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Edital para operação provisória de ônibus entre Ponte Serrada e Faxinal dos Guedes termina deserto em Santa Catarina

Estado buscava empresa para linha intermunicipal com 2.184 viagens por ano, ônibus rodoviários, bilhetagem eletrônica e rastreamento; seleção não teve vencedora e fazia parte do modelo temporário adotado até a concessão definitiva

ADAMO BAZANI

O Governo de Santa Catarina terminou sem conseguir selecionar uma empresa no Edital Simplificado nº 0004/2026, lançado para a operação provisória da linha intermunicipal de ônibus entre Ponte Serrada e Faxinal dos Guedes, no Oeste do Estado. O resultado foi oficialmente declarado deserto, o que significa que o procedimento não produziu uma transportadora vencedora.

A operação prevista no edital era de 2.184 viagens por ano, em ônibus de padrão rodoviário, com extensão tarifária de referência de 69,6 quilômetros e passagem por BR-282, SC-154R e vias municipais. A empresa que assumisse o serviço também teria de aderir ao sistema estadual de gerenciamento operacional, bilhetagem eletrônica, rastreamento e georreferenciamento.

“Deserto” significa que a seleção não encontrou uma operadora

O resultado foi publicado pelo Governo de Santa Catarina em 5 de maio de 2026.

A Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade declarou deserto o procedimento de seleção simplificada destinado à prestação provisória de transporte intermunicipal.

É importante diferenciar um edital deserto de um edital fracassado.

Quando o processo é deserto, não há proposta capaz de gerar disputa e contratação. Em um procedimento fracassado, pode haver participantes, mas nenhum deles chega ao final em condições de ser contratado.

O ato catarinense usa expressamente a classificação “deserto”.

O resultado, isoladamente, não permite afirmar que a linha esteja atualmente sem ônibus ou que o serviço tenha sido suspenso. Ele informa que esta tentativa específica de selecionar uma nova empresa não gerou uma operadora vencedora.

Linha teria 2.184 viagens por ano

O lote era formado pela ligação Ponte Serrada–Faxinal dos Guedes.

O edital estabeleceu 2.184 viagens anuais e extensão de referência de 69,6 quilômetros para cálculo tarifário. A classificação do serviço e do veículo é rodoviária.

O percurso resumido utiliza a BR-282, a SC-154R e estradas municipais.

O quadro de referência previa três horários a partir de Ponte Serrada e três a partir de Faxinal dos Guedes nas categorias de segunda a sexta-feira, sábado e domingo. Os horários exatos seriam definidos posteriormente.

Linha tem várias seções intermediárias

O serviço não seria apenas uma viagem direta entre os dois municípios.

A tabela do edital prevê seções intermediárias, permitindo atendimento a localidades ao longo do percurso.

Entre os pontos relacionados aparecem Passos Maia, Linha Gramas, Linha Mariano e Bragagnolo.

O documento publicado utilizava referências tarifárias das diferentes seções. Para a viagem completa entre Ponte Serrada e Faxinal dos Guedes aparecia R$ 24,85.

Esse valor, entretanto, não deve ser apresentado automaticamente como tarifa atual de setembro de 2026, porque o próprio modelo parte de referências tarifárias vinculadas à documentação da seleção e prevê mecanismos de recomposição.

Bilhetagem eletrônica seria obrigatória

Um aspecto importante do edital é a tecnologia de controle do transporte.

O modelo de gestão prevê implantação de bilhetagem eletrônica e georreferenciamento da frota, com dados integrados a uma plataforma central de controle do Estado.

A empresa contratada pelo Governo de Santa Catarina para o sistema de gerenciamento deverá fornecer ferramentas para coleta de dados, controle operacional, arrecadação, repasses, venda de passagens e controle de gratuidades e benefícios.

A operadora do ônibus seria obrigada a aderir à solução e compartilhar os dados gerados.

O edital prevê inclusive que uma empresa que já possua sistema próprio poderá utilizá-lo em determinadas condições, mas deverá garantir acesso aos órgãos públicos e possibilidade de replicação da base de dados.

Rastreamento da frota também entraria no sistema

Além da cobrança das passagens, o modelo estabelece rastreamento e georreferenciamento.

A operadora teria de disponibilizar as informações necessárias ao planejamento, gerenciamento, fiscalização e controle da operação.

O documento também determina instalação dos equipamentos necessários nos veículos e pontos de venda.

Isso permite ao Estado ter uma visão mais direta de viagens realizadas, movimentação de passageiros, arrecadação e cumprimento da oferta programada.

Era uma operação provisória, e não a concessão definitiva

A seleção simplificada faz parte de uma solução transitória adotada por Santa Catarina enquanto o Estado prepara a regularização definitiva do transporte intermunicipal.

O modelo está vinculado a um acordo judicial firmado entre o Governo catarinense, o Ministério Público estadual e empresas no âmbito de uma ação civil pública. A própria SIE explica que esses processos simplificados são utilizados durante a vigência dos termos provisórios, enquanto a futura licitação definitiva permanece em preparação.

Se houvesse vencedora, o termo para a linha Ponte Serrada–Faxinal dos Guedes teria duração máxima até 30 de setembro de 2027.

Mas a vigência poderia terminar antes, caso os contratos decorrentes da futura licitação definitiva das linhas entrassem em vigor.

Vencedora seria escolhida pela maior oferta de horários

O critério também é diferente de uma concorrência tradicional por menor tarifa.

A seleção previa como vencedora a empresa que se comprometesse a executar o maior número absoluto de partidas e horários no lote, considerando a programação oferecida para um período de um ano.

A lógica buscava, portanto, incentivar maior oferta de serviço dentro da seleção provisória.

Mas nenhuma empresa chegou a ser escolhida.

O resultado deserto deixa para o Estado a necessidade de decidir como garantir ou reorganizar o atendimento desse mercado até que seja possível uma nova seleção ou a implantação do modelo definitivo de concessões intermunicipais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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