão também estão entre os principais temas da feira.
A chinesa CRRC apresenta uma locomotiva híbrida de 2.000 kW que combina célula de combustível a hidrogênio com baterias.
O veículo também possui uma plataforma de condução baseada em aprendizado profundo e sensores capazes de monitorar em 360 graus o entorno da composição.
A Škoda leva à InnoTrans o RegioPanter movido a bateria.
Segundo a fabricante, o trem consegue percorrer até 80 quilômetros fora de trechos eletrificados e atingir velocidade de até 120 km/h nesta condição.
Quando conectado à rede aérea de alimentação elétrica, pode chegar a 160 km/h.
A CAF também apresenta uma versão do Civity com tração por bateria. De acordo com a empresa, o trem percorreu 273 quilômetros utilizando esse sistema em testes realizados na Alemanha.
Automação chega aos trens, oficinas e manutenção da via
A automação também avança sobre diferentes etapas da operação ferroviária.
A system7 apresenta uma máquina de socaria totalmente digitalizada, desenvolvida para atuar simultaneamente em dois dormentes e automatizar etapas do trabalho de manutenção da via.
O DLR, Centro Aeroespacial Alemão, leva à feira pesquisas sobre operação remota e condução automática.
Entre os projetos está um sistema de comunicação por banda ultralarga destinado a viabilizar o chamado acoplamento virtual entre trens.
A Škoda também apresenta o Smart Depot, plataforma que organiza as atividades de manutenção dentro das oficinas.
O sistema acompanha os veículos e distribui tarefas conforme as necessidades operacionais.
Outro produto da fabricante é o bonde ForCity 52T, equipado com um sistema anticolisão baseado em LiDAR, tecnologia que utiliza sensores para mapear objetos e obstáculos no entorno do veículo.
Mobilidade urbana e ônibus também fazem parte da feira
Apesar da forte presença ferroviária, a InnoTrans também reúne tecnologias voltadas ao transporte urbano em outros modos.
A área Mobility+ concentra serviços complementares ao transporte público, principalmente aqueles relacionados às viagens de primeira e última milha.
Entre os temas estão plataformas digitais e sistemas de transporte sob demanda.
Os ônibus têm uma área específica.
No Bus Display, fabricantes demonstram veículos com formas alternativas de propulsão e tecnologias de recarga em uma pista de 500 metros.
A experiência dos passageiros também aparece entre as soluções apresentadas.
O DLR demonstra sistemas de controle individual da climatização e um modelo de assistência adaptado a diferentes perfis de usuários.
A Panarooma apresenta ainda um conceito de restaurante robotizado para trens.
Novos trens ocupam área externa
A área externa da feira reúne alguns dos principais lançamentos de material rodante.
A Hitachi Rail apresenta a nova geração do trem de alta velocidade ETR1000.
A Siemens Mobility leva a locomotiva Vectron X.
Trens regionais e veículos autônomos também fazem parte da exposição, ao lado de propostas destinadas a serviços noturnos, redução de emissões e aumento da eficiência energética.
Nova articulação ferroviária europeia entra em debate
A edição de 2026 também acompanha uma discussão institucional sobre a gestão das redes ferroviárias europeias.
Segundo Lena Ritter, está prevista a criação da European Network for Infrastructure Managers, a ENIM.
A estrutura já é prevista pela Diretiva 2012/34/UE e passa por um processo de fortalecimento institucional.
A proposta em discussão na União Europeia prevê participação dos gestores das principais linhas da rede transeuropeia de transportes, a TEN-T, com foco em planejamento estratégico de capacidade e avaliação conjunta do desempenho das redes.
Brasil participa com 105 organizações
O Brasil participa da InnoTrans 2026 por meio da Casa da Mobilidade Brasileira, um estande multimarcas organizado pelo Brazil on Rails.
O espaço representa 105 organizações brasileiras e está localizado no Hall 10.1, estande 350.
A proposta é funcionar como ponto de encontro de empresas e entidades interessadas em ampliar atuação internacional e apresentar capacidades da indústria ferroviária brasileira a potenciais parceiros.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
