Contratação formalizada nesta terça-feira (22) é etapa de licitação acompanhada pelo Diário do Transporte desde a abertura; disputa havia sido homologada para 100 veículos, mas contrato publicado agora prevê 96 unidades
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de Belo Horizonte formalizou o contrato para a compra de 96 ônibus elétricos que terão tecnologia e integração da Eletra, carrocerias Caio e plataforma mecânica Mercedes-Benz. O valor fechado é de R$ 307,68 milhões, e os veículos serão destinados às linhas municipais de transporte coletivo da capital mineira. O extrato foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira, 22 de setembro de 2026.
A contratação representa uma nova etapa da licitação que vem sendo acompanhada pelo Diário do Transporte desde a abertura. Em junho, o portal mostrou que o consórcio formado por Eletra, Caio e Mercedes-Benz havia sido homologado vencedor da disputa para 100 ônibus elétricos, com componentes de tração também fornecidos pela WEG. Naquela fase, o valor global homologado era de R$ 320,5 milhões.
Contrato agora é para 96 ônibus, quatro a menos que na homologação
O extrato publicado nesta terça-feira informa que a contratada formalmente é a Caio – Induscar Indústria e Comércio de Carrocerias Ltda. e que o objeto passou a ser a aquisição de 96 ônibus de propulsão elétrica.
O valor é de R$ 307.680.000 e a vigência será de 20 meses, contados a partir da emissão da ordem de fornecimento. O contrato foi assinado em 16 de setembro de 2026.
Há, portanto, uma redução de quatro ônibus em relação às 100 unidades previstas na licitação homologada em junho.
O valor médio permanece em R$ 3,205 milhões por ônibus, exatamente o mesmo resultado da divisão dos R$ 320,5 milhões anteriormente homologados pelas 100 unidades. Isso indica que a redução do valor total acompanha proporcionalmente a diminuição da quantidade contratada.
Diário do Transporte acompanhou licitação desde a abertura
Em 14 de abril de 2026, o Diário do Transporte noticiou a abertura da concorrência para a compra de 100 ônibus elétricos e 27 carregadores.
O edital previa ônibus do tipo BRT Misto, com capacidade mínima para aproximadamente 70 passageiros, autonomia comprovada superior a 250 quilômetros, ar-condicionado e tomadas USB. A aquisição seria financiada com recursos do PAC, do Governo Federal.
Na ocasião, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que os ônibus seriam cedidos em comodato às concessionárias responsáveis pela operação das linhas municipais. A infraestrutura projetada incluía 27 carregadores, sendo 25 para instalação em garagens e dois em áreas públicas.
Em 19 de junho, o Diário do Transporte mostrou a homologação da licitação para o conjunto industrial formado por Eletra, Caio e Mercedes-Benz.
A configuração vencedora combina tecnologia e integração veicular da Eletra, carroceria Caio, plataforma mecânica Mercedes-Benz e componentes elétricos da WEG, incluindo motores, inversores e baterias, segundo as informações apresentadas na etapa de homologação.
Ônibus terão configuração voltada também para corredores
De acordo com o edital analisado anteriormente pelo Diário do Transporte, os veículos foram especificados como ônibus elétricos do tipo BRT Misto, com cinco portas.
São três portas no lado direito e duas no lado esquerdo, configuração que permite atender tanto pontos convencionais quanto estações ou plataformas de corredores estruturados.
Entre as características técnicas previstas estão potência nominal mínima de 145 kW, torque mínimo de 900 Nm nas rodas motrizes, suspensão pneumática e baterias com capacidade mínima de 337 kWh.
A autonomia exigida é superior a 250 quilômetros, nas condições estabelecidas pelo edital, e o carregamento será do tipo plug-in no padrão CCS2.
O comprimento dos ônibus deve ficar entre 12,4 metros e 14 metros.
Também estão previstos ar-condicionado, wi-fi, tomadas USB, vidros colados com tratamento contra raios ultravioleta e recursos de acessibilidade, incluindo plataforma elevatória na porta central direita e rampas nas portas do lado esquerdo.
Garantia das baterias chega a oito anos
O edital estabeleceu garantia básica de dois anos ou 130 mil quilômetros para o chassi.
Para baterias de tração e trem de força, a exigência é de oito anos ou 600 mil quilômetros, mantendo pelo menos 80% da capacidade total de carga.
Os componentes de alta tensão também têm garantia prevista de oito anos ou 600 mil quilômetros.
Para a carroceria, foi exigida garantia mínima de dois anos de operação ou 150 mil quilômetros, além de assistência técnica.
Recursos federais
Quando a licitação foi aberta, a Prefeitura informou que contava com R$ 317 milhões do PAC para a compra dos ônibus elétricos.
A contratação agora publicada pelo Município é de R$ 307,68 milhões apenas para os 96 veículos descritos no extrato.
O documento desta terça-feira não explica, no trecho publicado, por que a quantidade final caiu de 100 para 96 ônibus nem detalha eventual alteração na contratação dos 27 carregadores inicialmente previstos na licitação.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
